Jerônimo Monteiro foi um político exemplar, íntegro, hábil e extraordinariamente criativo. Governou o Espírito Santo de 1908 a 1912, mas foi muito além do que se poderia dele esperar em seus exíguos quatro anos de gestão. Em seu mandato, conseguiu multiplicar o tempo e antecipou a postura de ação mais tarde exercida pelo presidente Juscelino Kubitschek.
Doutor Jerônimo trabalhou sempre voltado para dois focos: realizar obras fundamentais na infraestrutura estadual e promover efetivos avanços nas demais áreas pertinentes, como as reformas do ensino público e as construções de estradas e do Porto de Vitória. Também estimulou a agricultura, implantando a pesquisa agrícola e incentivando a cultura do café conilon.
Inúmeras medidas adotadas por Jerônimo foram precursoras nacional e internacionalmente, como a hoje chamada “medida provisória”, que a genialidade de seu governo inventou
Em sua indômita disposição de criar, priorizou também a grande reforma do Estado e a proteção ao bem-estar do funcionalismo público, realizando avanços no campo social.
Dotado de inteligência e temperamento invulgares, ele tomou muitas providências inovadoras no silêncio do gabinete presidencial no Palácio Anchieta, que por sinal ele próprio reconstruiu. Inúmeras delas foram precursoras nacional e internacionalmente, como a hoje chamada “medida provisória”, que a genialidade de seu governo inventou para acelerar a atuação do Executivo.
Tenho a visão de que a um só tempo o doutor Jerônimo desempenhou um outro mandato, talvez oculto e invisível aos olhos públicos menos atentos. Como político e executivo, ele foi reconhecido como um dos mais profícuos governantes que o Espírito Santo já teve. Surpreendeu os brasileiros pelo incomparável êxito que logrou.
Implantou uma das primeiras gerações de energia elétrica do país, atendendo sua ânsia em civilizar a Capital e transformar sua terra natal, Cachoeiro, em um grande polo industrial. Criou também uma hidrelétrica indispensável para impulsionar esse desenvolvimento.
Maria Stella de Novaes, historiadora, ornitóloga, pesquisadora e escritora, expõe esses fatos com exímia lucidez em “Jerônimo Monteiro: Sua vida e sua obra”, precioso livro que agora se relança.
Não é à toa que um século e mais dez anos depois do início de seu governo, mantém-se vivo, no imaginário popular, o nome de Jerônimo Monteiro, homenageado através de ruas, praças, avenidas, bustos, município e fotos espalhadas pelo Espírito Santo em homenagem à sua inquieta e dinâmica personalidade, que resiste ao tempo e persiste no sentido mais amplo do impulso incansável em que viveu.
* O autor é empresário