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Opinião da Gazeta

Interromper obras do Cais das Artes seria morrer na praia

Defender a conclusão da construção não é ser a favor do desperdício de dinheiro público. É justamente o contrário

Publicado em 14 de Novembro de 2018 às 14:09

Públicado em 

14 nov 2018 às 14:09

Colunista

Visão aérea das obras do Cais das Artes Crédito: CLEFERSON COMARELA/VIXFLY DRONES
Em 2008, quando o projeto do Cais das Artes foi anunciado, o clima entre classe artística, gestores, produtores culturais e aqueles que simplesmente buscam diversão e arte era, se não de consenso, pelo menos de saudável apoio crítico. Afinal, mesmo ambiciosa, a obra pretendia incluir o Espírito Santo no mapa dos grandes espetáculos e dar ao artista local um palco luxuoso. Nada mais justo. Após um sem-número de obstáculos, que incluíram falência de consórcio, briga judicial, rescisão de contrato e os consequentes atraso na construção e o aumento do custo de edificação, o namoro azedou. No entanto, a demanda por espaços culturais era e continua sendo real, tão concreta quanto as paredes já erguidas do Cais.
Única capital da Região Sudeste que fica às margens das turnês nacionais de shows, peças de teatro, balés, óperas e exposições de artes plásticas, Vitória pode finalmente virar essa página com a conclusão do Cais das Artes. Por isso, soam descabidas manifestações, felizmente minoritárias, em favor da entrega da estrutura à iniciativa privada ou mesmo sua demolição. Cultura é fundamental, e cabe aos governos, segundo princípios constitucionais, promover o fomento e o acesso. O Cais das Artes pode soar elitista, faraônico. Mas basta lembrar que o mesmo foi dito do Teatro Carlos Gomes, também na Capital, que hoje é aparato indispensável à vida cultural capixaba. O mesmo foi dito da Terceira Ponte, hoje obsoleta, para citar exemplo de investimento em infraestrutura fora do âmbito artístico.
A paralisia ou a descontinuidade de obras públicas é que causa prejuízo ao bolso dos contribuintes, não a sua conclusão. Desde o anúncio do Cais das Artes até hoje, o Espírito Santo viu uma série de espaços culturais fecharem as portas. O Estado perdeu os teatros Scav, Carmélia e Galpão, por exemplo. Defender a conclusão do Cais das Artes não é ser a favor do desperdício de dinheiro público. É justamente o contrário. Com mais da metade do prédio já erguido, interromper as obras a esta altura seria morrer na praia.
A inspiração de Paulo Mendes para o complexo cultural foi o Porto de Vitória, de onde chegam e saem bens. A proposta era que, sob a chancela da arte, o Cais fosse um espaço para se receber e oferecer também bens culturais. Assim como o premiado arquiteto disse na cerimônia de lançamento, a esperança é que se construa.
 

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