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Beatriz Seixas

Melhora da economia e mais crédito

BNDES prevê ofertar mais empréstimos em 2019

Publicado em 30 de Novembro de 2018 às 22:35

Públicado em 

30 nov 2018 às 22:35
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas
Prédio do BNDES, no Centro do Rio Crédito: Mônica Imbuzeiro
Enquanto o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem dado declarações levantando dúvidas sobre as operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), especialistas da área e quem atua na instituição têm uma visão bem diferente de como as coisas funcionam por lá.
Se para os críticos há o receio de que se repitam financiamentos suspeitos a grandes grupos, como na era PT, e negociações em segredo, o que justificaria abrir a “caixa-preta” do banco – conforme afirmou Bolsonaro em seu Twitter em 8 de novembro –, para os que acompanham os processos que vêm sendo adotados nos últimos anos, as acusações de pouca transparência e de falta de controle são, no mínimo, desproporcionais, uma vez que desde 2015 o BNDES passou a divulgar informações, inclusive on-line, sobre seus empréstimos, tanto os atuais quanto os realizados no passado.
Claro que sempre existe o que melhorar e isso os próprios funcionários não têm problema em dizer. Por exemplo, tornar o banco mais ágil é algo que merece ser trabalhado de acordo com avaliações internas. Se isso irá acontecer ou se o foco de atuação será com um pente-fino em contratos e com a criação de regras mais rígidas, só a partir de 2019, sob o comando do economista Joaquim Levy, será possível saber.
Por enquanto, não se fala em mudanças drásticas, mas em continuidade no trabalho que vem sendo realizado e que, especialmente de 2015 em diante, se tornou uma referência entre bancos públicos por fazer com que dados passassem a ser mais acessíveis à sociedade.
Entre quem faz parte da instituição, a expectativa para o próximo ano é de que a economia melhore e que haja um crescimento na demanda anual por crédito junto ao banco, hoje em R$ 73 bilhões, bem aquém do seu potencial histórico, na casa dos R$ 140 bilhões por ano.
O diretor de Governo e Infraestrutura do BNDES, Marcos Ferrari, esteve em Vitória na última semana e conversou com a coluna sobre essas perspectivas da instituição de aumentar a capacidade de desembolso em 2019. Também falou sobre entraves e sobre a reunião que teve com a equipe de transição do governo estadual, motivo da sua visita ao Estado.
Marcos Ferrari é diretor de governo e infraestrutura do BNDES. Crédito: André Telles/ Divulgação BNDES
Para Ferrari, a disponibilidade de recursos em 2018 esbarrou na falta de projetos, de segurança jurídica e regulatória e de confiança na economia. “Neste ano, os empresários esperaram muito para tomar decisão, aguardando uma definição eleitoral. Para 2019 estou muito otimista que a gente volte a crescer e a ter demanda por projetos. Algumas empresas já estão falando em aumentar a planta e dá para crescer sem pressionar a inflação. A capacidade ociosa está muito grande.”
Nesse leque de expansões, há demandas em segmentos como agronegócio, infraestrutura, indústria, comércio, serviços e energia. Mas em se tratando de porte de investidor são as micro e pequenas empresas que devem puxar a retomada por crédito. O diretor explica que como as grandes companhias estão com uma alta capacidade ociosa, elas conseguem crescer sem precisar de financiamento, mas no caso dos pequenos negócios é preciso dinheiro especialmente para capital de giro.
Outra questão que, no caso da iniciativa pública, pesa na liberação de recursos é a própria situação fiscal de Estados e municípios. Para se ter uma ideia, dos 27 entes, apenas sete podem pegar empréstimos junto ao BNDES, e das 5.570 cidades brasileiras, somente 212 têm capacidade de obter crédito.
O Espírito Santo nesse contexto está bem na fita. Não à toa, a equipe do BNDES esteve no Estado para conversar com os gestores capixabas. O encontro teve o objetivo de traçar um diagnóstico das relações entre as partes e apresentar o que já existe contratado, R$ 3,8 bilhões, o que tem para ser liberado (R$ 1,1 bi) e quanto mais pode ser financiado junto ao banco. “Sem garantia da União, o Estado pode pegar mais R$ 550 milhões. Mas se tiver a garantia, esse limite pode ser maior e quem define é a própria União. Hoje, o Espírito Santo é quem tem as melhores condições para a tomada de crédito.”
Pelo jeito, o BNDES está de braços abertos para novas operações com o Estado. Se as oportunidades forem bem aproveitadas, com bons projetos, investimentos importantes e em áreas estratégicas podem ser tocados. É só importante que o Estado fique atento para não se empolgar e se endividar além da conta.
 
 
Se escondendo do perigo
A insegurança no Estado e no país está tão grande que algumas empresas daqui e do Rio de Janeiro passaram a adotar uma estratégia na tentativa de evitarem o roubo de mercadorias. Lojas que comercializam celulares, eletrodomésticos, eletrônicos e até remédios não estão mais identificando seus caminhões com a logomarca da empresa ou do produto. “Quanto menos chamar a atenção melhor. Ninguém está aguentando tanta violência”, desabafou um empresário.
Rindo à toa
Comerciantes fecharam as contas do mês e muitos estão radiantes com os resultados de novembro. A Black Friday realmente caiu no gosto dos capixabas e dos lojistas. Junto com o Natal, a data já é considerada a melhor para ganhar dinheiro, ou para gastar, dependendo do ponto de vista.
Além das expectativas
No caso da Vitória Harley-Davidson a loja vendeu 25 motos e R$ 100 mil em vestuário e acessórios durante a Black Friday, o dobro do que era esperado pela empresa, o que colocou a unidade capixaba como a que teve o melhor desempenho entre as concessionárias da marca.
Bom negócio
A Cesan vai investir R$ 15 milhões, com recursos do BIRD, em projetos que preveem a reforma de bombas e a troca de motores em sistemas de produção de água. Com isso, a companhia tem a expectativa de economizar R$ 6,5 milhões por ano com energia elétrica. Se realmente a meta for alcançada, o investimento se paga em pouco mais de 2 anos.
NA LATA
Perfil
Getulio Gomes de Azevedo, da Óticas ParisNome: Getulio Gomes de Azevedo
Empresa: Óticas Paris
No mercado: há 39 anos
Negócio: ótica
Atuação: 12 lojas em Vitória e Vila Velha
Funcionários: 110
Jogo rápido com quem faz a economia girar
Economia: Em 2018, ela já não foi tão ruim, e acredito que em 2019 vai melhorar.
Pedra no sapato: A insegurança com o dólar. Como de 85% a 90% dos nossos produtos são importados, a oscilação da moeda repercute muito no nosso mercado e no preço final do produto.
Tenho vontade de fechar as portas quando: Jamais! Nunca pensei nisso.
Solto fogos quando: O mês termina bem, dentro do planejamento.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: Daria mais oportunidades a fabricantes de óculos nacionais para dependermos menos do mercado externo.
Minha empresa precisa evoluir...: Sempre! Evoluir em tecnologia e em treinamento. A evolução não deve parar nunca.
Se começasse um novo negócio seria...: O mesmo, uma ótica.
Futuro: A Deus pertence. E pra mim, o futuro sempre será melhor, vejo com otimismo.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. Foi um autodidata e se transformou em um dos homens mais ricos do Brasil.

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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