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Adriano Oliveira

Mesmo sem Lula, lulismo estará nas eleições

O lulismo advém da memória positiva que segmento dos brasileiros tem para com Lula. Esse sentimento influenciará a escolha dos eleitores

Publicado em 23 de Março de 2018 às 14:30

Públicado em 

23 mar 2018 às 14:30

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Lula: 'se eu tiver uma única culpa, vou dizer que eu não mereço ser candidato' Crédito: Ricardo Stuckert | Divulgação
O adiamento dos efeitos do habeas corpus solicitado pela defesa do ex-presidente Lula mantém a expectativa de como será a eleição sem a participação de Lula. Expectativa em vão. Pois, independentemente da decisão do STF, o lulismo estará presente na eleição presidencial. O lulismo é uma manifestação que tem vida própria entre parte dos eleitores, independentemente da participação do maior líder do PT na eleição.
O lulismo advém da memória positiva que segmento dos eleitores brasileiros tem para com Lula. Essa memória positiva surge da existência de eleitores que reconhecem que a era Lula lhes trouxe benefícios, em particular, econômicos. O lulismo é simbólico. Eleitores acreditam que Lula olhou para os pobres. O lulismo também é uma crença. O carisma de Lula reforça o lulismo. Portanto, na eleição vindoura, o lulismo, independente de Lula disputar a eleição, influenciará a escolha dos eleitores.
O quadro eleitoral está definido. Não existirão candidatos novos disponíveis para o eleitor. O financiamento público e a ausência de um competidor “novo” em uma grande agremiação partidária enfraquecem a possibilidade do “novo” estar presente na eleição presidencial. O presidente Temer tem condições hoje de ser candidato à eleição. Mas ele só será competitivo caso o crescimento econômico gere empregos e a intervenção na segurança pública no Rio de Janeiro não perca e lhe transfira popularidade.
Geraldo Alckmin é candidato competitivo. A estrutura partidária do PSDB, o antilulismo nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, a as qualidades pessoais do atual governador de São Paulo, como experiência administrativa, sugerem que Alckmin poderá estar no 2° turno da disputa presidencial. O principal concorrente do candidato do PSDB é Temer e não Bolsonaro. O radicalismo do discurso e a carência de estrutura partidária enfraquecem Bolsonaro. Além disso, o candidato do PSL disputa eleitores que podem ser de Temer e de Alckmin, ou seja, os eleitores antipetistas.
Um fato novo que poderá surgir na vindoura eleição presidencial é a prisão do ex-presidente Lula. Como o eleitor reagirá caso Lula seja preso? A prisão de Lula reforça ou enfraquece o lulismo? Na cabeça dos eleitores, Lula preso será vítima ou merecidamente condenado?
O quadro da vindoura eleição presidencial já está definido. Obviamente que cisnes negros podem aparecer. Caso não, o cenário exposto deverá existir. A dúvida neste instante é qual será a força do lulismo neste cenário apresentado. Isto é: O PT tem chances de vencer a eleição?
Adriano Oliveira*
* O autor é doutor em Ciência Política, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autor de diversos livros sobre eleições

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