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Vitor Vogas

Luciano pecou no trato com a base em Vitória

Segundo um aliado, o prefeito e seu partido, o PPS, não esperam mais reverter a derrota na eleição da Mesa Diretora que comandará a Câmara de Vitória no biênio 2019-2020

Publicado em 29 de Julho de 2018 às 21:33

Públicado em 

29 jul 2018 às 21:33
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Ilustração da coluna Vitor Vogas Crédito: Amarildo
Um aliado muito próximo a Luciano Rezende (PPS) já entrega os pontos: o prefeito e seu partido, o PPS, não esperam mais reverter a derrota na eleição da Mesa Diretora que comandará a Câmara de Vitória no biênio 2019-2020. A votação (ainda sem data definida) só tende a consumar o resultado pré-estabelecido na última sexta-feira. Com superioridade numérica consolidada, a chapa que uniu seis vereadores da base (nenhum deles do PPS) e os dois opositores de Luciano está virtualmente eleita. Juntos, eles são oito dos 15 edis. Ao que tudo indica, a chapa está bem fechada, sem brechas para traições nem deserções.
Pelo que a coluna apurou, o prefeito naturalmente está irritado com o iminente revés. Acima de tudo, com a ação do PSB, ou mais precisamente com a falta de ação por parte dos caciques do partido (leia-se Renato Casagrande). Isso porque dois dos “rebelados”, essenciais para a formação da maioria, são vereadores do partido de Casagrande, embora o PSB seja aliado do PPS nos planos municipal e estadual, participe da gestão de Luciano e tenha até o vice-prefeito, Sérgio de Sá. Sem contar o fato de que Casagrande tem no PPS seu mais antigo e leal aliado para tentar voltar ao Palácio Anchieta.
Para ser ainda mais específico, Luciano e seus emissários responsabilizam o vereador Davi Esmael (PSB), vice-líder do prefeito e agora candidato a 1º vice-presidente da Câmara na composição da “chapa rebelde”. Consideram-no o cabeça do movimento. Nos últimos dias, vários assessores comissionados indicados por Davi na prefeitura foram exonerados.
Assim, do ponto de vista do PPS, o PSB tem grande parcela de culpa nessa minirrebelião. No do próprio PSB, entretanto, as coisas já não são bem assim.
Pode ter havido deslealdade de alguns vereadores? Pode. Mas, por mais que Luciano e emissários queiram culpabilizar esse ou aquele parlamentar, esta parece uma bela oportunidade para um exercício de autocrítica. É preciso urgentemente avaliar onde a prefeitura está errando na relação com a Câmara. Sim, porque claramente esse “grito” de metade da “base” mostra que algo está dando muito errado.
Luciano saiu das urnas em 2016 com uma base formada por 13 dos 15 vereadores. Uma maioria folgada, confortável, muito diferente do quadro asfixiante enfrentado por ele na segunda metade de seu mandato anterior, em 2015 e 2016. Então como é possível ter deixado as coisas chegarem a este ponto?
Desses 13, cinco são considerados aliados incondicionais de Luciano: além de Wanderson Marinho (PSC), os quatro do PPS. Aritmética básica: se ele tem cinco na tropa de choque, bastava-lhe puxar mais três de dez para a chapa do PPS, e o comando da Mesa lhe estaria garantido por mais dois anos. Se um prefeito não consegue compor com pelo menos três de dez vereadores, há um sério problema de articulação aí. Ou problemas.
Um deles, apontam vários vereadores de fora da tropa de choque, é a “boca de crocodilo” do PPS, que quer tudo para si: logo após a eleição de 2016, não houve o menor equilíbrio na divisão dos cargos-chave da Casa. O partido do prefeito fez a limpa: presidente (Vinícius Simões); líder do prefeito (Leonil); presidente da Comissão de Justiça (também Leonil); presidente da Comissão de Finanças (Denninho). Agora, queriam emplacar Leonil na presidência. Sentindo-se pouquíssimo prestigiados, os outros membros da base meteram uma trava na porta.
O outro ponto é que dez em dez vereadores consideram ruim e insuficiente o diálogo do prefeito com os vereadores da base. Segundo relatos, Luciano não delega a ninguém essa tarefa de articulação com a Casa, mas ao mesmo tempo não a cumpre bem e não tem a menor paciência para isso. É como dizem: toda crise é oportunidade de melhorar.
Operação Extintor
Já na noite da última quinta-feira, horas após a chapa ser protocolada, o secretário-geral do PSB estadual, Tyago Hoffmann, reuniu-se com um núcleo de cinco dos oito vereadores da chapa para tentar aplacar a crise. Meio mediador, meio bombeiro, Hoffmann transita bem entre Casagrande e Luciano. Foi chefe da Casa Civil no governo do primeiro e, mais recentemente, secretário municipal de Trânsito sob a chefia do segundo.
Apelo ignorado
Aos cinco vereadores, Hoffmann fez um apelo no sentido de que eles buscassem um diálogo e composição com o PPS até o dia seguinte (sexta), devido ao fato de pertencerem todos ao mesmo projeto político, em Vitória e no Estado. Nada feito. Na sexta terminou o prazo para alteração de chapas. A deles ficou inalterada.
Leonil não se ajudou
Para completar a barbeiragem, há relatos de que Leonil – o candidato oficial – não ajudou nem um pouco a si mesmo. É um caso curioso: eleito pela 1ª vez em 2016, Leonil já chegou à Câmara como pré-candidato à presidência. Não se elegeu de primeira porque Luciano preferiu Simões para o biênio 2017-2018. Mas jamais abandonou a pretensão. Ou seja: teve mais de um ano e meio para atrair aliados, mas teve mais êxito em criar arestas.
Vai que é tua
Agora, a posição do PSB é que esse é um assunto de prefeitura com Câmara e que compete ao prefeito resolvê-lo diretamente com sua base. Não dá para terceirizar responsabilidade. O partido não vai “enquadrar” vereador, tampouco determinar como cada um deve votar. Por outro lado, dirigentes do PSB deixaram claro aos “infiéis” a Luciano: o movimento é legítimo e será respeitado como tal até o ponto em que a chapa passe a criar problemas para a prefeitura, o que não será tolerado. Aí sim os dirigentes terão que intervir.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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