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Vitor Vogas

Marqueteiro e pesquisa também pesaram na decisão de Hartung

Levantamento encomendado por governador apontava disputa acirrada com Casagrande

Publicado em 09 de Julho de 2018 às 21:09

Públicado em 

09 jul 2018 às 21:09
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Jorge Oliveira fez a campanha de Hartung em 2014 e hoje presta consultoria a Ricardo Ferraço Crédito: Arquivo

Um dos principais responsáveis pela vitória eleitoral de Paulo Hartung (MDB) em 2014, o marqueteiro e cineasta Jorge Oliveira teve participação direta na decisão do governador de não concorrer à reeleição. E pode exercer influência em uma possível troca de Hartung pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB) na cabeça da chapa ao governo do Estado.

Conhecido pelos amigos como Arapiraca, Oliveira estava com negociações bem avançadas e amarradas para dirigir a campanha de Ricardo Ferraço ao Senado e de Paulo Hartung ao governo. Ele passou a última semana de junho em Vitória, coordenando uma pesquisa qualitativa para os dois potenciais clientes e testando cenários para as eleições aos dois cargos no Espírito Santo. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Futura.

Durante seis dias, foram realizadas 12 rodadas com grupos de discussão, cada um deles formado por dez moradores da Grande Vitória. Nas discussões, as pessoas apontaram as virtudes de Hartung, como bom gestor e governador que pôs as contas do Estado em dia. Por outro lado, a pesquisa apontou a área de segurança pública como calcanhar de Aquiles de Hartung, particularmente por conta da greve dos policiais militares em fevereiro de 2017, sempre lembrada pelos participantes das rodas de discussão.

Como conclusão, a pesquisa indicou que, se fosse para a disputa, Hartung até poderia vencer, mas teria pela frente uma eleição dura contra Casagrande. Na análise quantitativa, a pesquisa mostrou os dois adversários com índices muito próximos de preferência do eleitorado na Grande Vitória. Mostrou, ainda, que Hartung é hoje o único nome em condições de fazer frente a Casagrande.

No fim de junho, Oliveira e Hartung tiveram uma reunião decisiva, da qual participaram, entre outros, o senador Ricardo Ferraço, a superintendente estadual de Comunicação, Andréia Lopes, e o assessor mais direto de Hartung, Neivaldo Bragato. Representantes da Futura também teriam participado desse encontro. A informação é confirmada por duas fontes da coluna.

Nessa reunião, Hartung foi informado dos resultados preliminares da pesquisa. Expressou então certo desânimo em participar do pleito e chegou a fazer uma sondagem direta a Ferraço sobre a possibilidade de o senador o substituir na cabeça da chapa ao governo.

Ferraço ainda não respondeu a Hartung. Pediu tempo e buscou ampliar a discussão, dizendo que precisa ouvir suas bases. Segundo um interlocutor do senador, seu receio é que ele fique com a imagem de submisso ao governador, caso a troca seja feita de uma hora para a outra. "Ricardo não quer que fique parecendo que ele é um bichinho de estimação", disse o mesmo interlocutor. 

OUTRAS RAZÕES

A pesquisa, no entanto, não foi o único componente que pesou na decisão de Paulo Hartung de não disputar nova eleição. Entre os outros fatores, fontes ligadas ao governo citam, por exemplo, questões de cunho familiar, como o recente nascimento do primeiro neto de Hartung e o fato de a sua família não gostar da ideia de vê-lo por mais quatro anos no Palácio Anchieta.

Há, ainda, o desgaste natural gerado pelo exercício do cargo, para alguém que está prestes a concluir o terceiro mandato de governador, totalizando 12 anos à frente do Executivo estadual.

Segundo colaboradores de Hartung, ele também já vem manifestando há algum tempo forte desânimo em continuar exercendo mandato diante da atual conjuntura política nacional. "Imagine, por exemplo: Paulo Hartung governador do Estado por mais quatro anos, com Bolsonaro, Marina ou Ciro na Presidência da República. Desanima qualquer um", pondera um observador do cenário político estadual.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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