Descumprimento do prazo de construção; custo aumentado mais de quatro vezes em relação ao previsto; obra a ser inaugurada incompleta. Essas são as condições da rodovia Leste-Oeste, com entrega ao público prevista para o próximo mês. Trata-se de um retrato, entre tantos outros, de falhas do setor estatal no planejamento, execução e fiscalização de obras, que redundam em desperdício de dinheiro da população.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER-ES) anuncia que a importante ligação entre Cariacica e Vila Velha será inaugurada sem iluminação.E que não há prazo para instala-la – lamentavelmente. Esse desencontro atravessou governos. Perdura há 11 anos, desde 2007, quando foi iniciada a obra.
De acordo com informações do DER à Rádio CBN Vitória, embora a implantação da energia elétrica caiba às prefeituras, valendo-se de recursos da taxa de iluminação pública, o governo do Estado se propôs a elaborar um projeto, ainda não concluído, e também participar financeiramente da execução.
A pergunta de interesse coletivo é até quando será necessário esperar pela resolução dessa deficiência da rodovia. Enquanto o entendimento tardio entre as esferas de governos estadual e municipal não produzir frutos concretos, o novo caminho entre dois municípios perderá intensidade de tráfego. A noite, o risco à segurança parece muito alto. “Tenho medo de assaltos, de roubarem o carro ou a moto”, afirmou o vidraceiro Afonso Gonçalves à
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A Leste-Oeste tem apenas oito quilômetros de extensão, mas o seu histórico é um grande exemplo de apagão da capacidade de realização de obras do setor público. Começou a sair do papel em 2007 com previsão de conclusão em 2009. A seguir, o prazo foi esticado para 2010 e, depois, sucessivamente para 2013, 2015, 2017, 2018. Somente neste ano, houve quatro protelações. De fevereiro, a liberação ao tráfego passou para abril e, a seguir, para agosto. Agora, o DER afirma que a entrega ocorrerá em outubro.
Os prejuízos são vultosos. O custo da Leste-Oeste saltou de R$ 70 milhões para R$ 300 milhões. Além disso, há fortes perdas econômicas. É um escoadouro crucial para o trânsito em São Torquato e em Jardim América, que deveria estar livre há uma década.