Manter uma boa hidratação é fundamental para o funcionamento do organismo de cães e gatos, mas nem sempre é fácil perceber quanto o animal realmente está ingerindo de água. Temperatura, nível de atividade, alimentação, rotina e condições de saúde podem influenciar tanto a necessidade de líquidos quanto o comportamento do pet diante do bebedouro.
Segundo a médica-veterinária Rogéria Coelho, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, alguns sinais observados no cotidiano podem ajudar os tutores a identificarem alterações no consumo de água. Mais do que observar se o animal “bebe muito” ou “bebe pouco”, é importante conhecer o padrão habitual do pet e perceber mudanças.
A seguir, confira alguns pontos que podem ajudar a acompanhar a hidratação do animal.
1. Observe quanto de água é colocado no bebedouro
Uma forma prática de estimar o consumo é medir a quantidade de água oferecida ao longo do dia. É possível colocar uma quantidade conhecida no recipiente e verificar quanto restou após determinado período, considerando possíveis perdas por derramamento e certificando-se de que o animal não tenha acesso a outras fontes de água.
“Conhecer o padrão de consumo do próprio animal é mais importante do que estabelecer um número rígido para todos os cães e gatos. Um animal que passa a beber muito mais ou muito menos do que o habitual merece atenção”, explica Rogéria Coelho.
2. Verifique a frequência com que o animal procura água
Passar a visitar o bebedouro repetidamente ou, ao contrário, deixar de procurá-lo pode indicar uma mudança. O aumento da sede pode ocorrer em dias quentes ou após atividades físicas, mas também pode estar associado a alterações de saúde, especialmente quando é persistente.
É importante observar se a alteração persiste ou se aparece acompanhada de outros sinais, como aumento da frequência urinária, perda de peso, vômitos, diarreia, apatia ou alterações no comportamento.
3. Fique atento à urina
A rotina de eliminação também pode oferecer pistas. Urina muito concentrada e em menor quantidade pode ocorrer quando o animal está ingerindo menos líquido. Já o aumento importante do volume e da frequência urinária , principalmente acompanhado de maior ingestão de água, merece avaliação profissional.
“Alterações no consumo de água e na produção de urina precisam ser observadas em conjunto. O tutor não deve tentar corrigir uma mudança persistente apenas oferecendo mais água, porque ela pode estar relacionada a alguma condição que precisa ser investigada”, orienta a especialista.
4. Observe as gengivas e o comportamento
Gengivas muito secas ou pegajosas, apatia, fraqueza e redução do interesse por alimentos podem aparecer em situações de desidratação. Porém, esses sinais não devem ser utilizados isoladamente para determinar se o animal está desidratado. A avaliação veterinária pode envolver exame físico e, dependendo do caso, exames complementares.
A análise do estado de hidratação deve considerar o conjunto de sinais e, quando necessário, ser realizada por um médico-veterinário. Em situações de vômitos ou diarreia, por exemplo, a perda de líquidos pode ser significativa, mesmo que o animal ainda esteja bebendo água.
5. Considere o tipo de alimentação
A quantidade de água ingerida diretamente no bebedouro não representa necessariamente todo o líquido consumido pelo animal. Cães e gatos alimentados com ração úmida , por exemplo, recebem uma parcela importante de água por meio da alimentação.
Por isso, a avaliação deve considerar a dieta, a temperatura do ambiente, o nível de atividade física e as características individuais do pet . “Em animais alimentados predominantemente com ração seca, uma parcela maior da ingestão de água ocorre diretamente pelo bebedouro”, explica a veterinária.
Como estimular o pet a beber mais água?
Para facilitar o acesso à água, mantenha mais de um recipiente disponível em locais diferentes da casa, especialmente em ambientes grandes ou quando há mais de um animal. Os potes devem permanecer limpos e ser abastecidos com água fresca.
No caso dos gatos, que podem apresentar preferências individuais quanto ao local e ao tipo de recipiente, algumas estratégias podem ajudar, como disponibilizar fontes de água corrente e manter os recipientes em locais tranquilos, limpos e afastados da caixa de areia . Para alguns animais, também pode ser útil oferecer água em local separado da alimentação.
Rogéria Coelho também alerta que mudanças persistentes não devem ser normalizadas. “Se o animal apresentar uma mudança significativa e contínua no consumo de água, especialmente se estiver bebendo muito mais ou muito menos do que o habitual, o ideal é procurar um médico-veterinário para investigar a causa”, afirma.
Lembrando também que não existe uma única quantidade de água que possa ser considerada ideal para todos os cães e gatos. A necessidade hídrica varia de acordo com fatores como espécie, tamanho corporal, idade, alimentação, temperatura ambiente, nível de atividade e estado de saúde.
Por Luana Figueiredo