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'Epstein abusou de mim enquanto estava em prisão domiciliar'

Roza foi uma das vítimas que depuseram diante de parlamentares democratas na terça-feira (12/5)

Publicado em 13 de Maio de 2026 às 17:34

BBC News Brasil

Publicado em 

13 mai 2026 às 17:34
Imagem BBC Brasil
Roza (à direita) foi apresentada a Epstein por Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos francês Crédito: Getty Images
Uma mulher afirmou ter sido violentada por Jeffrey Epstein (1953-2019) enquanto ele cumpria prisão domiciliar após ser condenado por aliciar uma menor de idade para prostituição.
Roza, recrutada ainda jovem no Uzbequistão pelo associado de Epstein e ex-agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, falou publicamente pela primeira vez ao lado de outras vítimas em uma audiência organizada por democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos em West Palm Beach, na Flórida.
Ela afirmou na audiência ter sido apresentada a Epstein por Brunel em julho de 2009, depois de receber uma oferta de trabalho de Epstein "para me ajudar com as minhas dificuldades financeiras". Roza disse ainda que foi estuprada repetidamente por ele ao longo de três anos.
O congressista democrata Robert Garcia afirmou que a audiência não oficial foi realizada em West Palm Beach porque foi ali que os "crimes" de Epstein "vieram à tona pela primeira vez".
Segundo Garcia, a sessão também ocorreu perto da residência do presidente americano, Donald Trump, em Mar-a-Lago.
A audiência foi organizada por democratas do Comitê de Supervisão da Câmara e por parlamentares democratas locais.
O comitê, de maioria republicana, investiga atualmente os crimes de Epstein. Integrantes democratas do grupo têm concentrado esforços em questionar a condução do governo Trump em relação aos arquivos do caso.
A audiência não tem poder legal, mas foi organizada para manter o caso Epstein em evidência.
Os congressistas democratas ouviram relatos sobre como Epstein e seus cúmplices escaparam da responsabilização por anos e sobre como as vítimas foram repetidamente abandonadas pelo sistema de Justiça.
Roza, identificada na audiência apenas pelo primeiro nome, afirmou que tinha 18 anos quando conheceu Brunel, em 2008, que "a prometeu uma carreira de modelo além dos meus sonhos".
"Por vir de uma situação financeira instável, eu era um alvo perfeito para a coerção", acrescentou Roza, em seu depoimento emocionado.
Roza afirmou que estava em Nova York com um visto em maio de 2009 e que, dois meses depois, conheceu Epstein na casa dele em West Palm Beach, enquanto ele cumpria prisão domiciliar.
Segundo Roza, Epstein então lhe ofereceu um cargo em sua Fundação de Ciência da Flórida. Pelo acordo firmado após sua condenação em 2008, ele tinha permissão para deixar a custódia por até 16 horas por dia, seis dias por semana, a fim de trabalhar na instituição.
"Um dia, a massagista dele me chamou para o quarto, onde Jeffrey [Epstein] me molestou pela primeira vez", afirmou Roza na audiência. "Nos três anos seguintes, fui vítima de estupros contínuos."
Epstein morreu em uma cela em Nova York em 10 de agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.
Ele, que atuava também como financista, havia sido condenado em 2008 por aliciar uma menor de idade para prostituição e, desde então, era registrado como agressor sexual.
Um relatório publicado na terça-feira (12/5) por integrantes democratas do comitê de supervisão concluiu que um controverso acordo judicial negociado pelo advogado de Epstein em 2008 permitiu que ele "continuasse suas atividades de abuso e tráfico sexual por quase mais uma década".
Roza afirmou que os abusos cometidos por Epstein durante o período em que ele cumpria prisão domiciliar "faziam a Justiça parecer impossível", mas que ela "acabou encontrando coragem para pedir ajuda".
No entanto, Roza afirmou ter revivido o trauma depois que seu nome foi publicado acidentalmente nos arquivos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, "enquanto os ricos e poderosos permaneceram protegidos por tarjas".
"Agora, repórteres do mundo inteiro entram em contato comigo. Não consigo viver sem olhar por cima do ombro. Só consigo imaginar o impacto de longo prazo que esse 'erro' terá na minha vida."
O Departamento de Justiça dos EUA já afirmou anteriormente que "leva a proteção das vítimas muito a sério" e informou ter retirado de seu site diversos arquivos relacionados a Epstein depois que as vítimas disseram que suas identidades haviam sido expostas por falhas nas tarjas aplicadas ao material. Segundo o departamento, os erros ocorreram por "falha técnica ou humana".
Maria Farmer, outra sobrevivente de Epstein, também prestou depoimento aos parlamentares em uma mensagem gravada. Ela afirmou ter denunciado os abusos do financista pela primeira vez em 1996 e acusou agências de segurança pública de deixarem de agir repetidamente.
"O governo precisa começar a dizer a verdade", afirmou.

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