A pouco menos de dois meses das eleições, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, virou um dos principais alvos de ataques de seus adversários e um dos principais pontos de preocupação da sua equipe de campanha.
Lulinha é investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal.
A PF quer saber, por exemplo, se Lulinha se associou a uma lobista e usou o fato de ser filho do presidente para ajudar, indevidamente, empresas privadas a obterem contratos públicos.
As investigações vêm sendo mencionadas constantemente pelos principais adversários de Lula à reeleição, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece em segundo lugar nas principais pesquisas de intenção de voto.
"Cadê o Lulinha? Tá onde? Tá na Espanha? Tá morando naquele lugar luxuoso mesmo? Quem tá pagando as contas dele? Cadê o follow the money [siga o dinheiro, na tradução livre]? Cadê o dinheiro? Qual foi a origem? Como é que ele está sendo sustentado lá na Espanha?", disse o senador a jornalistas em um evento na segunda-feira (24/8).
Procurada, a defesa de Lulinha disse à BBC News Brasil que não responderá a "questões de fatos e de mérito feitas com base em relatórios iniciais da polícia" e que "a inocência de Fábio será provada primeiro no lugar adequado, que é o processo".
Os inquéritos envolvendo Lulinha estão correndo no Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que fossem enviados à primeira instância.
O argumento é de que, como não ocupa cargos políticos com foro privilegiado junto ao STF, não haveria motivos para que as investigações tramitassem no Supremo. A Corte, no entanto, ainda não deferiu o pedido.
"Se o Fábio não fosse filho do presidente, nem sequer haveria esse pedido para ser remetido para a primeira instância. Na verdade, ele estaria arquivado", disse o advogado Marcos Aurélio Carvalho, que defende Lulinha, à BBC News Brasil.
Questionado sobre o assunto, Lula tem dito que não vai impedir a PF de investigar Lulinha. "Meu filho sabe que, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado", afirmou em entrevista à Rede Record, no domingo (23/8).
Mas o caso envolvendo Lulinha tem outro personagem também próximo ao presidente Lula: o seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Ele apareceu no radar da PF durante as investigações de suposto tráfico de influência, depois que investigadores identificaram que ele teria tido despesas pagas por uma lobista próxima a Lulinha.
Marcola também tem negado qualquer irregularidade, mas o caso continua a preocupar o Palácio do Planalto.
Em meio ao avanço das investigações, o impacto que essa rede de personagens pode ter sobre o futuro das eleições ainda é incerto. A divulgação de dados das investigações sobre Lulinha mudou parte do ambiente no qual Lula vinha disputando a reeleição. Há alguns meses, ele era visto como franco favorito, ainda que em um cenário apertado. Essa condição era favorecida pela revelação de áudios em que o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, aparecia pedindo R$ 61 milhões para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Datafolha na semana passada, já depois da publicação de uma série de reportagens sobre as investigações contra Lulinha, não mostraram um impacto significativo sobre as intenções de voto de Lula.
Na pesquisa, Lula oscilou numericamente para baixo em um ponto percentual, saindo de 40% das intenções de voto no primeiro turno para 39%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, saiu de 32% para 33%.
No segundo turno, Lula também oscilou numericamente para baixo, saindo de 48% das intenções de voto para 47%, enquanto Flávio se manteve com 43%. A margem de erro das pesquisas é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Uma nova pesquisa, no entanto, deverá avaliar objetivamente o possível impacto do caso envolvendo Lulinha nas eleições. Ela será realizada pelo instituto AtlasIntel e terá ao menos duas perguntas específicas sobre o episódio.
Ela deverá perguntar se o entrevistado está acompanhando as notícias sobre o caso e se ele acredita que o filho do presidente tentou influnciar decisões do governo.
A divulgação dos resultados da pesquisa está prevista para o domingo (31 de agosto).
Mas quem são essas pessoas, como elas se relacionam e o que a PF tenta esclarecer?
Quem é Lulinha?
Fábio Luís Lula da Silva, de 51 anos, é o filho mais velho de Lula, fruto de seu casamento com a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, morta em 2017. Atualmente, Lulinha, como é conhecido, vive com a família, em Madri, na Espanha.
Ele não ocupa cargo no governo e não é integrante formal da administração federal, mas seu nome vem sendo citado por adversários de Lula há quase 20 anos como alguém supostamente envolvido em esquemas de corrupção.
Lulinha entrou, pela primeira vez, no radar das autoridades (e da oposição) em 2005, ainda no primeiro mandato de seu pai.
Durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) dos Correios, instalada após a revelação do caso do mensalão, as relações comerciais de Lulinha começaram a vir à tona.
Naquela época, a oposição pediu que a CPMI investigasse repasses de R$ 5 milhões da Telemar (atual Oi) para a Gamecorp, uma empresa de mídia da qual Lulinha era sócio.
O caso voltou à tona em 2007, quando a PF abriu um inquérito para investigar os repasses da Telemar à Gamecorp.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para averiguar suspeitas de crimes como tráfico de influência e se o investimento da companhia na Gamecorp teria causado prejuízos aos sócios da operadora de telefonia.
O caso envolvendo a Gamecorp voltou a rondar a família Lula da Silva em 2015. Naquele ano, foi a vez da Força-Tarefa da Lava Jato abrir uma nova investigação sobre o assunto.
Em 2019, a PF deflagrou uma operação no âmbito da Lava Jato que tinha Lulinha como alvo.
A operação apurava suspeitas de que a Telemar/Oi teria feito pagamentos de R$ 132 milhões a empresas ligadas aos irmãos Fernando e Kalil Bittar e a Jonas Suassuna. Os três, por sua vez, eram sócios de Lulinha na Gamecorp. Segundo procuradores do Ministério Público Federal (MPF), a Gamecorp teria ficado com um total de R$ 82 milhões.
De acordo com o MPF, as suspeitas eram de que os pagamentos à Gamecorp de Lulinha haviam sido feitos em troca de decisões do governo favoráveis à empresa.
A defesa do filho do presidente negou que os repasses feitos pela Telemar/Oi fossem contrapartidas por decisões do governo.
Em 2022, a investigação contra Lulinha foi arquivada pela Justiça Federal de São Paulo com base na suspeição do então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, o atual senador Sergio Moro (PL-PR).
Como a investigação contra Lulinha se baseava em quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico ordenadas por Moro, a Justiça entendeu que as evidências que embasaram a investigação também estavam anuladas.
Após anos vivendo de forma discreta, o nome de Lulinha voltou aos holofotes entre o final do ano passado e o início de 2026, durante as investigações da CPMI do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que apurou desvios praticados por associações de classe contra aposentados e pensionistas.
O nome de Lulinha apareceu na investigação depois que testemunhas relataram ter ouvido que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", teria feito um pagamento de R$ 25 milhões a Lulinha e que também pagava uma "mesada" de R$ 300 mil ao filho do presidente.
Antunes, que está preso, é um dos principais investigados na operação sobre as fraudes do INSS e, segundo as investigações, teria custeado uma viagem de Lulinha para Portugal, em 2024.
O advogado de Lulinha, Marcos Aurélio de Carvalho, disse à TV Globo em março deste ano que a viagem paga por Antunes teria tido como objetivo apresentar oportunidades de negócios no mercado de cannabis medicinal a Lulinha.
O advogado negou o envolvimento do seu cliente em qualquer irregularidade e que Lulinha tivesse conhecimento sobre os negócios de Antunes com o INSS.
As suspeitas levantadas por membros da CPMI eram de que Lulinha teria sido beneficiado por Antunes com recursos desviados do INSS.
"Está provado que o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas foi utilizado em benefício de Lulinha para a aquisição, por Careca do INSS, de passagens de primeira classe em voos internacionais, bem como hospedagens de luxo em países europeus", disse Gaspar no relatório.
Trocas de mensagens extraídas de telefones celulares apreendidos pela PF apontam que um dos supostos operadores de Antunes teria encaminhado a Roberta Luchsinger um comprovante de depósito no valor de R$ 300 mil e indicado que o dinheiro era para o "filho do rapaz".
Roberta é uma empresária próxima a pessoas vinculadas direta ou indiretamente a partidos de esquerda como o PT e amiga pessoal de Lulinha.
Para a PF, nota Gaspar em seu relatório, a expressão "o filho do rapaz" seria uma referência velada ao filho de Lula.
Em março, o relatório final da CPMI do INSS pediu o indiciamento e a prisão preventiva de Lulinha.
No documento, o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), afirmou que havia indícios de que o filho de Lula teria cometido quatro crimes: tráfico de influência; lavagem ou ocultação de bens; organização criminosa; e participação em corrupção passiva.
O relatório final da comissão pedia o indiciamento de Lulinha, foi rejeitado por 19 votos a 12, após forte atuação da bancada governista para reprovar o texto.
Apesar de não ter sido indiciado pela CPMI, Lulinha continuou a ser alvo de apurações e, em julho e agosto deste ano, o STF autorizou a instauração de três inquéritos sobre suas atividades.
O primeiro apura se Lulinha favoreceu ou tentou favorecer o "Careca do INSS" a obter contratos com o Ministério da Saúde para o fornecimento de produtos à base de cannabis medicinal. Este inquérito está sob a relatoria do ministro André Mendonça.
A segunda investigação apura se Lulinha teria atuado para beneficiar a empresa 3Structure It LTDA para obter contratos junto à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), que é uma estatal federal. A empresa atua na área de tecnologia da informação e detém contratos com o governo federal desde 2022 no valor de R$ 55 milhões.
Em nota à imprensa, a 3Structure negou irregularidades e disse que "sagrou-se vencedora em certames realizados em estrito cumprimento das normas aplicáveis às contratações públicas, passando, inclusive, por auditorias do TCU [Tribunal de Contas da União]". Este inquérito também está sob a relatoria de Mendonça.
O terceiro está sob a relatoria do ministro Flávio Dino e investiga a suposta atuação conjunta de Lulinha, Marcola e Roberta Luchsinger para favorecer empresas interessadas em contratos com o Ministério da Saúde.
Trechos de um relatório da PF obtidos pela revista Veja apontam que Roberta e Lulinha trocaram mensagens sobre um encontro entre Roberta e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa. O objetivo do encontro, segundo a PF, seria viabilizar a venda de produtos à base de cannabis medicinal.
"Pousei. Vou lá no Berge", disse Roberta a Fábio em 6 de março de 2024, em mensagem reproduzida pela revista. Berge é, segundo a PF, uma menção a Swedenberger.
"Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo [beijo] pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou", teria respondido Lulinha.
À BBC News Brasil, o advogado Guilherme Suguimori, que defende Lulinha, criticou o relatório da CPMI do INSS.
"É precário e absurdo. Não passa de uma coletânea de trechos de matérias da imprensa. Os dados bancários de Fábio Luís vazaram ilegalmente, e o Brasil inteiro viu que não havia nenhuma conexão com o INSS", disse.
Suguimori critica ainda a abertura de inquéritos sobre o seu cliente.
"Fábio Luís não foi indiciado no inquérito do INSS, e os novos inquéritos que 'brotaram' dessa investigação (com muitos indicativos de pescaria probatória ilegal, onde as autoridades buscam alguma coisa, qualquer coisa, sobre uma pessoa, ao invés de investigar um fato) afirmaram expressamente que não existe relação com a Operação Sem Desconto e com as fraudes do INSS", completou o advogado.
Suguimori disse ainda que Lulinha, que vive hoje em Madri, poderá voltar ao Brasil se for necessário ao longo do processo.
"Fábio Luís manterá a mesma postura colaborativa que manteve abertamente desde o início: colaborará com investigações, cumprirá determinações legais, e atenderá convocações se por algum motivo as autoridades exigirem sua presença, terão sua completa colaboração", disse.
Quem é Marcola?
O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro foi chefe-de-gabinete de Lula durante os três primeiros anos de seu atual mandato. Trata-se de um dos cargos de maior confiança na estrutura presidencial.
Marcola, como ficou conhecido, aproximou-se de Lula durante o período em que o petista ficou preso na carceragem da PF em Curitiba, após ter sido condenado pela Operação Lava Jato, entre 2018 e 2019.
Na época, Marcola atuava como uma das pessoas que faziam a ponte entre o então ex-presidente e o mundo exterior, levando informações e materiais para Lula.
Com a volta de Lula ao Planalto, Marcola passou a ocupar um dos cargos de maior proximidade com o presidente. Como chefe-de-gabinete, era ele quem ajudava a organizar a agenda do presidente e tinha amplo acesso à rotina do petista no poder.
O cargo colocava Marcola em uma posição privilegiada para receber pedidos de reuniões e organizar o acesso ao presidente.
Ele deixou a função em 21 de julho de 2026, pouco antes de virem à tona as primeiras informações sobre sua ligação com Roberta Luchsinger. Após sua saída, ele começou a trabalhar na campanha de reeleição de Lula, mas após as primeiras notícias sobre seu vínculo com Luchsinger, ele deixou a campanha.
No início de agosto, o portal Metrópoles publicou reportagens apontando que Roberta Luchsinger teria pago R$ 249 mil em despesas de Marcola. Entre essas despesas estariam joias, boletos, faturas de cartão de crédito e parcelas de um financiamento.
Em nota enviada à época, o ex-chefe-de-gabinete de Lula disse que as despesas faziam parte de um empréstimo que teria sido pago e classificou a relação como uma "movimentação de natureza estritamente privada". Na nota, ele também disse estar à disposição para colaborar com a Justiça.
Em outra nota, distribuída pelo PT, Marcola disse: "Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal". Segundo ele, nunca houve relação que caracterize ilegalidade no exercício da função.
Segundo reportagem do Valor Econômico, foi o próprio Marcola que contou a Lula sobre os pagamentos depois de saber que mensagens trocadas com Roberta haviam sido encontradas pela Polícia Federal após a quebra do sigilo do celular da empresária.
Ainda de acordo com relatos obtidos pelo jornal, Lula então chamou dirigentes de sua campanha e pediu que o auxiliar fosse retirado da equipe. Depois que os pagamentos vieram a público, Marcola confirmou que recebeu o dinheiro, mas contestou qualquer relação com atividade ilícita.
A investigação terá de esclarecer se o pagamento feito por Roberta a Marcola teve apenas natureza pessoal, como ele afirma, ou se existe alguma relação com as demais conexões investigadas.
A BBC News Brasil não conseguiu fazer contato com a defesa de Marcola.
Quem é Roberta Luchsinger?
A empresária Roberta Moreira Luchsinger é herdeira de uma família ligada ao antigo banco Credit Suisse e sua ligação com políticos de esquerda teria se intensificado durante o período em que foi casada com o ex-deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB).
Ela passou a ser investigada pela Polícia Federal nos últimos dois anos no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
Roberta também está sendo investigada para apurar suspeitas de que atuou de forma irregular, fazendo lobby de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal.
Segundo levantamento do Estadão com base na Lei de Acesso à Informação, ela esteve 42 vezes em órgãos do governo federal entre o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023, e abril de 2024.
Em 41 dessas ocasiões, as visitas não apareceram nas agendas oficiais das autoridades.
Em algumas dessas visitas, Roberta estava acompanhada de empresários ou de pessoas próximas a Lulinh, de quem é amiga pessoal.
Em dezembro de 2025, foi alvo de uma operação de busca e apreensão.
Um dos pontos que levaram Roberta ao radar da PF foi sua relação financeira com o "Careca do INSS".
Segundo os investigadores, empresas ligadas a Antunes fizeram cinco pagamentos de R$ 300 mil para uma empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
A atuação de Roberta junto ao governo também é um dos elementos que ajudam a explicar o interesse da PF em suas relações com Lulinha.
Uma das linhas investigadas pela PF é verificar se Lulinha teria atuado para facilitar a autorização, pelo governo, da comercialização de cannabis medicinal.
Segundo representação da polícia citada pelo Estadão, essa atuação teria envolvido acesso ao gabinete presidencial.
Em depoimento à PF em maio, segundo informações divulgadas pelo UOL, ela afirmou que prestou serviços para Antunes relacionados à regulação do mercado de canabidiol e que foi remunerada por esse trabalho.
Disse ainda que, quando conheceu o lobista, não sabia das suspeitas que posteriormente surgiriam contra ele.
A empresária também teria afirmado à PF que apresentou Lulinha a Antunes em um contexto social.
Ela negou, porém, ter intermediado negócios entre os dois ou ter usado sua relação com o filho do presidente para favorecer os interesses do lobista.
Procurado, o advogado de Luchsinger, Roberto Podval, disse à BBC News Brasil que não responderia a "vazamentos pontuais e criminosos". Nos últimos meses, sua defesa vem argumentando que a empresária estaria sendo alvo de uma perseguição.
Além das movimentações financeiras, a PF ainda investiga o conteúdo das comunicações de Roberta e Antunes.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, foram encontradas mensagens em que ela teria orientado o lobista a descartar telefones depois de uma operação de busca e apreensão.
E qual é a história da cannabis medicinal?
A relação entre Lulinha e Antunes passa, segundo a investigação, por um projeto de cannabis medicinal.
Antunes tinha negócios relacionados à área e estava ligado à empresa World Cannabis. A PF investiga se Lulinha teria ajudado o empresário a obter acesso a órgãos do governo para avançar com negócios no setor.
A defesa de Lulinha já reconheceu que Antunes pagou despesas de uma viagem dele a Portugal em 2024.
Segundo os advogados, Lulinha foi convidado por Antunes para conhecer a produção de medicamentos à base de canabidiol. A defesa afirma que ele acompanhou o empresário sem assumir qualquer compromisso comercial.
Os advogados também dizem que Lulinha não participou de negociações, não investiu dinheiro ou trabalho no projeto e não recebeu convite para ser sócio ou comprar participação na empresa.
Roberta Luchsinger apresentou uma versão semelhante em depoimento à PF.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, ela afirmou que foi ela quem apresentou Lulinha a Antunes, mas disse que isso ocorreu em um "contexto social". Também afirmou que Lulinha não prestou serviços relacionados à regulação do mercado de canabidiol e não foi remunerado por isso.
Essa versão é relevante, porque a própria Roberta aparece como uma das pontes entre Lulinha e Antunes.