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Vitor Vogas

"La Casa de Papelón": protagonistas ocultos na Serra

No fundo, no fundo, a confusão e a disputa política na Câmara da Serra refletem a luta política entre Audifax Barcelos (Rede) e Sérgio Vidigal (PDT)

Publicado em 23 de Maio de 2018 às 20:21

Públicado em 

23 mai 2018 às 20:21
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Praça Oito - 24/05/2018 Crédito: Amarildo
Não é de hoje que a Câmara da Serra virou uma grande novela, ou melhor, um seriado político cheio de reviravoltas: “La Casa de Papelón”. Ocorre que, nesse seriado, os dois principais personagens não aparecem em cena.
Mesmo agindo nos bastidores, são os verdadeiros protagonistas da trama. Aliás, estão mais para diretores de elenco. No fundo, no fundo, a confusão e a disputa política na Câmara da Serra refletem a luta política entre Audifax Barcelos (Rede) e Sérgio Vidigal (PDT), como tudo ali desde que ambos romperam, em 2008. E essa luta também é o pano de fundo da eleição da Mesa Diretora, marcada para o dia 2 de junho.
A Câmara da Serra possui 23 vereadores. Refletindo a divisão política que saiu das urnas em 2016, está rachada entre aliados de Vidigal e apoiadores de Audifax desde a primeira eleição da Mesa na atual legislatura: no dia 1º de janeiro de 2017, o prefeito conseguiu garantir o comando do Legislativo, elegendo uma chapa de vereadores aliados com maioria mínima (12 a 11), graças à mudança de lado, na última hora, de Neidia Pimentel (PSD), eleita presidente da Casa.
Mas Neidia foi afastada, e o atual presidente, Rodrigo Caldeira (Rede), é mais próximo de Vidigal, embora filiado ao partido do prefeito. Coisas da política da Serra.
No próximo dia 2, Caldeira pretende encabeçar chapa à reeleição. Para isso, conta com o apoio de um grupo de vereadores também não alinhados com Audifax. Pelas contas de vereadores, esse grupo hoje tem de 10 a 11 membros no total, sendo apoiado, veladamente, por Vidigal. Do outro lado, temos o grupo fiel a Audifax, que hoje somaria de 11 a 12 membros.
A tendência é que esse grupo do prefeito lance chapa contra Caldeira, mas ainda não há definição quanto ao candidato à presidência. Pode ser Basílio da Saúde (Pros), Miguel da Policlínica (PTC) ou Alexandre Xambinho (Rede). Este último teria a preferência do prefeito.
De todo modo, uma divisão tão apertada deixa a disputa pela Mesa completamente aberta do ponto de vista matemático. E, assim como na última eleição de Neidia, o resultado pode ser determinado por alguma traição de última hora.
Para evitar surpresas, tanto Vidigal como Audifax trabalham hoje para construir a maioria com as armas que possuem. Diversos vereadores admitem que as articulações visando à Mesa têm o dedo do prefeito e do seu arquirrival. Para ser mais exato, o lado de Audifax acusa o dedo de Vidigal, e vice-versa.
“Com certeza está havendo isso. Não por parte de Vidigal, mas de Audifax. Ele tem recalque político. Toda vez que alguém se aproxima de Vidigal, ele passa a tratar como inimigo político”, afirma Aécio Leite (PT), que apoiou Vidigal no 2º turno em 2016 e agora apoia Caldeira na eleição da Mesa Diretora.
Integrante do mesmo grupo, Pastor Ailton (PSC) também despeja críticas à postura do prefeito. “Chamo Audifax de faraó. E aqueles que estão do lado dele são múmias. Têm mandato, mas não têm voz. Essa disputa tem a ver com Audifax não querer perder o domínio da Câmara, porque ele sempre governou mandando em tudo e, agora que corre o risco de perder o domínio, ele está vindo com tudo.”
Por sua vez, aliados do prefeito acusam pressões indiretas exercidas por Vidigal. “Que tem a mão de Vidigal, tem. Ele está apoiando abertamente a chapa de Caldeira”, aponta Miguel da Policlínica. “Caldeira hoje está bem ligado a Vidigal e tem feito reuniões com ele.”
A interferência do ex-prefeito teria se manifestado de modo mais explícito ontem, a partir de uma iniciativa da Executiva do PDT da Serra (controlada por Vidigal). O presidente municipal, Alessandro Comper, convocou os três vereadores do partido para reunião extraordinária amanhã, às 19h, a fim de discutir a eleição da Mesa.
Segundo Comper, a intenção é garantir que os três pedetistas votem em bloco, seguindo orientação do líder da bancada – o vereador Nacib, aliadíssimo de Vidigal e opositor de Audifax desde o mandato passado, logo um dos principais apoiadores de Caldeira no momento.
O problema é que, assim como a bancada da Rede, a do PDT também está rachada. Os outros dois vereadores pedetistas, Fabio Duarte e Geraldinho PC, mesmo sendo do partido de Vidigal, hoje estão na base de Audifax. De novo: coisas da Serra. Se os dois forem enquadrados pela direção do PDT para votar em Caldeira, este pode garantir a maioria.
A conferir o próximo capítulo da série.
Pressão do PDT
O presidente do PDT da Serra, Alessandro Comper, confirma que o objetivo da reunião de amanhã é assegurar que os três membros da bancada votem em bloco. “A única coisa que é certa é que nós vamos caminhar de forma orgânica. Lá atrás já havíamos informado à bancada que, quando ocorresse a votação da Mesa, eles deveriam acompanhar a orientação da liderança da bancada.”
Penalidades previstas
Em caso de insubordinação, afirma Comper, o partido deve fazer prevalecer o Estatuto do PDT. “Dependendo da postura do filiado, pode ocorrer advertência, notificação e até expulsão.”
Pedetista com o prefeito
Filiado ao PDT, mas aliado de Audifax, o vereador Fabio Duarte acusa a “tratorada”: “Querem decidir goela abaixo. As questões políticas precisam terminar na época da eleição. Não adianta a gente ficar naquele negócio do quanto pior, melhor. Infelizmente, o PDT tem essa postura. Em reuniões do partido, comenta-se muito que, quanto pior para Audifax, melhor para Vidigal. E na verdade quem sofre com isso é a população, que não aguenta mais a política. A nossa política está dando nojo. É o poder pelo poder”.
Pode isso, Vidigal?
Prosseguindo o desabafo, Duarte chuta o balde: “Essa eleição da Câmara hoje não é para 2018. O PDT está pensando em 2020. Quer fazer um candidato que não tenha tanto diálogo com o Executivo, para atravancar a administração e para lá na frente se beneficiar. Sem sombra de dúvida, isso tem o dedo de Vidigal”.
Pode isso, Audifax?
Hoje na Rede, Rodrigo Caldeira já foi do PDT, partido pelo qual se elegeu vereador em 2012. Há quem o considere um aliado de Vidigal infiltrado no partido de Audifax, que certamente está muito arrependido dessa filiação. Muito.
Tá tudo trocado
Como se vê, tem pedetista apaixonado por Audifax e redista mais leal a Vidigal.
Até Madureira?!?
Aliado de Audifax, Miguel da Policlínica (PTC) diz que a eleição da Mesa tem “a mão de gente de fora”: “Marcelo Santos, Ricardo Ferraço... até Marcos Madureira tem pedido voto para Caldeira”.
Sem unidade
“Lá do outro lado há uma instabilidade profunda, mesmo com a influência do prefeito”, observa Roberto Catirica (PHS), apoiador de Caldeira. Essa falta de unidade pode prejudicar a formação da chapa de vereadores ligados a Audifax.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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