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Beatriz Seixas

"Lama" da Vale chega a João Neiva

Desastre em Minas Gerais alcançou a cidade capixaba por meio do desemprego e da redução da atividade econômica

Publicado em 26 de Fevereiro de 2019 às 22:35

Públicado em 

26 fev 2019 às 22:35
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Planta da CBF Indústria de Gusa, em João Neiva Crédito: CBF/Divulgação
Um mês depois da tragédia de Brumadinho - fruto do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, da Vale -, os impactos e os prejuízos continuam a se alastrar pelo país. Desta vez, eles batem bem à porta dos capixabas. O desastre em Minas Gerais alcançou a cidade de João Neiva por meio do desemprego e da redução da atividade econômica e, pelo o que tudo indica, está prestes a comprometer significativamente a arrecadação do município, que tem menos de 17 mil habitantes.
Em função das medidas adotadas pela mineradora e pelos órgãos ambientais para evitar novos desastres, como a interrupção das atividades de algumas minas que operam pelo método à montante, a Vale reduziu a sua produção. O resultado disso está sendo uma oferta menor de minério de ferro no mercado, o que, consequentemente, está fazendo com que a companhia suspenda o abastecimento do produto junto a determinados clientes.
Um deles é a empresa CBF Indústria de Gusa, que há 33 anos atua em João Neiva no setor siderúrgico. Com uma capacidade instalada de 260 mil toneladas por ano, a CBF produz e comercializa o chamado ferro gusa nodular. Acontece que o desabastecimento de minério levou a companhia - do grupo Ferroeste, também com negócios em Minas e Maranhão - a desativar um de seus alto-fornos. A interrupção do equipamento aconteceu na última sexta-feira, 22, e já nesta semana a empresa demitiu 40% do seu quadro de mão de obra, que até então era composto por 380 empregados diretos e 2.500 indiretos.
A companhia alega que a situação é tão dramática que pode vir a fechar suas portas caso a Vale não restabeleça o fornecimento do minério. A CBF explica que a dependência da Vale se dá em razão da qualidade do produto que a mineradora oferece. A empresa de João Neiva precisa comprar um minério bom para conseguir entregar aos seus clientes, conforme prevê contratos já assinados, uma mercadoria também de mais qualidade. Mas o impacto de Brumadinho extrapola os prejuízos para a empresa em si e para os funcionários ligados a ela.
Como a CBF é a maior empregadora de João Neiva e responde por mais de 50% do que é arrecadado em tributos pelo município, segundo informações da prefeitura, há um receio sobre como isso vai se refletir nas contas públicas e no dia a dia da cidade. O medo de colapso é tão grande que representantes da gestão municipal, da CBF e do sindicato que representa a categoria, o Sindimetal-ES, foram até o governador Renato Casagrande (PSB), na última segunda-feira, 25, para relatar o drama e pedir ajuda para reverter o quadro. Os envolvidos temem que João Neiva enfrente uma situação semelhante a que Anchieta vem passando depois que as atividades da Samarco foram suspensas, em 2015, após o rompimento da barragem de Mariana.
O diretor-executivo do Sindimetal-ES, Roberto Pereira de Souza, critica o fato de a Vale cortar o abastecimento no mercado interno. Para ele, a mineradora não deveria privilegiar os clientes internacionais.
“A CBF estava se preparando para 2019 ser um ano diferenciado. Ela fechou contrato com clientes da Alemanha e tinha feito recentemente investimentos e aumentado o número de empregados. Agora, é um absurdo a Vale exportar o minério bom e aqui não fornecer ou querer deixar o de pior qualidade. Embora não tenha chegado pelo Rio Doce, João Neiva também está sendo atingida pela lama”, lamentou.
Souza, que participou da reunião com o governo, contou que Casagrande chegou a entrar em contato com o diretor de Relações Institucionais Sudeste da Vale, Sérgio Leite, para tratar do tema. “O governador ligou para o Sérgio Leite, que ficou de avaliar e dar um retorno. Mas não senti muita confiança”, desabafou o sindicalista.
É preciso acompanhar os próximos passos desta interlocução do governo do Estado com a Vale. Realmente é fundamental que gestores, entidades e trabalhadores unam forças para fazer frente ao desastre causado pelo rompimento da barragem. Desde 2015 conhecemos bem o poder devastador desse tipo de tragédia para o meio ambiente, paras as famílias atingidas e para a economia. Por isso, é importante que sejamos incansáveis na cobrança por respostas.
MANIFESTAÇÃO
Trabalhadores e representantes do Sindimetal-ES estão preparando uma manifestação para os próximos dias em João Neiva. O diretor Roberto Pereira de Souza diz que, se for preciso, vão até parar a linha férrea que transporta o minério da Vale.
MAIS IMPACTOS
Além da CBF Indústria de Gusa, a preocupação do Sindimetal é que a suspensão do fornecimento de minério atinja outras empresas, como a Companhia Siderúrgica Santa Bárbara, em Caçaroca, Cariacica.
REAVALIAÇÃO
Procurada, a Vale informou que “não comenta relações comerciais específicas em função de cláusulas de confidencialidade”. A empresa informa ainda que “o fornecimento de minério de ferro para o mercado interno está sendo reavaliado em função das paralisações de algumas operações em Minas Gerais”.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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