A mobilidade urbana é o calcanhar de Aquiles das grandes cidades. Questão complexa, envolve desde meras sincronias de semáforos a investimentos pesados em novos modais, sem fórmulas certeiras. A partir de domingo, a Grande Vitória inicia um teste para a melhoria em um de seus principais gargalos, quando o pedágio na Terceira Ponte passará a ser cobrado somente no sentido Vitória.
Anunciada ontem pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (Arsp), a medida, mesmo que pouco vultosa diante da magnitude do problema, é bem-vinda. Desafogar a atual praça de pedágio, do lado de Vitória, é uma desejo antigo de usuários, apontado por especialistas como uma das saídas para minimizar engarrafamentos nas vias de acesso. Não representa a solução de um dos nós górdios do trânsito da Região Metropolitana, mas é passo possível dentro da exígua área de manobra. Há 20 anos, um impasse na Justiça impede a realização de obras.
Que não é o ideal, isso já foi admitido pela própria Arsp. “Esta não é a solução de mobilidade urbana. Mas, diante das dificuldades jurídicas, é o que se pode fazer para minimizar os impactos no trânsito”, disse Julio Castiglioni, diretor-presidente da agência. Com mãos amarradas, recorre-se à criatividade. O que não dá é para não fazer nada.
Engenheiros de trânsito ouvidos por este jornal consideram a iniciativa positiva. A única voz dissonante é a da Prefeitura de Vitória, que sustenta que a mudança não acarretará mais fluidez no tráfego. A postura é curiosa, por partir da mesma administração que, ao receber críticas pela implantação da Linha Verde, afirmou que “as pessoas estão sendo precipitadas”. Durante o período de testes, fez uma série de ajustes – com a criação de nova linha de ônibus circular, mudança no tempo dos semáforos e inclusão da carona solidária – e pediu paciência aos capixabas. “Não é possível tirar nenhuma conclusão em tão pouco tempo”, disseram no primeiro mês. Eles deveriam se ouvir mais.