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Kelder Brandão

Hoje é dia de gritar contra todo tipo de exclusão

24º Grito dos Excluídos, hoje, debate várias formas de violência, de direitos trabalhistas a meio ambiente

Publicado em 06 de Setembro de 2018 às 13:57

Públicado em 

06 set 2018 às 13:57

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Kelder Brandão*

Em 1995, o então papa, hoje, São João Paulo II, dirigiu-se aos católicos do Brasil, por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade “Eras Tu, Senhor?”, com essas palavras: “Promovida pelos senhores bispos, vai começar mais uma Campanha da Fraternidade neste dileto país sobre o tema ‘Eras tu, Senhor?’, lembrando o dever do cristão de acolher o irmão ‘excluído’ que se identifica com a pessoa de Jesus Cristo.”

Assim nasceu o Grito dos Excluídos, das entranhas da CNBB, abençoado por São João Paulo II, acolhido, cuidado e alimentado durante décadas pela Arquidiocese de Vitória, sindicatos, movimentos sociais e populares. Foi uma infância, adolescência e início de juventude lindas, com muitas realizações.

Agora, o Grito dos Excluídos não é mais coordenado pela Arquidiocese de Vitória. Ele cresceu, emancipou-se e, hoje, auto-organiza-se. Mais de 20 entidades, sob o protagonismo das juventudes de Terra Vermelha, entre sindicatos, movimentos sociais e populares, pastorais sociais e coletivos jovens estão organizando o 24º Grito dos Excluídos, debatendo as várias formas de violência contra os direitos trabalhistas, direitos humanos, ocupações urbanas, direito à moradia e à cidade e ao meio ambiente.

Mais de 20 entidades, sob o protagonismo das juventudes de Terra Vermelha, entre sindicatos, movimentos sociais e populares, pastorais sociais e coletivos jovens estão organizando o 24º Grito dos Excluídos

Este ano, o Grito dos Excluídos acontecerá na Grande Terra Vermelha, hoje, com o lema: “Desigualdades gera violência. Basta de Privilégios!”, em sintonia com a Campanha da Fraternidade de 2018, “Fraternidade e Superação da Violência”.

Leigos, clérigos, agentes de pastorais e militantes juntar-se-ão aos excluídos e sairão às ruas para denunciar a violência gerada pelas desigualdades sociais, que interrompe vidas pobres, negras, agrárias, indígenas, homoafetivas e femininas no Espírito Santo, que é um dos lugares mais violentos do mundo, enquanto que outras vidas, vidas abastadas, gozam de proteção e privilégios tutelados pelo Estado.

Ao invés de participar do culto às armas que matam, promovido pelo Estado, é importante participar deste grande ato de promoção da vida, que é o Grito dos Excluídos, pois, retomando as palavras de São João Paulo II em 1995: “...venho recordar a todos que não é possível verdadeiro progresso na sociedade, se faltar um profundo sentido de solidariedade entre todos. O povo brasileiro sempre tem sido generoso e capaz de suprir, por vezes com verdadeiras mobilizações populares, para ajudar os que sofrem.”

*O autor é padre da Arquidiocese de Vitória

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