Publicado em 23 de março de 2026 às 21:34
O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), renunciou ao mandato nesta segunda-feira (23/03). >
A renúncia foi anunciada durante um evento realizado no Palácio Guanabara, e acontece um dia antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que poderia levar à perda do cargo e que pode torná-lo inelegível. >
Durante pronunciamento, Castro afirmou que vai se candidatar ao Senado. Ele teria que deixar o governo até o dia 04 de abril, conforme estipulado pela legislação eleitoral.>
Apesar disso, interlocutores ouvidos pelo jornal O Globo afirmaram que a renúncia é uma tentativa de esvaziar o processo no TSE e escapar da cassação do mandato.>
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"Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do Estado. Vou em busca de novos projetos. Como todos sabem, sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata", afirmou Castro.>
Com a renúncia do governador do Rio de Janeiro, será realizada uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Os deputados serão responsáveis por escolher um novo governador para cumprir o restante do mandato até o fim de 2026.>
Até lá, o governador interino será o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro.>
Na ação que corre no TSE, e que será retomada nesta terça-feira (24/03), Castro é acusado de abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022. >
O julgamento já tem 2 votos a favor da condenação de Castro. Ainda faltam votar cinco ministros. >
A acusação se refere a supostas contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). >
No processo, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, disse que Castro obteve vantagem eleitoral no pleito ao contratar servidores temporários sem amparo legal e ao descentralizar recursos para entidades desvinculadas da administração pública.>
Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o Ministério Público teria descoberto saques de dinheiro vivo em caixas eletrônicos, em valores que somam mais de R$ 240 milhões. Castro nega todas as acusações. >
Castro e seu antigo vice, Thiago Pampolha (MDB), foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que pediu a cassação do mandato.>
O ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), também foi denunciado.>
Atualmente, Pampolha é conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Ele foi indicado ao cargo por Castro no ano passado. >
Já Bacellar foi afastado da presidência da Alerj no fim de 2025, após uma investigação da Polícia Federal por suspeita de vazamento de inquérito sigiloso e conexões com uma facção criminosa. Ele chegou a ser preso durante operação.>
No ano passado, Castro foi absolvido da acusação de abuso de poder econômico e político no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por 4 votos a 3. >
Após a decisão, a coligação de Marcelo Freixo (então no PSB, hoje no PT), que concorreu com Castro ao cargo de governador em 2022, recorreu ao TSE. O placar apertado que absolveu Castro permitiu o recurso.>
Na época, Castro disse estar confiante na Justiça porque o TRE-RJ rejeitou a ação por "total inconsistência e falta de provas".>
Em nota, ele afirmou que "todas as ações do governo seguiram dentro da legalidade, sem qualquer relação com a campanha eleitoral" e reiterou "respeito absoluto ao processo legal e à vontade soberana dos quase 5 milhões de eleitores fluminenses que o elegeram". >
O julgamento no TSE teve início em novembro. A relatora do processo, ministra Isabel Gallotti, votou pela perda do cargo de Castro, além da inegibilidade por oito anos. >
Ela também pediu a cassação de Pampolha e Bacellar, além da inelegibilidade de Bacellar. O ministro Antonio Carlos Ferreira seguiu o voto da relatora. >
O julgamento foi interrompido logo depois por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. >
Além dele, faltam votar a presidente do TSE, Cármen Lúcia, e os ministros André Mendonça, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha. >
Reportagem do Valor Econômico mostrou que um pedido de vista era esperado. Os magistrados consideravam que finalizar o julgamento na época poderia dar a impressão de que a Corte estaria atuando politicamente contra Castro, por causa da operação nos complexos da Penha e do Alemão. >
O julgamento teve início dias depois da operação contra o Comando Vermelho, que deixou mais de 120 pessoas mortas no Rio de Janeiro.>
Os membros do TSE também consideraram que a análise é complexa e exige mais tempo da Corte, inclusive por envolver um governador em mandato.>
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