Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Mundo
  • Estamos caminhando para a Terceira Guerra Mundial ou este é um receio exagerado?
Mundo

Estamos caminhando para a Terceira Guerra Mundial ou este é um receio exagerado?

Mais de um mês depois do início do conflito, surge o receio de que o conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irã possa gerar algo muito maior, como a Terceira Guerra Mundial. Quais são as possibilidades de que isso realmente venha a acontecer?
BBC News Brasil

Publicado em 

02 abr 2026 às 14:33

Publicado em 02 de Abril de 2026 às 14:33

Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images
Mais de um mês depois do início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, existe o receio de que o atual conflito no Oriente Médio possa se transformar em algo muito maior.
A guerra atingiu, além do Irã, mais de 10 outros países da região, como os Emirados Árabes Unidos, Iraque, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Omã, Azerbaijão, Chipre, Síria, Catar e Líbano, além da Cisjordânia ocupada.
Muitos receiam que o conflito atual possa deixar de ser regional e se tornar uma guerra mundial. Mas este receio realmente tem fundamento?

Quando um conflito se torna uma guerra mundial?

"As pessoas tendem a pensar que as guerras são cuidadosamente planejadas e que aqueles que vão para a guerra sabem exatamente o que estão fazendo", explica a professora emérita de história internacional Margaret MacMillan, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, em entrevista ao programa de rádio The Global Story, do Serviço Mundial da BBC.
"De fato, se você observar as guerras do passado... a Primeira Guerra Mundial [1914-1918]... muito do que gerou o seu início ocorreu por acidente e porque as pessoas subestimaram seus oponentes", prossegue ela. "Pense nisso, às vezes, como uma espécie de briga no pátio da escola."
Foi o assassinato do sobrinho do imperador austro-húngaro Francisco José (1840-1916), o arquiduque Francisco Ferdinando (1863-1914), que gerou toda a cadeia de eventos que levou à Primeira Guerra Mundial, segundo MacMillan.
Em questão de semanas, um grupo de alianças empurrou a Europa para o conflito. O Império Austro-Húngaro se levantou contra a Sérvia, a Alemanha apoiou a Áustria, a Rússia se mobilizou em apoio à Sérvia, a França apoiou a Rússia e o Reino Unido, em nome da honra e da estratégia, também entrou na guerra.
Tudo o que se seguiu se tornou uma catástrofe global, explica a professora.
Imagem BBC Brasil
Os Estados Unidos e Israel atacaram instalações fundamentais para o programa nuclear iraniano, além de unidades produtoras de petróleo e gás do Irã Crédito: Stringer via Getty Images
O professor de história internacional Joe Maiolo, do King's College de Londres, define "guerra mundial" como uma guerra generalizada, envolvendo todas as grandes potências.
"Na Primeira Guerra Mundial, teriam sido as potências imperiais europeias", explicou ele à BBC. "Na Segunda Guerra Mundial, teriam sido incluídos os Estados Unidos, o Japão e a China."
Muitas pessoas descreveriam as tensões atuais no Oriente Médio como majoritariamente regionais. Mas estariam presentes as condições para uma escalada mais ampla?
Em entrevista à BBC em fevereiro, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse acreditar que o presidente russo Vladimir Putin já havia dado início à Terceira Guerra Mundial e que a única resposta seria aplicar intensa pressão militar e comercial para forçar Moscou a se retirar.
"Acredito que Putin já a começou. A questão é quanto território ele conseguirá tomar e como detê-lo... A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas escolheram para si", destacou o presidente ucraniano.
Imagem BBC Brasil
Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas no Líbano, devido aos impactos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã Crédito: AFP via Getty Images
Então, qual é o risco atual de ocorrer a Terceira Guerra Mundial?
"Acho que o país com mais probabilidade de escalar o conflito é, provavelmente, o Irã ou seus aliados, como os houthis do Iêmen", afirma MacMillan.
As possíveis ações do Irã, como atacar rotas de navegação ou fechar o Estreito de Ormuz, poderão ter consequências globais, interrompendo o abastecimento de energia e trazendo as principais potências para o conflito, segundo a professora.
O envolvimento dos Estados Unidos também aumenta os riscos. E outros países, mesmo que não estejam diretamente envolvidos, são afetados econômica ou estrategicamente, explica ela.
MacMillan aponta ainda mais um risco: de que o conflito em uma região possa criar oportunidades em outros locais.
A China, por exemplo, pode perceber que essa distração do Ocidente representa uma oportunidade para que ela se movimente em direção a Taiwan. Ou a Rússia poderá intensificar suas ações na Ucrânia, enquanto a atenção global estiver em outro ponto do planeta.
"Sempre existe a possibilidade de que um conflito se espalhe para fora de uma região, em parte porque países fora daquela área observarão oportunidades, já que a guerra envolve pessoas que poderiam impedi-los de fazer o que desejam", explica MacMillan.
Maiolo acredita que o conflito permanecerá regional, atraindo os países do Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui a Arábia Saudita. Mas ele não vê a China e a Rússia sendo levadas para a guerra.
Para ele, "esta ideia de que algo acontece no mundo e a China irá se lançar contra Taiwan, simplesmente... não faz nenhum sentido".
"Mas, se estivermos falando em Guerra Mundial, sabe, a Terceira Guerra Mundial, não acho que haja alguma inclinação para que a China e a Rússia se envolvam diretamente e, muito menos, é claro, a Europa."
Ele acredita que a China tem outros planos para sua diplomacia com o presidente americano Donald Trump.
"Quando seu rival está cometendo um enorme erro estratégico, você simplesmente deixa que ele vá e continue o que está fazendo", explica o professor.
Seria do interesse da China não desempenhar um papel diplomático, mesmo sofrendo as consequências da flutuação dos preços do petróleo?
Para Maiolo, este é um preço pequeno a pagar.
"Na hierarquia dos interesses estratégicos como um todo, é muito mais interessante para a China ter os Estados Unidos preocupados com o Oriente Médio do que suas fontes de petróleo."

O papel dos líderes

Imagem BBC Brasil
Moscou ampliou sua parceria com o Irã, mas sem incluir apoio militar da Rússia a Teerã Crédito: AFP via Getty Images
Segundo MacMillan, a história tem demonstrado que a guerra, muitas vezes, é deflagrada por orgulho, senso de honra ou por medo dos oponentes.
Ela indica que a história também mostra que os líderes individuais podem estabelecer o curso dos eventos.
"O então primeiro-ministro francês, Georges Clémenceau [1841-1929], na Primeira Guerra Mundial, declarou que fazer a paz é mais difícil que fazer a guerra", relembra a professora.
Para ela, muitas vezes existe o argumento de que, se houver grandes perdas ou sacrifícios das pessoas, os líderes decidem que precisam "continuar para ganhar a guerra".
MacMillan afirma que o orgulho pode ser importante para os líderes e indica Putin como exemplo. "Ele claramente cometeu um erro real ao tentar invadir a Ucrânia."
Pouco depois do início da invasão, quatro anos atrás, Putin declarou que seu objetivo era "desmilitarizar e desnazificar" a Ucrânia, mas a Rússia diz que seus objetivos militares ainda não foram atingidos, destaca a professora.
O ministro da Defesa do Reino Unido calcula que a Rússia tenha sofrido um total de 1,25 milhão de mortes. Acredita-se que este número seja subestimado e, mesmo assim, é muito maior do que todas as mortes americanas ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial [1939-1945], segundo o ministro britânico das Forças Armadas.
MacMillan destaca que os líderes que se recusam a recuar ou admitir o fracasso podem prolongar e aprofundar os conflitos.
Ela acrescenta que, no passado, figuras como Adolf Hitler (1889-1945) continuaram lutando, mesmo quando a derrota era inevitável, levados pela ideologia, orgulho ou ilusão. E estas decisões podem transformar conflitos limitados em guerras devastadoras.

Caminhos para a contenção

Imagem BBC Brasil
A guerra dos EUA e Israel contra o Irã começou há mais de um mês Crédito: AFP via Getty Images
Para atingir a contenção, a diplomacia é muito importante, destaca MacMillan.
"Você precisa conhecer o outro lado... e precisa ficar em contato com eles."
Ela explica que as comunicações melhoraram de todos os lados nos últimos tempos da Guerra Fria (1947-1991) e com o envolvimento da Otan.
"Existem muitos exemplos em que as pessoas disseram 'espere um minuto, isso está ficando uma maluquice'", prossegue a professora. "Eles compreenderam que estava ficando volátil demais e que eles precisavam reduzir a temperatura."
A existência de armas nucleares é sempre uma consideração nas políticas de desescalada, quando grandes potências estão envolvidas.
Maiolo concorda. Para ele, "é preciso haver um reconhecimento... em Tel Aviv, Washington e Teerã... que eles atingiram os limites do que pode ser alcançado".
O professor explica que a continuação da guerra não irá "produzir um resultado desejado" para todos os lados.
"Haverá necessidade de algum tipo de acordo sobre o levantamento de sanções, algum tipo de acordo de segurança, alguma espécie de entendimento sobre o lugar do Irã na política global", segundo ele.
Maiolo afirma que, somente pela mediação, as potências envolvidas podem chegar a um cessar-fogo e, depois, transformá-lo em um acordo mais duradouro.
Edição de Alexandra Fouché.
Ouça aqui o episódio do programa de rádio The Global Story, do Serviço Mundial da BBC (em inglês), que deu origem a esta reportagem.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Evair de Melo muda para partido de Pazolini e vai disputar reeleição
Imagem de destaque
Criminosos roubam carga de café avaliada em R$ 500 mil em Colatina
Imagem de destaque
FES divulga tabela da Série B do Campeonato Capixaba 2026

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados