A Copa do Mundo é mágica para além do futebol. A competição une povos, independente das idades, gêneros e classes sociais, e faz isso desde muito antes da bola rolar. Uma das ativações mais famosas que fomentam a competição é o Álbum de Figurinhas, que existe desde a edição de 1950, do Brasil, e se mantém até hoje. Porém, com o aumento do número de seleções no torneio deste ano, ficou ainda mais difícil, caro, e demorado para se completar todo o álbum. A problemática foi enxergada por um desenvolvedor de softwares capixaba, que criou uma solução em formato de aplicativo.
Rafael Soares pensou em uma ferramenta que se propõe a gerenciar o estoque de figurinhas dos colecionadores e facilitar a conclusão do álbum com menos tempo e menos dinheiro investido, por meio de trocas. Com o "Q-Figurinhas", os usuários registram todas os cromos que possuem e o sistema identifica oportunidades de câmbio entre colecionadores próximos com interesses compatíveis, bareteando e dando mais celeridade na missão de completar o caderno.
"Veio a ideia de a gente desenvolver esse aplicativo para poder gerenciar o estoque de figurinhas, era basicamente para isso, e aí a parte mais legal depois que a gente experimentou o estoque foi gerenciar as trocas de figurinhas, facilitar encontrar as pessoas que têm as figurinhas que eu preciso, isso agiliza muito o processo de troca", disse o desenvolvedor, à TV Gazeta.
Como funciona o aplicativo?
À medida que adquire novos pacotes, o colecionador registra no sistema todas as figurinhas obtidas, incluindo as repetidas, formando assim o seu estoque. Com o inventário atualizado, o aplicativo identifica outros colecionadores próximos que possuem figurinhas de interesse e que, ao mesmo tempo, necessitam de itens disponíveis no estoque de duplicadas dele.
Quando ocorre esse “match”, o sistema disponibiliza recursos para facilitar o encontro e viabilizar a troca, realizada em pontos previamente cadastrados na aplicação e georreferenciados. Ao chegar ao local, o colecionador realiza um check-in para informar aos demais que está disponível para negociar.
Como forma de incentivar a interação entre os usuários e preservar a experiência da socialização presencial, os matches acontecem apenas entre colecionadores que efetuarem check-in no ponto de troca, procedimento permitido somente nas proximidades do local.
"Isso não descarta a socialização de forma alguma. A gente se preocupou muito com isso. Nós já vimos alguns aplicativos que trocam pela internet, em qualquer lugar, e eu falei que não era exatamente isso que queria. Nós queremos valorizar o ponto de troca, onde as pessoas vão e socializam. A gente só quer agilizar, principalmente nesse ano que o álbum está muito maior, sem perder a alegria daquele momento", falou Rafael.
Há pontos de troca públicos, como praças, shoppings e escolas, além de pontos privados, protegidos por senha, destinados ao uso em condomínios e organizações. Após o encontro e a realização da troca, um dos colecionadores registra as figurinhas negociadas no celular. Em seguida, o aplicativo notifica o outro participante para confirmar a operação e atualizar o estoque, creditando as figurinhas recebidas e debitando as enviadas.
"Não é muito nem para as crianças, mas para os pais. Eu acho que para os adultos que vão acompanhando, que vai fazer muito mais diferença, porque eles querem resolver rápido aquela situação. As crianças se divertem o máximo de tempo possível lá, então vai ser útil para elas também, mas para os adultos principalmente", ressaltou o empresário.
Como nasceu o aplicativo?
Antigamente, seu sogro, já aposentado, adorava montar álbuns de figurinhas para os netos. Segundo ele, era um momento de muita satisfação na interação dele com as crianças e o controle era feito no papel. Ele tinha uma lista das figurinhas que já tinham e o bolo de repetidas bem organizado para facilitar as trocas. O problema que vivia era a necessidade se sempre passar tudo a limpo.
"Na primeira Copa em que minha filha se envolveu com as trocas, eu fiz uma planilha para ela registrar as figurinhas adquiridas, organizadas por seção. Já foi uma evolução grande: sem mais papéis rabiscados, tudo numa única página. Mas quando chegava perto de completar o álbum, era preciso abordar muitos colecionadores até encontrar os itens que faltavam", concluiu Rafael.
A primeira vez que ele montou o álbum com sua filha foi em 2018, durante a edição da Rússia. Porém, a ideia da aplicação nasceu mesmo durante a Copa de 2022, do Catar. Durante a competição, ele estava contratando uma nova equipe de desenvolvimento de software para sua empresa, que tem o hábito de criar desafios para os novos colaboradores atuarem juntos em algo fora do negócio principal, como forma de avaliar as habilidades de cada um.
"Foi aí que lancei a ideia do aplicativo de figurinhas, explicando todas as dificuldades que vivenciamos na gestão dos álbuns e nas trocas. A equipe fez um ótimo trabalho na especificação e chegamos a desenvolver todo o controle de estoque. Na época, divulgamos só entre amigos e vi o quanto foi útil para concluir o álbum da copa. Este ano, a empresa decidiu desenvolver toda a infraestrutura de trocas e publicar o aplicativo nas lojas para que qualquer colecionador possa se beneficiar", explicou.
A aplicação é gratuita e já está disponível na loja de aplicativo dos smartphones com o sistema Android. Já, para os usuários de aparelhos da Apple, devem esperar um pouco para a aquisição. Segundo Rafael, o programa já está no processo de autorização, e acredita que na próxima semana já esteja disonível na Apple Store.