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Assassinatos de jornalistas dobram em 2020, diz ONG

Segundo Comitê para a Proteção dos Jornalistas, 21 profissionais foram mortos por seu trabalho; não foram registradas mortes no Brasil

Publicado em 22 de Dezembro de 2020 às 18:15

Redação de A Gazeta

Publicado em 

22 dez 2020 às 18:15
jornalismo
México e Afeganistão foram os países com mais casos de jornalistas assassinados como resposta ao seu trabalho, com quatro repórteres mortos cada um. Crédito: Terje Sollie /Pexels
O número de jornalistas mortos como retaliação por seu trabalho dobrou em 2020 em relação ao ano anterior, aponta um relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado nesta terça-feira (22).
Desde o início do ano, 21 jornalistas foram assassinados por sua atuação profissional; nenhum deles no Brasil. Em 2019, foram 10 assassinatos desse tipo.
Há uma semana, o CPJ havia divulgado que um número recorde de jornalistas foi preso -274 em 2020, enquanto os governos reprimiam a cobertura da pandemia de coronavírus ou tentavam suprimir os relatos de distúrbios civis.
"O fato de que os assassinatos estão aumentando e que o número de jornalistas presos atingiu um recorde este ano é uma demonstração clara de que a liberdade de imprensa está sob ataque sem precedentes em meio a uma pandemia", afirmou o diretor executivo do CPJ, Joel Simon.
Simon fez um apelo para que entidades e governos trabalhem em conjunto para reverter essa tendência. "É espantoso que os assassinatos de jornalistas tenham mais do que dobrado no ano passado e essa escalada representa o insucesso da comunidade internacional em enfrentar o flagelo da impunidade", disse.
México e Afeganistão foram os países com mais casos de jornalistas assassinados como resposta ao seu trabalho, com quatro repórteres mortos cada um. As Filipinas ficaram em segundo lugar, com três casos.
O México é apontado pelo CPJ como o pais ocidental mais perigoso para a imprensa por causa dos inúmeros grupos de tráfico de drogas e da corrupção disseminada. Dois dos jornalistas assassinatos no país em 2020 estavam inscritos no Mecanismo Federal para a Proteção de Defensores dos Direitos Humanos e Jornalistas, informa o comitê.
O levantamento registra também ao menos um caso de assassinato público de um jornalista por um governo -o do repórter Ruhollah Zam, executado pelo Irã no último dia 12 por ter publicado textos críticos ao governo e divulgado locais e horários de protestos contra o regime iraniano.
Além dos jornalistas, ao menos um trabalhador de mídia foi assassinado: o motorista da Rádio e TV da Enikass Mohammad Tahir, morto com a jornalista Malalai Maiwand, no Afeganistão.
Por causa da pandemia e das restrições de viagem impostas pela doença, o número de jornalistas mortos em meio a combates ou fogo cruzado registrou o menor nível desde 2000. Foram três repórteres até 15 de dezembro, todos na Síria, supostamente atingidos por ataques aéreos russos, segundo o CPJ.
Outros seis jornalistas morreram enquanto trabalhavam em missões consideradas perigosas. Duas delas ocorreram no Iraque. No total, 30 profissionais morreram neste ano no exercício da profissão.
O CPJ ainda investiga os assassinatos de outros 15 jornalistas em todo o mundo para identificar se elas foram motivadas por sua atuação profissional.
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