ASSINE

Em dia de novo governo, Netanyahu se recusa apertar a mão do sucessor

Um dia depois de perder o cargo de primeiro-ministro após 12 anos no comando de Israel, Binyamin Netanyahu mostrou que não deve facilitar a vida do novo governo

Publicado em 14/06/2021 às 18h58
Premiê de Israel Benjamin Netanyahu
Após encontro com aliados, Binyamin Netanyahu discursou nesta segunda (14) no Parlamento Israelense, em Jerusalém. Crédito: Noam Revkin Fenton/Flash90

Um dia depois de perder o cargo de primeiro-ministro após 12 anos no comando de Israel, Binyamin Netanyahu mostrou que não deve facilitar a vida do novo governo ao se recusar a participar de uma cerimônia que marcaria a transferência de poder nesta segunda-feira (14).

O veterano político também não aceitou cumprimentar e nem mesmo tirar foto com seu sucessor no cargo, o ultradireitista Naftali Bennett -que lidera uma ampla coalizão formada por oito partidos, incluindo uma sigla árabe e duas agremiações à esquerda.

Logo após ser eleito pelo Parlamento como novo premiê na noite de domingo (13), Bennett tomou posse oficialmente no cargo. De acordo com a tradição, porém, uma cerimônia pública deveria acontecer nesta segunda para marcar a passagem de bastão, com Netanyahu simbolicamente entregando o cargo ao sucessor.

Como o veterano político não quis participar, o novo governo se encontrou apenas com o presidente Reuven Rivlin. Segundo a imprensa local, Netanyahu e Bennett se reuniram a portas fechadas por apenas 30 minutos para acertar os detalhes da transição, e eles não devem ter nenhum outro tipo de encontro para tratar do assunto.

Além do próprio Netanyahu, parte de seus antigos ministros também se recusaram a participar das cerimônias de posse de cada uma das pastas que estavam marcadas para esta segunda.

Em outro sinal das tensões no país, o agora ex-premiê -que passa a chefiar a oposição- se encontrou com os líderes dos partidos que ainda o apoiam nesta segunda e pediu apoio para "resgatar o Estado e o povo de Israel" o mais rapidamente possível.

"[O novo governo] pode ser derrubado se nós trabalharmos juntos e tivermos uma disciplina ferrenha. Se brigarmos, não vamos conseguir", afirmou Netanyahu após a reunião, que aconteceu depois de sua rápida conversa com o sucessor.

O ex-premiê afirmou ainda que a nova coalizão é baseada apenas em "fraudes, ódio e na busca pelo poder" e que ela é muito heterogênea para dar estabilidade ao país.

Israel vivia há mais de dois anos uma crise política, período no qual foram realizadas quatro eleições. Todos os pleitos, porém, terminaram com resultados inconclusivos, sem que nenhum partido ou bloco tivesse maioria no Parlamento -o que permitiu a Netanyahu seguir por todo esse tempo de maneira interina no cargo. Com isso, ele se tornou o mais longevo premiê da história de Israel.

Grande parte da população, e dos próprios deputados, culpavam o próprio Bibi -como o então primeiro-ministro é conhecido- pela situação, já que sua figura polarizadora acabava por dificultar as negociações para a formação de um novo governo.

A solução encontrada, assim, foi unir em um mesmo bloco todos os partidos que se opõem a Netanyahu e, assim, conquistar a maioria no Parlamento, que tem 120 cadeiras. Foi isso que ocorreu no domingo, quando a Casa aprovou o novo governo com 60 votos a favor e 59 contrários.

Pelo arranjo, Bennet, que lidera a sigla de direita radical Yamina, deve ser o primeiro-ministro pelos próximos dois anos. Depois desse período, quem assume o cargo é o agora ministro das Relações Exteriores Yair Lapid, que chefia a centrista Yesh Atid, maior sigla da coalizão.

Assim, o maior desafio do novo governo é conseguir manter o novo bloco funcionando apesar das desavenças políticas internas. Bennet, por exemplo, já foi assessor de Netanyahu e ideologicamente é muito mais próximo dele do que de alguns de seus novos parceiros, como o partido de esquerda Meretz e a sigla árabe conservadora Ra'am -a primeira agremiação palestina a fazer oficialmente parte de um governo na história de Israel.

O primeiro grande desafio do premiê, aliás, deve ocorrer já nesta terça (15), quando está marcada uma marcha organizada por grupos de direita nacionalista em Jerusalém Oriental. O ato foi inicialmente autorizado pelo governo de Netanyahu e nesta segunda recebeu o consentimento do novo ministro de Segurança Pública, o trabalhista Omer Barlev.

O temor é que o evento leve a um novo aumento de animosidade entre judeus e palestinos, já que a passeata deve passar por Jerusalém Oriental, inclusive chegando nas proximidades da Esplanada das Mesquitas -os organizadores pediram para que a manifestação possa entrar no local, mas a polícia ainda não disse se vai permitir que isso aconteça.

O acesso que os muçulmanos têm ao local foi o estopim do conflito que eclodiu no mês passado entre palestinos e o Exército israelense, que durou 11 dias e terminou em um cessar-fogo precário.

Os palestinos reivindicam a região de Jerusalém Oriental, onde está a Esplanada das Mesquitas, como capital de seu futuro Estado, enquanto Israel considera que a cidade é indivisível e deve permanecer sob seu controle.

"Isso é uma provocação à nossa população e uma agressão contra nossa Jerusalém e nossos locais sagrados", afirmou o premiê da Autoridade Palestina, Mohammad Shtayyeh, nesta segunda. O grupo radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza e liderou o conflito recente contra Israel, afirmou que vai adotar represálias caso o evento ocorra conforme planejado.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.