No dia 4 de dezembro, a Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória, juntamente com a Academia Espírito-santense de Letras, lançará quatro livros, dentre os quais o vol. 32 da coleção Escritos de Vitória que, neste ano, tem como tema “Patrimônio Cultural”. Escritores foram convidados para se manifestar sobre o tema e 30 deles atenderam ao convite, escrevendo, em prosa ou em verso, em textos literários ou não, suas opiniões, impressões ou sensações sobre lugares, sítios históricos, pessoas, numa visão bem pessoal do que entendem como patrimônio cultural.
Assim, foram lembrados o Palácio Anchieta, o Teatro Carlos Gomes, a Escola Maria Ortiz, a Igreja do Rosário, a de São Gonçalo, as Paneleiras de Vitória, a Academia de Letras, e, até mesmo, o finado Palácio Santa Clara, que existiu na Ladeira de mesmo nome, na época do governador Nestor Gomes.
Vitória é uma das cidades mais antigas do Brasil e possui uma capela histórica, a de Santa Luzia, que, dizem os historiadores e a tradição, pertenceu à fazenda de Duarte de Lemos, o primeiro proprietário da ilha de Vitória e construída antes mesmo da data considerada oficial da construção da cidade, 1551.
O culto a Santa Luzia ali se realizou por centenas de anos até que a capela entrou em ruínas, já no século XX. Tombada pelo IPHAN, na década de 1940, a capela foi restaurada e ali funcionou o Museu de Arte Sacra, que foi desmantelado para ser ali instaurada uma Galeria de Arte da Ufes, nas décadas de 1970 e 1980. Na década de 1990, quando fui secretário de Cultura da Ufes, nova galeria de arte foi criada no Espaço de Vivência da Ufes, e a capela foi devolvida ao IPHAN.
Hoje, vejo com tristeza, quando passo por ali, que a Capela de Santa Luzia está bastante arruinada, necessitando de reparos e de uma nova destinação para seu uso. É inadmissível, também, aquela construção horrorosa que foi feita, há alguns anos, colada à sua parede centenária.
É necessário que o Estado ou a prefeitura desapropriem aquele monstrengo e deixem a capela livre sobre a pedra onde foi erigida, há quase 500 anos. Que Santa Luzia, protetora da visão, faça nossos administradores enxergarem a situação desse importante monumento histórico, pioneiro da administração portuguesa em nosso estado.
Nem mesmo os escritores que trataram do tema neste volume dos Escritos de Vitória se lembraram da humilde Capela de Santa Luzia, nem do Forte São João, a única fortaleza que sobrou das que existiram em Vitória, nem das igrejas que foram destruídas, nem dos personagens que marca(ra)m a vida da cidade, nem do Museu Solar Monjardim, ou de outros que a cidade tem ou teve, enfim, nossa memória cultural é uma vaga lembrança. Pena!