O Espírito Santo se destacou pela grande ampliação do mercado de trabalho nas micro e pequenas empresas em maio – justamente o mês marcado por 11 dias de colapso no transporte rodoviário. As MPEs capixabas abriram 4,6 mil postos – o segundo maior número do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, segundo apurou o Sebrae.
No primeiro semestre deste ano há um saldo de 13.521 postos formais de trabalho no nosso Estado, resultante de 171.097 contratações e 157.576 demissões. É mais do que o dobro do saldo de 5.699 vagas em igual período de 2017 – o que mostra uma dinâmica muito mais acelerada. O Espírito Santo fica em 9º lugar no ranking das unidades da federação que mais geraram empregos de janeiro a junho/2018.
A tendência do emprego com carteira assinada nos próximos meses não está configurada apenas pelo quadro visto em junho. Mas, o cenário preocupa
Em 12 meses, até junho, também o resultado do quadro trabalhista também é positivo: registraram-se 5.942 admissões a mais do que desligamentos, conforme dados do Caged.
Mas houve um baque em junho. Pela primeira vez em 2018, as demissões superaram as inclusões. Foram 1.562 a mais. É espantoso, pela proporção: duas vezes e meia mais do que os 661 postos formais fechados no Brasil inteiro, no mesmo mês.
A explicação deve estar no declínio do ritmo de negócios. O Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) do Espírito Santo, apurado pelo Banco Central, teve queda de 3% em maio. Esse tombo reflete constatações do IBGE: recuo de 11,3% do setor de serviços, redução de 2,3% da produção industrial, diminuição de 2,1% do volume de vendas do comércio e de 7,3% no varejo ampliado. Todos esses males foram influenciados pela greve dos caminhoneiros e os efeitos no mercado de trabalho começaram a aparecer em junho.
A tendência do emprego com carteira assinada nos próximos meses não está configurada apenas pelo quadro visto em junho. Mas, o cenário preocupa. A previsão para o PIB de 2018 caiu à metade: de 3% para 1,5%. O emprego depende da atividade econômica. Os candidatos à presidência não permitem impulso de crescimento.
*O autor é jornalista