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Condenação de Bolsonaro faz do Brasil um exemplo para o mundo, diz Financial Times

"Com a democracia sitiada por populistas autoritários em vários continentes, este é um exemplo importante de como uma grande nação em desenvolvimento consegue manter o Estado de Direito", diz principal jornal econômico do Reino Unido em editorial publicado nesta quarta-feira (17/9)

Publicado em 17 de Setembro de 2025 às 16:33

BBC News Brasil

Publicado em 

17 set 2025 às 16:33
Imagem BBC Brasil
'Condenação de Bolsonaro faz história ao responsabilizar um golpista', afirma o FT em editorial Crédito: Reprodução/FT
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado faz do Brasil um exemplo para o mundo em meio ao avanço de populistas autoritários em diversos países, afirma o jornal britânico Financial Times (FT), em editorial publicado nesta quarta-feira (17/9).
"O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil fez história ao condenar, na semana passada, o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete outros réus, a maioria ex-oficiais militares de alto escalão, por planejarem um golpe", afirma o FT, em seu editorial, texto que representa a opinião do jornal sobre um tema.
O principal periódico econômico do Reino Unido lembra que, na tumultuada história política do Brasil, nenhum golpista jamais havia sido responsabilizado por tentar derrubar um governo e afirma que o bem sucedido julgamento "fortalece os alicerces da democracia brasileira".
"Com a democracia sitiada por populistas autoritários em vários continentes, o caso é um exemplo importante de como uma grande nação em desenvolvimento consegue manter o Estado de Direito diante da forte pressão de um líder eleito empenhado em subvertê-lo", afirma o FT.
Na opinião do jornal, o julgamento de Bolsonaro não foi perfeito e teria maior legitimidade se tivesse sido realizado no plenário do STF, composto por 11 membros, ao invés de na 1ª Turma da Corte, composta por cinco juízes.
O FT lembra que, entre os membros da 1ª Turma, estão Cristiano Zanin, ex-advogado pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Flávio Dino, seu ex-ministro da Justiça; e Alexandre de Moraes, uma possível vítima do complô, por ser um dos alvos da operação "Punhal Verde e Amarelo", que planejou a assassinato de autoridades.
Imagem BBC Brasil
Na opinião do Financial Times, o julgamento de Bolsonaro teria maior legitimidade se tivesse sido realizado no plenário do STF, e não na 1ª Turma Crédito: Rosinei Coutinho e Nelson Jr./STF
O jornal também estacou as queixas da defesa, de que a rapidez do processo teria impedido a análise do volumoso conjunto de provas, além do voto dissidente do ministro Luiz Fux, que rejeitou as acusações e defendeu que o caso deveria ter sido julgado por uma instância inferior.
"No entanto, na acusação central de conspiração criminosa, uma maioria de 4 a 1 considerou as provas convincentes", destacou o jornal, observando que depoimentos dos comandantes do Exército e da Aeronáutica mostraram o quão perto o ex-presidente chegou "de seu objetivo de subverter a vontade popular".
No editorial, o FT também faz um paralelo entre Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump, lembrando que ambos questionaram suas derrotas eleitorais e foram acusados de encorajar uma insurreição para reverter o resultado das urnas. Mas que, diferente de Trump, Bolsonaro foi punido por isso.
O jornal observa que, condenado a 27 anos de prisão e com a saúde debilitada, Bolsonaro poderá morrer preso.
"No entanto, no volátil mundo político do Brasil, onde quase tudo está em negociação, o caso não está encerrado", diz o jornal, que destaca a tentativa do Congresso de aprovar um projeto de anistia e a promessa de candidatos conservadores de conceder indulto a Bolsonaro, se eleitos em 2026.
"Se um conservador vencer a eleição do ano que vem, Bolsonaro poderá receber o perdão. Um futuro presidente de direita pode lotar a Suprema Corte com aliados ou conquistar cadeiras suficientes no Senado para o impeachment de juízes", diz o FT, lembrando ainda das tarifas de 50% impostas pelos EUA ao Brasil, devido ao que o presidente americano chamou de "caça às bruxas" contra seu aliado.
"É um triste reflexo dos tempos que o governo Trump agora está impondo sanções ao Brasil por impedir com sucesso um golpe. Pelo bem das democracias em todos os lugares, as condenações de Bolsonaro devem ser mantidas", conclui o jornal.
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