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Francisco Aurelio Ribeiro

Literatura feita no ES passa por novo momento positivo

Para quem gosta de literatura, a hora é agora. É só deixar de lado um pouco o WhatsApp e as redes sociais que sobra tempo para ler. Recado dado

Publicado em 03 de Agosto de 2018 às 21:52

Públicado em 

03 ago 2018 às 21:52

Colunista

No Espírito Santo, pequenas editoras publicam os autores locais, com destaque para a editora Cousa Crédito: Jessica Ruscello/ Unsplash
Tenho acompanhado a produção literária feita no Espírito Santo há uns 40 anos e posso afirmar que ela passa por um novo momento positivo, após o clímax que obteve, nos anos 1980, e sua queda, nos anos 1990. Na década de 1980, o fim da censura, a criação da editora da FCAA/Ufes e o momento político e econômico em que vivia o país propiciaram o lançamento de excelentes autores capixabas, lidos em profusão, pois havia a leitura obrigatória para o vestibular, o que impulsionava a venda dos livros. Autores como Luiz Guilherme Santos Neves, Adilson Vilaça, Bernadette Lyra, Reinaldo Santos Neves, Waldo Motta, Miguel Marvilla, Pedro Nunes, Neida Lúcia, dentre outros, tiveram grandes edições vendidas, sucessivamente.
Nos anos 1990, veio a crise política com o impeachment do Collor, a crise econômica, saneada com o Plano Real e o advento da internet. Tudo isso fez com que a produção de livros descesse ladeira abaixo, com o fechamento de editoras e de livrarias, processo ainda em curso. No entanto, a criação de leis municipais de incentivo à cultura, dos editais da Secult, a partir de 2007, e a popularização da informatização fizeram com que a produção editorial retomasse sua caminhada, agora em novo cenário. Não mais se fazem grandes tiragens, hoje a produção é sob demanda, o mercado livreiro foi dominado pelas multinacionais e as livrarias de shoppings, predominantes, vendem de tudo, até livros. Os best-sellers são fenômenos mundiais, como os livros do israelense Yuval N. Harari ou os da poetisa canadense de origem hindu Rupi Kaur. Quanto aos infantojuvenis mais vendidos, melhor ignorar os irmãos Felipe e Luccas Neto. É droga!
A criação de leis municipais de incentivo à cultura, dos editais da Secult, a partir de 2007, e a popularização da informatização fizeram com que a produção editorial retomasse sua caminhada, agora em novo cenário
No Espírito Santo, pequenas editoras publicam os autores locais, com destaque para a editora Cousa, sob a chefia do idealista Saulo Ribeiro, autor e editor, com seus livros de qualidade, bem produzidos graficamente, geralmente financiados pelos autores ou com verbas de editais. Recentemente, li, e recomendo a leitura dos romances: “Os Incontestáveis”, de Saulo Ribeiro, “Temporária”, de Aline Púcoli, “A Bisa Ubalda”, de Álvaro José Silva e “O Estranho Visitante”, de Pedro Paulo Nunes, os dois últimos publicados de forma independente.
Também li os excelentes contos de Brunella Brunello e os livros de poesia “O breviário do silêncio”, de Anaximandro Amorim, “O ornitorrinco do pau oco”, de Jorge Elias, e “Castelã”, de Kátia Bento, uma das melhores escritoras capixabas, ainda pouco conhecida, apesar de publicar desde os anos 1970. Para quem gosta de literatura, a hora é agora. É só deixar de lado um pouco o WhatsApp e as redes sociais que sobra tempo para ler. Recado dado.
*O autor é professor e escritor
 

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