Augusto Alvarenga*
Apesar de já ter defendido vigorosamente o conceito da Linha Verde, a notícia veiculada em A GAZETA de que, com o sistema, não está havendo melhoria na velocidade de transporte dos ônibus com a implantação da faixa exclusiva merece uma reflexão critica por parte do meio técnico.
Primeiramente, precisaremos recuperar o histórico do sistema de transporte coletivo da Grande Vitória. Na década de 70, mais de 200 linhas de ônibus funcionavam no sistema concêntrico, convergindo para a área central da Grande Vitória, causando um tremendo engarrafamento durante todo o dia, com velocidades medias que não passavam dos 12 km/h.
Toda essa discussão sobre a “Linha Verde” deverá ser expandida a todos os municípios em um processo de conscientização da população para a importância da efetiva e, demasiadamente tardia, implantação do sistema de TRANSporte COLetivo: Transcol
Em meados dos anos 80, o Transcol traria o moderno sistema tronco alimentador em substituição ao antigo sistema radial. Daí precisamos sublinhar o “traria”, pois esse conceito até hoje não se implantou devidamente.
Nestes mais de 30 anos, não se conseguiu implantar os dois aspectos essenciais do projeto: primeiramente, o sistema dependia da implantação de linhas troncais, para conexão intermunicipal, e das linhas alimentadoras, de caráter municipal; o segundo aspecto era que, para a melhoria de velocidade do sistema, haveria a necessidade da criação de vias exclusivas para o sistema troncal, um “tronco verde”, para usar o apelido que demos para essa experiência aqui em Vitória.
Até hoje, as linhas municipais concorrem nas mesmas vias do sistema Transcol na maioria das cidades da Região Metropolitana. Em Vitória, por exemplo, deveria haver linhas internas nos bairros, conectando os passageiros às principais avenidas, com um sistema de bilhetagem totalmente integrada, onde o passageiro poderia saltar do ônibus municipal e entrar no intermunicipal sem pagar nova passagem.
O sistema de calha exclusiva, que a administração municipal apelidou de “Linha Verde”, deve ser imediatamente expandido para todas as principais avenidas nos dois sentidos da via, não só na cidade de Vitoria, mas em todas as cidades que opera o sistema Transcol.
As administrações municipais precisarão de muita vontade política e determinação para enfrentar a histórica resistência das companhias de transporte à implantação da bilhetagem integrada e ao efetivo funcionamento do sistema troncal.
Toda essa discussão sobre a “Linha Verde” deverá ser expandida a todos os municípios em um processo de conscientização da população para a importância da efetiva e, demasiadamente tardia, implantação do sistema de TRANSporte COLetivo: Transcol.
Depois dessas três décadas, receio que os antigos 12 km/h de velocidade média de deslocamento pelas nossas vias vão parecer um sonho distante para o trânsito totalmente parado que temos enfrentado nos horários de pico na nossa Região Metropolitana.
*O autor é professor de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e doutor pela Universidade Politécnica da Catalunha (UPC).