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Debate na Band no segundo turno: o que esperar do primeiro confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro

Este será o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, já não houve debate entre os candidatos à frente na pesquisa no primeiro turno.

Publicado em 16 de Outubro de 2026 às 18:35

BBC News Brasil

Publicado em 

16 out 2026 às 18:35
Imagem BBC Brasil
Nem Lula nem Flávio Bolsonaro foram aos debates do primeiro turno Crédito: Reprodução/Band

O primeiro debate entre os candidatos à Presidência acontece neste domingo (18/10), o primeiro previsto para o segundo turno da eleição presidencial.

Promovido pela Band, o encontro marcará o início dos encontros em segundo turno entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O petista está dois pontos atrás de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. O candidato do PL aparece com 47% e Lula, 45%.

A BBC News Brasil fará a cobertura do debate em tempo real no site e nas redes sociais. A cobertura também acompanhará e contextualizará as principais informações e dados apresentados pelos candidatos. Após o encontro, serão produzidas análises em texto e vídeo, com destaque para os principais momentos e temas do debate.

Flávio Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (14/10), em vídeo publicado nas redes sociais, que irá ao debate. Na véspera, ele havia dito que não compareceria.

"Lula, como você é previsível, né? Bastou falar que não ia no debate da Band pra você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse", diz Flávio no vídeo.

"Eu vou tá lá pra esfregar a verdade na sua cara, o que eu já queria ter feito desde o primeiro turno e você fugiu", afirmou o candidato do PL. "Te espero no debate da Band, Lula."

Na terça-feira (13/10), após um evento em São Paulo em que diretórios estaduais do MDB anunciaram apoio à sua candidatura, Flávio havia dito a jornalistas que não iria ao debate e que a participação no encontro da Globo ainda estava em análise.

"Não vou, não está previsto ir nesse debate no domingo. Estamos analisando, e quem vai dar a palavra final vai ser a minha equipe técnica, de ir no último debate [da Globo]", afirmou na ocasião.

Horas depois, Lula confirmou presença na Band em vídeo enviado à emissora.

"Quero falar a todos os telespectadores e ouvintes do sistema Bandeirantes que domingo estarei no debate. Espero que meu adversário compareça para que a gente possa fazer com que o povo tenha conhecimento da diferença de programa, da diferença de candidatura. Estarei lá", disse o presidente.

Qual horário do debate e onde assistir

Inicialmente, a Band havia marcado o debate para o dia 11, mas a emissora decidiu adiar o evento para o domingo seguinte, após um conflito de agendas com a Record, que havia anunciado o confronto no mesmo dia.

No fim, a Record cancelou o encontro.

O debate na Band será no dia 18 de outubro, às 20h. A definição ocorreu após reuniões com representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, segundo a emissora.

A transmissão será realizada ao vivo na Band TV, BandNews TV, nas rádios BandNews FM e Bandeirantes, no canal do YouTube de Band Jornalismo, no Band.com.br e no Bandplay.

A cobertura também trará análises em tempo real diretamente da sala digital, em parceria com o Google.

A BBC fará a cobertura ao vivo, acompanhando os principais momentos e verificando as principais informações apresentadas pelos candidatos.

Lula e Flávio vão ao debate?

Imagem BBC Brasil
Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Até o momento, Lula e Flávio estão confirmados no debate.

No início de outubro, no mesmo horário em que seria realizado o debate da Globo, Lula criticou o formato dos encontros do primeiro turno, em participação no Flow Podcast, e afirmou que preferia participar de um confronto direto na etapa final da eleição.

"Eu acho que esses debates estão infrutíferos, não produzem nada e não dão sequência. E aí o pessoal fica fazendo gracinha. (...) E quando você está num debate para a Presidência da República, é uma coisa mais séria."

Um dia após o resultado do primeiro turno, Lula defendeu a importância dos debates.

"Agora sim, agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um, é cada um poder explicar qual é a sua proposta", disse em reunião de campanha, que foi transmitida no YouTube.

O que acontece se um deles não for?

Em nota à imprensa, a Band informou que, caso um dos candidatos não comparecesse, o púlpito ficaria vazio.

Às vésperas do primeiro turno, a TV Globo cancelou o debate entre candidatos à Presidência após decisões judiciais que mexeram com a configuração do encontro.

Uma das decisões, da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a emissora de exibir de forma destacada a cadeira vazia de Lula durante o debate — algo que estava previsto em regulamento da emissora para o encontro e acordado com representantes das campanhas, incluindo a do PT.

Ao comunicar o cancelamento do debate, a Globo informou que "as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais".

Já no primeiro debate presidencial, da TV Bandeirantes, os púlpitos de Lula e de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, que também não compareceram à transmissão no mês passado, também estiveram vazios.

Em 2006, quando Lula tentava a reeleição pela primeira vez e também optou por não participar do debate da Globo no 1º turno, a cadeira destinada ao petista ficou vazia no palco durante todo o programa e foi mostrada mais de uma vez aos telespectadores, principalmente nos encerramentos de cada bloco.

Como será o debate

As regras e formato do debate ainda não foram divulgados, mas haverá mudanças em relação ao encontro do primeiro turno neste primeiro confronto entre Flávio e Lula.

Segundo o diretor nacional de jornalismo da Band, Rodolfo Schneider, as regras do debate ainda serão discutidas com as duas campanhas e, depois de assinadas, enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em entrevista à BandNews TV nesta quarta-feira (14/10), ele afirmou que já foi acordado o formato tradicional da emissora, em que os candidatos têm tempo livre para administrar e podem se confrontar diretamente.

Por que o debate é importante

Este será o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, já não houve debate entre os candidatos à frente na pesquisa no primeiro turno.

O debate tem relevância porque vai colocar frente a frente dois projetos de país e duas visões de Brasil, diz o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Isso em uma disputa bastante acirrada.

O candidato do PL liderou os votos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos.

"O que significa que, num confronto direto de ideias, projetos e visões de mundo, um ou outro candidato pode se sair melhor ou pior, e isso pode mobilizar votos provavelmente de indecisos ou até mesmo daqueles que deixaram de votar", afirma Prando.

"E provavelmente isso no debate vai ser explorado, tanto os pontos positivos de cada um deles quanto tentar fragilizar o outro candidato naquilo que se entende serem os pontos negativos."

Quais os principais temas em jogo

A redução da maioridade penal deve ser um tema deste primeiro debate do segundo turno. Lula declarou nesta quinta-feira (15/10), em entrevista à TV Globo, ser favorável à redução da maioridade penal para crimes hediondos e defendeu uma reforma no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira declaração do petista na campanha apoiando a medida.

Lula também deve explorar a questão do fim da escala 6x1, aprovada nesta semana no Senado.

Flávio votou a favor da PEC apresentada por parlamentares da esquerda e uma das maiores bandeiras da campanha de reeleição do petista. Mas, até a semana da votação, dizia que a proposta era "oportunista" e defende uma "jornada flexível" — na qual, segundo ele, empregador e empregado chegariam a um consenso sobre as condições de trabalho.

A segurança pública deve estar entre os principais temas do debate. Há meses, a violência aparece como a principal preocupação dos eleitores nas pesquisas Genial/Quaest. No último levantamento, realizado em agosto, o tema foi citado por 33% dos entrevistados.

Além disso, a segurança é considerada o calcanhar de Aquiles do atual governo, sendo o setor com pior avaliação na gestão.

Diante desse cenário, adversários do presidente têm criticado sua política de segurança e apresentado propostas de maior rigor no combate ao crime, incluindo o enfrentamento às facções e o endurecimento das penas.

Lula, por sua vez, tem dado destaque à segurança em sua campanha: em seu primeiro discurso, citou a PEC da Segurança — uma de suas apostas na área, mas que ainda não foi aprovada pelo Congresso — e prometeu combate ao crime organizado.

Imagem BBC Brasil
Lula também deve explorar a questão da escala 6x1, aprovada nesta semana no Senado Crédito: REUTERS/Pilar Olivares

"Flávio Bolsonaro, obviamente, vai explorar a questão da segurança pública e da violência, tentando atribuir a esse cenário responsabilidade a Lula. Provavelmente, vai falar também do custo de vida, do sentimento que a população tem em relação à economia", afirma Prando.

Apesar dos bons indicadores econômicos — como a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e a redução da pobreza — existe uma percepção negativa entre os eleitores, sobretudo em relação ao custo de vida.

Na pesquisa Genial/Quaest de junho, 44% das pessoas entrevistadas disseram que a economia piorou nos últimos 12 meses.

Imagem BBC Brasil
A segurança pública, considerada o calcanhar de Aquiles do PT, deve ser explorada por Flávio Crédito: REUTERS/Diego Vara

Prando afirma que Lula deve se concentrar nos fatos que buscou concretizar ainda neste ano a fim de melhorar sua avaliação: a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, a recomposição do Bolsa Família, a disponibilidade das canetas emagrecedoras pelo SUS e a proibição das bets.

Outro assunto que pode aparecer no debate é a relação entre Brasil e Estados Unidos, que se deteriorou nos últimos meses e ganhou novos capítulos com as tarifas impostas por Donald Trump.

Por fim, um tema que deve ser explorado por ambos os candidatos, afirma o professor do Mackenzie, é o escândalo do Banco Master e as relações de autoridades com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

"Isso para tentar desgastar um ou outro em algum momento desse debate."

Como foi o debate da Band no primeiro turno

No confronto mais esvaziado desde 1989, o primeiro debate entre candidatos a presidente na eleição de 2026 contou com três candidatos que, juntos, tinham cerca de 10% das intenções de voto.

Durante uma hora e meia, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) discutiram propostas e dispararam contra os líderes nas pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro, que não estiveram presentes no confronto organizado pela Rede Bandeirantes.

A Rede Record veiculou, no mesmo horário do debate, uma entrevista com Lula que havia sido gravada anteriormente.

Augusto Cury foi considerado o vencedor do debate, já que registrou um aumento em seguidores, menções nas redes e buscas por seu nome após o encontro.

Cury chegou a ocupar o terceiro lugar da disputa e registrar 11% de intenção de voto no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Mas o candidato desidratou e registrou apenas 2,89% dos votos válidos no primeiro turno.

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