Renato Casagrande já reservou um lugar para o PDT em seu secretariado. Seu sonho de consumo era contar com Sérgio Vidigal na vaga. Mas o deputado federal reeleito e presidente estadual do PDT não tem o menor interesse em se licenciar da Câmara no início da próxima legislatura – o que passa, inclusive, por uma determinação da direção nacional, que não quer sofrer baixas no início da legislatura, momento em que o tamanho da bancada é fator crucial na negociação por espaços nas comissões temáticas.
No vácuo deixado por Vidigal, a definição do representante do PDT no secretariado deflagrou uma guerra de nervos entre pedetistas influentes do Espírito Santo. De um lado, Vidigal e o grupo mais leal ao cacique, os quais preferem que o escolhido seja o atual subsecretário estadual de Direitos Humanos, Alessandro Comper.
Pedetista orgânico e muito ligado a Vidigal, Comper foi chefe de gabinete da Secretaria de Políticas Públicas e Emprego do Ministério do Trabalho (onde também foi secretário interino) e superintendente do Ministério do Trabalho no Espírito Santo de 2013 a 2016. Se depender de Vidigal, será ele o representante do partido no secretariado. Nesse caso, a Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social seria um destino “natural” e mais cobiçado.
Mas outra ala de dirigentes do partido prefere que o deputado estadual Marcelo Santos (PDT), atual líder do governo Paulo Hartung, seja puxado para a equipe de Casagrande, para permitir o retorno do 1º suplente da coligação, Luiz Durão (PDT), à Assembleia Legislativa. Assim Durão ganharia mais visibilidade para concorrer a prefeito de Linhares em 2020.
Outro pedetista cotado para compor o governo é Junior Fialho, no comando do IPAJM. No governo anterior de Casagrande, ele foi diretor administrativo e financeiro do órgão previdenciário.
PRP com Patriota
Com a fusão do PRP com o Patriota, o novo partido terá a 2ª maior bancada da próxima Assembleia, empatada com a do PSDB. Lorenzo Pazolini e Dary Pagung foram eleitos pelo PRP. Rafael Favatto, pelo Patriota.
O voto mais barato
Com a ascensão de Ted Conti (PSB) à Câmara, ele passa a ser, disparadamente, o deputado federal do Espírito Santo que chega à Casa na próxima legislatura com o menor investimento por voto. Com gasto declarado de R$ 78.282,70, ele obteve 42.580 votos. Em média, R$ 1,83 por voto. Depois dele, distante, vem Soraya Manato (PSL), com R$ 4,96 por voto.
O mais caro
A título de comparação, a deputada federal eleita com o voto mais caro foi Lauriete (PR): R$ 44,15 por voto. Ela teve despesas declaradas de R$ 2.295.302,44. Gastou quase 30 vezes mais do que Ted.
Para os marombeiros
Tá mais puxado do que puxar ferro! Você vai tomar um açaí em Angra, esbarra em uma funcionária fantasma. Aí vai fazer um treino com a personal, depara-se com o quê? Provável funcionária fantasma.
Paulo Foletto e a Musa
Como deputado reeleito, Foletto (PSB) manifesta entusiasmo com a formação do governo Bolsonaro. Como futuro secretário estadual de Agricultura, seu discurso destoa do mantido pela próxima ministra de Agricultura, Tereza Cristina (DEM, ex-PSB). Ao ser anunciado, Foletto falou em combater agrotóxicos. Já Tereza ganhou o apelido de “Musa do Veneno” pela intensa atuação em defesa do PL 6299/02, que flexibiliza regras de utilização de agrotóxicos no país.
Debandada do PTB
Seguindo os passos de Aridelmo Teixeira, Haroldo Santos Filho anunciou na segunda-feira (17) sua desfiliação do PTB, do qual era secretário-geral no Estado. E seu destino provável também é o Novo. “Se eu for candidato em 2020, o Novo é um caminho muito convidativo, tanto em termos ideológicos como pelas pessoas que estão nele. O meu caminho natural seria esse, sim. O DNA liberal tem tudo a ver conosco.”
Um pouco tarde demais, Haroldo percebeu o quanto o PTB, mergulhado em escândalos nacionais, é um fardo para quem carrega a legenda. “Sentimos nas ruas e nos debates em torno dos anseios populares que tal sigla representa um fardo pesado demais para ser suportado, em tempos que clamam por ética, transparência e renovação.”
Pela mesma razão de Haroldo, Serjão Magalhães, que acaba de renunciar à presidência estadual do PTB, também cogita sair da sigla. Segundo ele, os dez membros da Executiva Estadual (provisória) pretendem entregar o cargo.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.