Um novo movimento no mercado imobiliário e de investimentos no Espírito Santo está contribuindo para dar fôlego ao setor da construção civil, um dos mais impactados pela crise econômica e que foi responsável pelo fechamento de 22,2 mil postos de trabalho de 2014 até 2017. Com a economia abalada nos últimos quatro anos, as construtoras foram perdendo clientes e receitas e, ano a ano, encontraram obstáculos ao buscarem crédito junto a bancos para construírem seus projetos.
O casamento desses fatores levou o setor a viver um dos seus piores momentos, com queda nos preços, empresas descapitalizadas e um baixo número de lançamentos. Em junho de 2017, dado do último censo imobiliário do Sinduscon-ES, eram 12.500 unidades em produção, quase um terço do registrado em meados de 2012, 35.234, o que mostra o quanto a demanda estava desaquecida.
Mas agora empresas da construção, como Mazzini, Lorenge e WL, ensaiam uma retomada contando não mais com o dinheiro de instituições financeiras tradicionais e sim buscando recursos junto a gestoras de investimentos e corretoras de valores. Essa opção de financiamento, inclusive, já vinha acontecendo no Brasil, mas no Estado começou a ganhar musculatura do ano passado para cá.
O presidente do Sinduscon, Paulo Baraona, confirma a demanda crescente de alternativas financeiras por parte dos empresários, que ficaram cansados de ser reféns da burocracia, dos juros altos e das amarras colocadas por bancos nesse processo de obtenção de crédito. Além disso, o novo mecanismo traz de volta a confiança do comprador, que em meio a tantas incertezas tinha o receio de pagar uma entrada e várias parcelas e ainda assim ficar sem receber o seu imóvel.
A Lorenge, uma das companhias que optou por adotar esse modelo, até agora desenvolveu cinco projetos: três em Vitória, um em Cachoeiro de Itapemirim e um em Linhares. Para o ano que vem projeta três novos empreendimentos a partir da captação de recursos via investidores. “Os bancos deixaram uma lacuna enorme durante a crise, fora a burocracia que acabava gerando uma lentidão muito grande na tomada de decisões”, afirma Erik Lorenzon, diretor da construtora.
E foi justamente percebendo o potencial de recuperação do segmento imobiliário e o vácuo existente nas fontes de recursos para as construtoras que empresas da área financeira começaram a mirar nesse público, a exemplo da Apex Partners, que há quase dois anos identificou esse gargalo e passou a captar investidores para este fim.
O diretor de mercado imobiliário da Apex, Marcelo Starling, conta que a vantagem nesse processo não é só para quem está tendo acesso ao recurso, mas também para o investidor que consegue uma boa rentabilidade e com a segurança de que, diante de qualquer contratempo, ele tem a garantia do imóvel. “Além disso, estamos estimulando um mercado que é um importante motor para o desenvolvimento local e um grande gerador de empregos.”
Erik Lorenzon explica que mais de R$ 100 milhões em investimentos para projetos da construtora foram captados por meio da parceria com a Apex e que o retorno para os investidores tem sido, no mínimo, o dobro de uma aplicação em um CDB padrão de banco.
Aliás, não é só em relação aos recursos que o mercado imobiliário tem se reinventado. A constatação é que houve um amadurecimento das empresas em relação aos seus projetos. Aquela época de lançamentos com imóveis de várias torres e unidades ficou para trás. Muitas construtoras estão apostando na retomada gradual da economia e mirando negócios que tenham um custo menor e possam ser realizados em um tempo mais curto, cerca de um ano e meio, reduzindo assim os fatores de risco, que no Brasil, como todos sabem, são de perder de vista.
EXIGÊNCIA CARA
O Ministério Público Federal recomendou à ANTT a necessidade de serem tomadas uma série de medidas antes das renovações antecipadas das ferrovias. Uma delas é que as empresas regularizem suas dívidas junto à União. Fica a dúvida se, com essa exigência, a Vale pode voltar atrás na oferta que fez ao Estado de investir R$ 1,4 bi a partir dos créditos do ICMS.
NA CONTRAMÃO
Quando a PEC das Domésticas foi regulamentada no final de 2015, a expectativa era de que houvesse um avanço no número de carteiras assinadas. Os dados, entretanto, mostram que a formalidade tem encolhido entre essa categoria. Segundo o IBGE divulgou ontem, aumentou em 3,7% a quantidade de trabalhadoras domésticas informais no país.
A Aneel aprovou ontem o edital A-6 para contratar energia elétrica de novos empreendimentos de geração. Na lista, há 6 projetos do ES, 5 termelétricas a gás e 1 Central Geradora Hidráulica (CGH).
Estudo feito pela Abimaq comparando o custo de um produto fabricado no Brasil com um dos EUA mostrou que por aqui ele é 30% mais alto. O resultado não surpreende, mas é de indignar!