Não foi por simples coincidência que na edição desta sexta-feira (26) de A GAZETA a manchete tenha dialogado tão bem com a capa da seção “Há 50 anos”, publicada diariamente no jornal impresso. Ambas antenadíssimas ao uso do dinheiro público. A sincronia certifica o compromisso histórico deste veículo com a fiscalização em cima do que é feito com o dinheiro dos impostos. É nossa missão, caro leitor.
Lá em 1968, A GAZETA denunciou como uma convocação extraordinária da Assembleia, de 20 de fevereiro a 12 de março daquele ano, exigiria o pagamento de 129 milhões de cruzeiros em ajuda de custo aos deputados. “Nos bastidores comenta-se que, sob o aspecto moral, é condenável a medida convocatória e, quanto aos reflexos financeiros nas finanças públicas, ela é terrivelmente danosa”, sublinhou o jornal, então.
Nesta sexta-feira (26), 50 anos depois, esta mesma Gazeta chamava atenção para algo muito semelhante: 13 membros do Ministério Público do Estado receberam retroativos do auxílio-moradia que somaram R$ 405,6 mil. Um benefício legal, mas que ajuda a esvaziar os cofres públicos. A condenação da falta de restrições ao seu uso é feita com veemência e reiteradamente por este jornal, na proteção do bom gasto público.
Meio século se passou, acompanhado de transformações indiscutíveis, mas ainda temos problemas. Por isso, nosso compromisso com a sociedade permanece intacto. A GAZETA completará 90 anos em setembro com a convicção de que tem cumprido esse papel ao longo de sua história. E assim seguirá.