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'As Malvinas são argentinas': faixa após vitória sobre a Inglaterra pode resultar ação disciplinar da Fifa contra a Argentina

A Argentina enfrenta a possibilidade de sofrer sanções disciplinares da FIFA depois que seus jogadores comemoraram a vitória na semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra com uma faixa em apoio às reivindicações do país sobre as Ilhas Malvinas

Publicado em 16 de Julho de 2026 às 07:35

BBC News Brasil

Publicado em 

16 jul 2026 às 07:35
Imagem BBC Brasil
Argentina exibe faixa polêmica após vitória sobre a Inglaterra Crédito: Getty Images
A Argentina pode enfrentar uma ação disciplinar da Fifa depois que seus jogadores comemoraram a vitória sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo exibindo uma faixa em apoio à reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas.
A atual campeã mundial conseguiu uma virada dramática nos minutos finais em Atlanta, marcando dois gols para derrotar a equipe de Thomas Tuchel por 2 a 1 e garantir vaga na final de domingo contra a Espanha.
Após o apito final, os jogadores argentinos comemoraram segurando uma faixa com a frase 'Las Malvinas son Argentinas' ('As Malvinas são argentinas').
As Ilhas Malvinas, ou Falklands, como são chamadas no Reino Unido, são um território britânico ultramarino no sudoeste do Oceano Atlântico, continuam sendo objeto de uma disputa de soberania entre o Reino Unido e a Argentina.
Os dois países travaram uma guerra pelo arquipélago, localizado a cerca de 480 quilômetros da costa leste da Argentina, entre abril e junho de 1982.
O conflito, que durou 74 dias, resultou na morte de 655 militares argentinos e 255 militares britânicos. Três moradores das ilhas também morreram.
Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images
Em 2014, a Fifa multou a Associação do Futebol Argentino em cerca de R$ 136 mil (à cotação atual) depois que seus jogadores exibiram uma faixa com a mesma mensagem antes de um amistoso contra a Eslovênia.
Na ocasião, a entidade máxima do futebol afirmou que o gesto violava suas regras sobre manifestações políticas e má conduta das equipes.
Após a vitória desta quarta-feira, a vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, publicou uma mensagem no X dizendo que "não foi apenas mais uma partida", acompanhada de um vídeo que parecia mostrar soldados argentinos.
"As Malvinas são argentinas", escreveu Villarruel. "Proibiram que elas entrassem no estádio e esqueceram que as carregamos no sangue e no coração."
Na preparação para o jogo, Villarruel havia afirmado que a semifinal era uma oportunidade de "colocar os invasores em seu devido lugar".
O secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, classificou a faixa exibida pela Argentina como "totalmente inadequada" e afirmou esperar que a Fifa realize uma investigação completa sobre o caso.
"Acho que [uma investigação] certamente vai acontecer, porque foi uma violação tão flagrante das regras que proíbem atividades políticas no futebol", disse Kyle ao programa BBC Breakfast.
Os jogadores argentinos também cantaram músicas que faziam referência às Malvinas e aos ídolos argentinos Diego Maradona e Lionel Messi após a dramática vitória por 3 a 2 sobre o Egito nas oitavas de final.
Antes da semifinal, porém, o técnico Lionel Scaloni havia dito que não iria "misturar" futebol e política.
"A realidade é que este é um jogo de futebol. Não posso misturar as coisas, especialmente por respeito ao que aconteceu tantos anos atrás", afirmou Scaloni.
"Foi um período muito triste da nossa história, e não há muito que possamos fazer sobre isso. Essa é a realidade."
"Há guerras acontecendo em outras partes do mundo, e nós criticamos a existência da guerra. É claro que lembramos dessas pessoas. Mas isto é uma partida de futebol; não devemos confundir as duas coisas."
A semifinal, na qual a Inglaterra foi derrotada por gols nos minutos finais de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, foi disputada sob um esquema reforçado de segurança devido às tensões históricas entre os dois países.

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