Publicado em 1 de dezembro de 2023 às 11:44
Após uma semana de trégua na guerra que provoca crise humanitária no Oriente Médio, Israel retomou nesta sexta-feira (1º) os bombardeios contra a Faixa de Gaza para eliminar o grupo terrorista Hamas. As ofensivas recomeçaram, segundo Tel Aviv, após a facção rival violar o cessar-fogo temporário ao disparar em direção ao território israelense.>
A pausa de sete dias, que começou em 24 de novembro e foi prorrogada duas vezes, permitiu a troca de reféns mantidos em Gaza por prisioneiros palestinos e facilitou a entrada de ajuda humanitária na faixa costeira devastada. Foi o primeiro alívio desde o começo da guerra nos ataques ao território palestino, em grande parte reduzido a um terreno baldio em resposta aos atentados do dia 7 de outubro.>
Durante a semana de cessar-fogo, 105 reféns foram libertados pelo Hamas, sendo 81 israelenses, 23 tailandeses e um filipino. Em troca, Israel libertou 210 mulheres e crianças prisioneiros palestinos.>
Na última hora antes do fim da trégua, às 7h no horário local (2h em Brasília), Israel disse ter interceptado ao menos um foguete disparado de Gaza e os alarmes soaram em várias áreas próximas ao território palestino. O ataque foi a gota d'água para o recomeço do conflito, segundo Tel Aviv, embora o Hamas não tenha assumido responsabilidade e nenhum dano tenha sido registrado.>
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Autoridades palestinas relataram ataques aéreos e de artilharia israelenses em todo o território após o término da trégua. Jornalistas da agência de notícias Reuters em Khan Younis, no sul de Gaza, testemunharam bombardeios intensos. Milhares de moradores correram em busca de abrigo.>
Apenas duas horas após o término do cessar-fogo, o ministério da Saúde de Gaza disse que 35 pessoas já haviam sido mortas e dezenas ficaram feridas em ataques aéreos que atingiram pelo menos oito casas.>
"Com a retomada dos combates, enfatizamos: o governo israelense está empenhado em atingir os objetivos da guerra libertar nossos reféns, eliminar o Hamas e garantir que Gaza nunca mais represente uma ameaça para a população de Israel", disse nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.>
Diversas lideranças globais e organizações lamentaram a retomada da ofensiva. Ao criticar a guerra, a ONU afirmou que as pessoas no poder "decidiram que os assassinatos de crianças poderiam recomeçar". "É imprudente pensar que mais ataques contra Gaza levarão a qualquer coisa além de uma carnificina", disse James Elder, porta-voz do Unicef, órgão das Nações Unidas para a infância.>
O Hamas acusou Israel de ser responsável por "retomar a guerra e a agressão" contra Gaza depois rejeitar durante a noite várias propostas para mais trocas de reféns por prisioneiros palestinos. Ao mesmo tempo, prometeu oferecer resistência.>
"O que Israel não conseguiu durante os cinquenta dias anteriores à trégua, não conseguirá ao continuar sua agressão", disse Ezzat El Rashq, membro do gabinete político do Hamas, no site do grupo.>
O Qatar e o Egito, países que atuam como mediadores na guerra, informaram que as negociações por um novo cessar-fogo temporário continuam. Tel Aviv havia estabelecido a libertação de dez reféns por dia como o mínimo que aceitaria para interromper sua operação terrestre e os bombardeios contra Gaza.>
Um dos principais negociadores do Qatar, o diplomata Abdullah Al Sulaiti, que ajudou a intermediar a trégua, reconheceu em entrevista à Reuters que a manutenção do cessar-fogo era incerta. "No início, pensei que alcançar um acordo seria o passo mais difícil", disse ele em artigo que detalha os esforços nos bastidores pela primeira vez. "Descobri que sustentar o próprio acordo é igualmente desafiador.">
Além da troca de reféns por prisioneiros, a trégua permitiu a entrada de ajuda humanitária em Gaza. Somente nesta quinta (30), 56 caminhões com suprimentos e combustível entraram no território palestino, segundo o Ministério da Defesa de Israel e o Crescente Vermelho Palestino, a Cruz Vermelha local.>
Mas as entregas de alimentos, água, suprimentos médicos e combustível ainda estão muito abaixo do necessário, dizem os trabalhadores humanitários. Em reunião de emergência em Amã, o rei Abdullah, da Jordânia, instou autoridades da ONU e grupos internacionais a pressionar Israel a permitir mais ajuda.>
Quando o cessar-fogo entrou em vigor pela primeira vez há uma semana, Israel se preparava para direcionar sua operação para o sul de Gaza após sua ofensiva de sete semanas no norte.>
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em Israel durante sua terceira visita ao Oriente Médio desde o início da guerra, disse que disse a Netanyahu que Israel não pode repetir no sul de Gaza as enormes baixas civis e o deslocamento de residentes que ocorreram no norte.>
"Discutimos os detalhes do planejamento contínuo de Israel e enfatizei a necessidade imperativa para os Estados Unidos de que a perda maciça de vidas civis e o deslocamento em escala que vimos no norte de Gaza não se repitam no sul", disse Blinken a repórteres em Tel Aviv.>
"E o governo israelense concordou com essa abordagem", disse ele. Isso incluiria medidas concretas para evitar danos à infraestrutura crítica, como hospitais e instalações de água, e designar claramente zonas seguras, disse ele.>
Israel prometeu aniquilar o Hamas, que controla Gaza, em resposta ao ataque do grupo em 7 de outubro, quando terroristas mataram 1.200 pessoas e fizeram aproximadamente 240 reféns, segundo balanço de Tel Aviv. As forças israelenses retaliaram com bombardeios e uma invasão terrestre. Autoridades de Gaza afirmam que mais de 15 mil palestinos morreram no território antes da trégua.>
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