A liberação compulsória de adolescentes para evitar a superlotação, como ocorreu na Uninorte, em Linhares, é uma situação complicada em que nem mesmo a metáfora do cobertor curto pode ser aplicada, porque simplesmente não há um. Com todas a unidades estaduais abarrotadas, não há margem de manobra para realocá-los, sendo inevitável que sejam colocados em liberdade. Até as novas internações tornam-se um desafio para cumprir a decisão do Supremo.
Não dá para minimizar, é preciso que exista alguma punição ao adolescente infrator, que conscientize sobre as regras da vida em sociedade. É uma passagem que precisa ser transformadora. Mas não é o caso de amontoar os jovens em uma cela: a superlotação impõe condições sub-humanas, impossibilitando qualquer tipo de ressocialização.
É um impasse dramático também por colocar em xeque a qualidade dessas medidas socioeducativas, a partir do momento em que poderão ser interrompidas por força maior. O único aprendizado será o da impunidade.
O crescimento desenfreado da criminalidade juvenil nasce da falta de oportunidades, esse é um ponto pacífico. Precisamos de mais educação inclusiva. Mas a sociedade exige respostas à impunidade, principalmente nos crimes mais brutais. O desafio, hoje, é encontrar o meio-termo.