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Vitor Vogas

Marcelo será bombeiro entre Hartung e Casagrande na Assembleia

Decano da Casa de Leis, deputado foi escolhido para ser o líder do governador na reta final, com a missão de fazer a mediação entre o governo que se encerra e o que assume

Publicado em 17 de Outubro de 2018 às 18:21

Públicado em 

17 out 2018 às 18:21
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Deputado Marcelo Santos no plenário da Assembleia Legislativa Crédito: Assembleia
Anunciado nesta quarta-feira (17), o novo líder do governo Paulo Hartung (MDB) na Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (PDT), é o decano da Casa: está lá desde 2003 e acaba de ser reeleito para o quinto mandato consecutivo. Acumula experiência e conhecimento sobre os ritos regimentais e trâmites internos da Assembleia. Acima de tudo, é um "político nato": sabe se relacionar bem com todos, o que inclui colegas de plenário, o governador Paulo Hartung e também o governador eleito, Renato Casagrande (PSB). 
E aí está a chave para se compreender o porquê da escolha de Hartung: Marcelo tem bom trânsito com os dois lados da moeda, num momento em que já estamos assistindo a um princípio de cabo de guerra entre o governo que se encerra e o governo que está prestes a assumir, em janeiro de 2019. O conflito tem se dado em torno de pautas como, por exemplo, o projeto orçamentário deixado por Hartung para Casagrande governar em 2019, ainda não aprovado pelos deputados.
Marcelo deve atuar como um bombeiro, um "mediador do conflito", exatamente a fim de evitar que o conflito se acentue, como vimos na transição passada, de 2014 para 2015. Naquela oportunidade, Hartung (o então governador eleito) e Casagrande (que então encerrava o mandato) travaram uma batalha em plenário, por intermédio dos respectivos aliados. 
Agora, no entanto, os papéis se inverteram. E a disposição não deve ser a mesma. Segundo a assessoria de Marcelo Santos, o governador Paulo Hartung o escolheu exatamente para ajudá-lo a terminar bem o mandato e para que o veterano deputado faça a mediação entre a equipe de transição do atual governo e a de Casagrande. 
Nesse caso, Marcelo operará mais como uma espécie de "líder da transição" em plenário do que propriamente como um líder do atual governo. Tanto é que, nesta quarta-feira, assim que foi anunciado oficialmente, ele falou com Casagrande por telefone, apresentando-se como novo líder e colocando-se à disposição para ajudar na transição.
"O Paulo [Hartung] estava precisando neste momento de alguém de pulso, experiente e que dialogue bem com os dois governadores. Alguém que tem influência sobre alguns deputados para conseguir apaziguar algumas coisas. Marcelo é boa praça, conversa bem com os colegas do PSB, com Majeski, com todos", avalia um deputado sintonizado com o novo líder.
PRIMEIRA MISSÃO
Também nesta quarta-feira, com ajuda do presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), Marcelo pegou todos os 25 projetos de lei e os quatro projetos de lei complementar que tramitam na Assembleia hoje, independentemente de autoria, para entregar cópias à equipe de transição de Casagrande. 
"Houve uma boa recepção por parte do Renato Casagrande ao meu nome. Serei o elo entre a equipe atual e a do governo que entra. O governador Paulo Hartung me deu autonomia para fazer essa ponte e para atuar em plenário. Foi só sob essa condição que eu topei assumir a função de líder. O governador me disse: 'Vai lá e ajuda o Espírito Santo'", afirmou Marcelo Santos.
Na visão de colegas, Marcelo também tem poder de argumentação e de articulação, além de domínio sobre os assuntos internos. É o atual vice-presidente da Casa e, nessa condição, costuma presidir as sessões na ausência de Erick Musso. "Ele conhece o regimento interno de cor", afirma um deputado, sob anonimato. 
Marcelo também tem muito mais experiência e influência sobre o plenário do que o seu antecessor na função de líder do governo, o deputado Jamir Malini (PP). Malini na verdade era o vice-líder, mas estava interinamente na função desde agosto, quando o então líder de Hartung, Rodrigo Coelho, tomou posse como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES).
JOGO DUPLO 
Ao mesmo tempo, Marcelo atuará como um escudo para Hartung e para Casagrande. 
O governador eleito e sua equipe receiam que os deputados votem algum tipo de projeto que possa inviabilizar o início do governo de Casagrande. Já Hartung teme que, como ele está se despedindo, deputados alinhados a Casagrande aproveitem esses últimos meses de mandato para bombardear, do plenário, o seu governo.
Nesta semana, alguns deputados próximos a Casagrande, como Bruno Lamas (PSB) e Theodorico Ferraço (DEM), já subiram à tribuna para despejar críticas a projetos de Hartung. Se necessário for, Marcelo vai agir para blindar o governo de Hartung desses bombardeios.
"Nesta semana, alguns deputados fizeram pronunciamentos só para marcar posição. O governo não pode deixar a coisa degringolar. Malini não lidera, não tem domínio de plenário. É um governo que não teve a reeleição, e alguns observaram que a postura de Majeski, de fazer sempre oposição, deu certo [o deputado foi reeleito como campeão de votos no dia 7 de outubro]. Alguns agora entram nessa de bater no governo só por populismo", observa outro parlamentar de muitos mandatos.
HISTÓRICO
No governo de Casagrande (2011-2014), Marcelo Santos pertenceu à base governista. Na atual gestão de Hartung, o deputado oscilou um pouco. Mas, nos últimos tempos, reaproximou-se do governador. Marcelo cultiva a expectativa de assumir a próxima vaga de conselheiro a ser aberta no TCES.
Ele ficou magoado ao ser preterido em julho por Hartung, que preferiu patrocinar a nomeação de Rodrigo Coelho para a vaga do conselheiro aposentado José Antonio Pimentel. Mas não rompeu a boa relação com o Palácio Anchieta (até porque a próxima vaga, do conselheiro Valci Ferreira, pode ser aberta a qualquer momento). Vai que sobra para ele...

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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