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Dores

Será que o clima frio influencia sintomas dolorosos?

Algumas pessoas começam a sentir dor com mudanças menores de temperatura do que outras e estas costumam sofrer mais em épocas frias

Publicado em 06 de Junho de 2022 às 02:00

Publicado em 

06 jun 2022 às 02:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe

Durante a noite, o organismo regula o metabolismo, libera hormônios importantes e renova as energias para o dia seguinte
O que já se sabe é que mulheres com doenças articulares tendem a sentir mais dor com a queda da temperatura Crédito: Reprodução/Shutterstock
Muita gente utiliza compressas de gelo após algum trauma, relatando melhora, enquanto outras pessoas se queixam substancialmente de piora das dores quando o tempo esfria.
Algumas questões permeiam os fatores de piora relacionados ao frio. Um termo importante de se contextualizar é o limiar de dor ao frio, que é o início dos sintomas de dor quando diminuímos a temperatura. Algumas pessoas começam a sentir dor com mudanças menores de temperatura do que outras e estas costumam sofrer mais em épocas frias. O que já se sabe é que mulheres com doenças articulares (mecânicas ou inflamatórias) tendem a sentir mais dor com a queda da temperatura.
O que ocorre é que a diminuição brusca da temperatura estimula a ação do sistema nervoso periférico, por meio de terminações nervosas livres na pele, para atuar na regulação da temperatura, enviando sinais que sobem ao sistema nervoso central. Quando há uma considerável redução na temperatura, os receptores são ativados causando vasoconstricção reflexa, que é a diminuição do calibre dos vasos sanguíneos.
As fibras nervosas que podem ser estimuladas quando fazemos compressas de gelo são a mielinizada A delta, relacionada com a sensação de frio, e a não mielinizada C, responsável pela percepção do estímulo nociceptivo, relacionada a sensação de dor.
A dor que ocorre durante a exposição ao frio pode estar relacionada com lesão dos vasos sanguíneos ou das estruturas nervosas periféricas responsáveis pela termorregulação. A modulação térmica da pele depende da densidade dos vasos sanguíneos.
A lesão de nervos periféricos leva à liberação de mediadores celulares que atuam nas fibras nervosas modificando o número e a localização dos canais iônicos. Essas alterações tendem a facilitar o influxo de íons geradores do potencial de ação e consequentemente a reduzir o limiar de despolarização dos nociceptores. Isso faz com que estímulos que não ativam os nociceptores sejam capazes de atingir o limiar doloroso.
Para aumentar o limiar de dor ao frio e suportar sem desconforto as quedas de temperatura devemos então melhorar nossa capacidade adaptativa, para assim modular com qualidade a regulação térmica do corpo. Uma boa forma de melhorar a adaptabilidade é fazer atividade física regular, usando o calor metabólico para manter a temperatura corporal estável.
Pensando em estratégias comportamentais, em um dia quente, podemos nadar, beber água gelada ou sentar-se à sombra. Em um dia frio, podemos colocar um casaco, sentamos em um canto mais quente ou comemos uma tigela de sopa quentinha.
As estratégias comportamentais envolvem condições mínimas e dignas para tal, e infelizmente muita gente não tem como se aquecer e diminuir sua dor (dor essa que nem sempre é só física). É preciso que o calor humano e a caridade se sobreponham à queda das temperaturas.

Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

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