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Combate ao coronavírus

Ministério articula usar aviões da Latam para buscar equipamentos na China

O Ministério da Infraestrutura dá como certo que o governo brasileiro enviará aeronaves à China para buscar EPIs (equipamentos de proteção individual), como luvas e máscaras, cuja compra o Brasil tenta assegurar

Publicado em 03 de Abril de 2020 às 17:20

Redação de A Gazeta

Publicado em 

03 abr 2020 às 17:20
Máscara de proteção produzida pela empresa BYD, na China
Máscara de proteção produzida pela empresa BYD, na China Crédito: Divulgação / BYD
O Ministério da Infraestrutura dá como certo que o governo brasileiro enviará aeronaves à China para buscar EPIs (equipamentos de proteção individual), como luvas e máscaras, cuja compra o Brasil tenta assegurar.
A ideia é usar aviões cargueiros de empresas comerciais para fazer o transporte, como os da Latam. A pasta já deu início a tratativas com a companhia para assegurar as aeronaves.
As Lojas Americanas também entraram em contato com o governo federal sinalizando estarem à disposição para ajudar na logística. Nesta sexta-feira (3), o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) deverá ter uma conversa com representantes da empresa para tratar do assunto.
O ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) disse nesta quinta-feira (2) ter firmado com a China a compra de 200 milhões de unidades de equipamentos a serem entregues nos próximos 30 dias.
Segundo integrantes do governo, também há a promessa de entrega de 8.000 respiradores.
O governo, então, prepara uma logística que envolve deixar de prontidão dez aviões cargueiros que viajarão ao país ao longo do mês à medida que os produtos ficarem prontos.
Diante da dificuldade em obter esses insumos, a ideia não é esperar que todos esses produtos sejam produzidos para ir buscá-los.
Nesta quinta (2), Mandetta falou sobre a dificuldade de adquirir esses produtos. Uma parte das compras de insumos do país asiático feitas pelo Brasil parou após os Estados Unidos terem enviado 23 aviões cargueiros para buscar toneladas de equipamentos.
"Se tivermos de ir à China, a Wuhan [que também foi o epicentro da epidemia no país asiático], local que mais produz esses equipamentos, temos condições e ele já tem plano de logística", disse Mandetta em entrevista na manhã desta quinta. Segundo o ministro, 90% dos EPIs (equipamentos de proteção individual) do mundo são produzidos no país asiático.
"Temos um momento intenso de ajuste de toda produção e logística. Às vezes a pessoa fala: 'Tenho recurso, eu compro'. E a empresa responde: 'Eu te vendo, mas não tenho avião'. Então, você tem de descer em outro aeroporto, transportar a carga. Querem pagamento à vista. O mercado mudou muito", explicou o ministro.
O governo cogitou usar aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para buscar os insumos. Avaliou-se, porém, que essas aeronaves não têm capacidade mínima para carregar esses produtos - eles suportam no máximo 26 toneladas. As aeronaves da Latam, por exemplo, suportariam peso de até 100 toneladas.
O Executivo custeará o envio das aviões, mas a negociação envolve um desconto por parte da empresa comercial que será acionada, que poderia ser a margem de lucro delas.
Apesar dos impasses para obter esses equipamentos, Mandetta afirmou nesta quinta que não há risco agora de desabastecimento de EPIs na rede pública de saúde. "A gente está conseguindo manter todos os estados abastecidos em um bom grau. Tem estado que pediu para pararmos de entregar equipamentos porque não tem uma central de estoque, um almoxarifado."

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