Publicado em 18 de abril de 2023 às 17:23
- Atualizado há 3 anos
A busca por imóveis fora do país tem crescido no Brasil e também no Espírito Santo. Entre as razões dessa intensificação estão o anseio dos investidores pela maior diversificação de aplicações, maior expressividade na rentabilidade, maior chance de valorização imobiliária ou simplesmente para proteger o patrimônio em moeda forte e fazer um bom planejamento sucessório. >
O corretor e advogado especialista em Direito e Negócios Imobiliários Germano Margotto aponta que essa modalidade de investimento consiste na “procura por propriedades de qualidade em mercados ordenados e transparentes fora do país, visando um favorável retorno de investimento”.>
"Diferentemente de como se investe no Brasil, cada país tem um regramento próprio para os temas que envolvem os negócios imobiliários, como aspecto jurídico, tributário, contábil, intermediação, imigração, notarial e registral. E os corretores de imóveis e advogados desempenham um papel mais amplo nessas transações do que no Brasil”, explica ainda.>
Para o presidente do Grupo Proeng S.A., Lamberto Palombini Neto, outro benefício de investir fora do Brasil, em especial para empresas, é abrir mais possibilidades e ganhar vantagem em relação à concorrência, já que a empresa tem investido também fora do Brasil. "Estamos sempre nos testando, checando nossa musculatura empresarial e nos superando. Não há outra forma de sobrevida para empresas. É preciso ampliar limites. Nosso time, cada vez mais, mostra esta força e nossa adaptação. Buscamos ter o grupo apoiado em dois países que se somam. Eis o nosso desafio", pontua.>
>
Brasileiros de olho lá fora
Proprietário de uma incorporadora e construtora ativa no mercado imobiliário da Flórida, a W Group USA, Wagner Nolasco conta que a empresa tem diversos projetos de construção de residências unifamiliares e multifamiliares em andamento, naquele país localizados em uma distância de 160 quilômetros da sede. Esses projetos somam mais de US$ 600 milhões em potencial de vendas e mais de 3,2 mil unidades a serem entregues até o final de 2023, entre apartamentos, casas, duplex e quadriplex em diversas localidades da região. "Nos mais de 20 anos de experiência, possibilitei que outros brasileiros investissem no mercado imobiliário da Flórida, abrindo diversas possibilidades de renda passiva", acrescenta.
O presidente eleito do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 13ª Região (Creci-ES), Aurélio Capua Dallapicula, também reforça a importância de se munir-se de conhecimento. “Via de regra, cada localidade tem uma legislação e uma forma distinta de tratar a comercialização imobiliária, seja na fiscalização, seja no financiamento, seja na documentação pertinente”, afirma.>
O corretor e advogado especialista em Direito e Negócios Imobiliários Germano Margotto avalia que, para moldar a decisão sobre o investimento e realizar transações imobiliárias bem-sucedidas, o investidor precisa saber identificar as oportunidades nos mercados, os padrões de investimentos e as tendências atuais de atividade imobiliária, observando, principalmente, as questões culturais, as normas jurídicas, os fatores geográficos e econômicos dos mercados. >
Germano Margotto
Especialista em Direito e Negócios ImobiliáriosA escolha também deve ser feita com base no baixo risco, no crédito acessível e disponível, no retorno de investimento aceitável e na existência mercados bem estruturados. Atualmente, os Estados Unidos são o país onde os brasileiros mais investem em imóveis, segundo Margotto, ocupando cerca de 54% dessas alocações imobiliárias. Em seguida, está o Reino Unido, com cerca de 6% e em terceiro, o Canadá, com 4% (tabela abaixo).>
Nos próximos três a cinco anos, segundo o especialista em Direito e Negócios Imobiliários, a expectativa de aumento de investimentos imobiliários feitos por brasileiros é de 77% nos Estados Unidos; enquanto Europa, Canadá, Austrália e Reino Unido têm expectativa de crescimento de 49%, 22%, 25% e 7%, respectivamente.>
Ele destaca ainda as cinco melhores cidades para investimento imobiliário planejado, que são: Austin (Texas, nos EUA), Atlanta (Geórgia, nos EUA), Boston (Massachusetts, nos EUA), Dallas (Texas, nos EUA) e Londres. Nova Iorque (EUA) aparece em 6º, Paris (França) em 11º, Tóquio (Japão) em 13º e Munique (em Bavária, na Alemanha) em 14º.>
“Hoje, os investidores também se preocupam mais com as questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa (ESG), tendo como os três principais critérios para a tomada de suas decisões imobiliárias a gestão de energia e resíduos, construção ecológica, certificação e pegada de carbono”, observa.>
Ainda, segundo o advogado especialista, são diversos os fatores que podem influenciar para onde e por que o capital flui, sendo que eles são determinantes para saber o momento ideal para arriscar nesse tipo de negócio, dos quais destaco o balanço de pagamentos, produto interno bruto (PIB) e produto nacional bruto (PNB), eventos políticos, eventos globais, taxas de inflação, valor da moeda, taxa de juros, consumo, poupança, ciclos de negócios e escolhas de investimentos. >
“Na maioria dos casos, comparar o desempenho econômico, as taxas de juros e as de câmbio de um país ou região com as de outro fornece uma noção de como os fluxos de comércio e investimento evoluirão”, frisa.>
Para fazer essas análises, o presidente em exercício do Creci-ES, Antônio Alberto Coutinho, adiciona que algo comum em todas as partes do mundo é sempre ter a assessoria de um bom corretor de imóveis. “Esse profissional precisa conhecer a região a que se pretende investir para que possa verificar a melhor área, considerando vizinhança, mobilidade, acessibilidade, conforto, segurança. Em resumo, o local adequado para a finalidade a que se deseja investir, tanto para uso residencial, quanto para uso comercial ou misto”, finaliza.>
Por fim, os especialistas ressaltam que a compra de imóveis em um país estrangeiro exige o envolvimento de profissionais com competências principalmente na área do Direito, intermediação imobiliária, administração de propriedades, imigração, investimento e contabilidade. >
"O corretor de imóveis e o advogado podem ajudar o investidor estruturando uma equipe de profissionais especializados, sendo comum o envio de consultores preliminares para fazer uma análise prévia de mercados com a busca de imóveis e oportunidades de investimentos", lembra Germano Margotto.>
Já as transações bancárias, dúvida comum para quem está começando, podem ser feitas por meio de transferência internacional, que é um processo de câmbio autorizado e regulamentado pelo Banco Central. Existem também corretoras e plataformas que facilitam o investimento diretamente no exterior.>
"Mas é importante verificar a legislação do país de destino, porque as transações devem ser feitas de acordo com as regras do país escolhido, das condições acordadas para o investimento e das normas tributárias e fiscais do Brasil. A contratação de uma assessoria especializada no país onde se pretende comprar o imóvel é de suma importância para ter a segurança necessária para o negócio", finaliza o advogado.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta