Em sua cobertura sobre o terror no Morro da Piedade, os veículos da Rede Gazeta esforçaram-se em dar uma visão ampla do problema. Questionamos autoridades, ouvimos relatos de moradores, resgatamos o histórico de violência no bairro e conversamos com especialistas em segurança pública.
No entanto, uma matéria chamou a atenção de alguns leitores pelos motivos errados: “A vida e a morte do braço direito do ‘dono do morro’”, em que os repórteres Eduardo Dias e Laila Magesk contam a trajetória de Walace de Jesus Santana, 26 anos, do passado com familiares assassinados até sua execução na madrugada de sábado (9).
Nas redes, internautas acusaram a reportagem de “exaltar a marginalidade”, de “glamourizar bandidos”. Não é o caso, não se trata de justificar o crime nem de homenagear criminosos. Conhecer a trajetória de Walace ajuda a entender a história da Piedade e o drama da violência urbana em geral.
Entender as causas e as consequências da violência, incluindo questões sociais, cobrar medidas das autoridades, investigar as raízes das nossas tragédias e buscar soluções, além de cobrar ação imediata da polícia, está no DNA do bom jornalismo, aquele realmente comprometido com a democracia e o desenvolvimento social e econômico. Esse é o papel da imprensa.