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Cessar-fogo com o Irã é vitória temporária para Trump — mas tem um custo

O caminho até o cessar-fogo de duas semanas com o Irã pode ter alterado profundamente a forma como o restante do mundo vê os Estados Unidos.
BBC News Brasil

Publicado em 

07 abr 2026 às 23:33

Publicado em 07 de Abril de 2026 às 23:33

Imagem BBC Brasil
Crédito: EPA
No fim, o bom senso prevaleceu — pelo menos por enquanto.
Às 19h32 (horário de Brasília), o presidente Donald Trump publicou em sua rede social que os Estados Unidos e o Irã estavam "muito avançados" em um acordo de paz "definitivo" e que havia concordado com um cessar-fogo de duas semanas para permitir o avanço das negociações.
Não foi exatamente no último minuto, mas, com o prazo imposto por Trump — de até às 21h para que um acordo fosse alcançado, sob ameaça de ataques massivos à infraestrutura energética e de transporte do Irã — chegou bem perto disso.
Tudo isso depende de que o Irã também suspenda as hostilidades e reabra completamente o Estreito de Ormuz ao tráfego comercial — algo que o país disse que vai fazer.
Mas esse avanço parecia distante na manhã de terça-feira (7/4), quando Trump ameaçou a morte da civilização iraniana, "para nunca mais ser ressuscitada".
Não está claro se uma ameaça tão extrema de um presidente americano pressionou o Irã a concordar com um cessar-fogo que antes havia rejeitado. O que é evidente é que a declaração surpreendente e inflamatória de Trump — apenas dois dias depois de uma exigência semelhante — não tem precedentes entre líderes modernos dos EUA.
E, mesmo que o cessar-fogo de duas semanas leve a uma paz duradoura, a guerra com o Irã — e as recentes declarações de Trump — podem ter alterado profundamente a forma como o resto do mundo vê os Estados Unidos.
Imagem BBC Brasil
Pessoas em Teerã celebrando o cessar-fogo de duas semanas Crédito: Reuters
Uma nação que antes se apresentava como uma força de estabilidade global agora está abalando os fundamentos da ordem internacional. Um presidente que aparentemente se deleitava em quebrar normas e tradições na política interna, agora faz o mesmo no cenário mundial.
Os democratas foram rápidos em condenar as declarações de Donald Trump na terça-feira, com alguns chegando a pedir sua destituição do cargo.
"Está claro que o presidente continua em declínio e não está apto para liderar," escreveu o congressista Joaquin Castro na rede X.
Chuck Schumer, principal líder democrata no Senado, afirmou que qualquer republicano que não votasse pelo fim da guerra com o Irã "será responsável por todas as consequências disso, seja lá qual forem".
Embora muitos dentro do próprio partido de Trump tenham se mantido ao seu lado, o apoio esteve longe de ser unânime, como costuma acontecer.
O congressista republicano da Geórgia Austin Scott, membro sênior do Comitê de Serviços Armados da Câmara, criticou duramente as ameaças sobre a morte de uma civilização.
"Os comentários do presidente são contraproducentes", disse à BBC. "Não concordo com eles."
O senador de Wisconsin Ron Johnson, geralmente leal a Trump, afirmou que seria um "grande erro" levar adiante a campanha de bombardeios. Já o congressista do Texas Nathaniel Moran escreveu nas redes sociais que não apoia "a destruição de uma 'civilização inteira'".
"Isso não é quem somos", escreveu. "E não é consistente com os princípios que orientam a América."
A senadora do Alasca Lisa Murkowski, que frequentemente discorda do presidente, também foi direta, afirmando que a ameaça "não pode ser justificada como uma tentativa de ganhar vantagem nas negociações com o Irã".
No entanto, a Casa Branca provavelmente argumentará que essa estratégia de pressão funcionou.
Em sua publicação no Truth Social anunciando o cessar-fogo, Trump afirmou que os Estados Unidos "atingiram e superaram" todos os seus objetivos militares.
Imagem BBC Brasil
Pessoas se reúnem em frente à Casa Branca após Trump anunciar um acordo de cessar-fogo temporário Crédito: Reuters
As capacidades militares do Irã foram significativamente enfraquecidas. Embora o regime fundamentalista islâmico ainda esteja no poder, muitos de seus principais líderes foram mortos em bombardeios.
Mas, neste momento, muitos dos objetivos declarados pelos Estados Unidos ainda permanecem incertos. O destino do urânio enriquecido do Irã — base de seu programa nuclear — é desconhecido.
O país também continua exercendo influência sobre grupos armados regionais, como os rebeldes houthis no Iêmen.
E mesmo que o Irã reabra totalmente o Estreito de Ormuz — sem impor o pagamento de pedágios ou outras condições — sua capacidade de controlar esse ponto estratégico geopolítico está mais clara do que nunca.
Em comunicado divulgado após a mensagem de cessar-fogo de Donald Trump, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país suspenderá suas "operações defensivas" e permitirá a passagem segura pelo estreito "em coordenação com as Forças Armadas do Irã".
Ele acrescentou que os EUA aceitaram a "estrutura geral" do plano iraniano de 10 pontos.
Esse plano inclui a retirada das forças militares americanas da região, a suspensão das sanções econômicas, o pagamento de indenizações por danos de guerra e a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. É difícil imaginar que Trump concorde com todas essas condições — um sinal de que as próximas duas semanas de negociações podem ser delicadas.
Por ora, no entanto, trata-se de uma vitória política para Trump. Ele fez uma ameaça dramática e obteve o resultado desejado. Mas o cessar-fogo representa apenas uma pausa, não um acordo definitivo.
O custo de longo prazo das declarações e ações do presidente — e da guerra como um todo — ainda precisa ser totalmente avaliado.

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