O combate à violência se mostra cada vez mais desafiador, e a cada acontecimento estarrecedor fica mais evidente que não há espaço para a inércia das autoridades. O assassinato brutal da empresária Simone Venturin Tonani, atacada por um usuário de crack com um vergalhão na frente do próprio filho, chocou a todos pela gratuidade.
Não foi uma briga, não foi um assalto - situações que também seriam obviamente injustificáveis. Mas, nesse caso, a empresária acabou sendo vítima das circunstâncias, por estar no lugar errado, na hora errada. Não deixa de ser absurdo, principalmente por ser a Avenida Champagnat uma das vias mais importantes de Vila Velha. Simone era uma cidadã, no seu direito de ir e vir pela cidade.
Mesmo que haja certa casualidade nessa tragédia, ela não pode ser encarada como uma mera fatalidade. Sim, poderia ter sido evitada. Seu algoz, um viciado em drogas, provavelmente estivesse alheio ao próprio ato, mas a sua presença nas ruas é inaceitável, diante dos relatos de moradores da Praia da Costa que apontam seu comportamento violento. A agressividade do morador de rua já era conhecida na região. Causa mais consternação se dar conta de que, com uma legislação mais enérgica para esses casos, a empresária ainda estivesse viva.
Não é o caso de criminalizar os moradores de rua, de forma generalizada. Mas a situação do reciclador Felipe Rodrigues Gonçalves, conhecido como Alemão, é emblemática: uma pessoa transtornada pelo consumo excessivo de entorpecentes, que tinha passagens pela polícia, tendo sido detido pelo menos seis vezes desde dezembro. Na véspera do crime, tinha tentado estrangular uma mulher. É triste, mas era questão de tempo para que algo assim ocorresse. Alguém com um histórico desses não deveria estar nas ruas.
É mais um caso de prende e solta, mesmo com as evidências dos crimes e de sua reincidência. A internação compulsória, mesmo diante da saúde mental debilitada, não é permitida. Não há muito a se fazer quando a lei deixa o poder público de mãos atadas, mas é urgente superar essa apatia.