O governador Paulo Hartung (PMDB) se manifestou contra a ideia, já apresentada pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB), de juntar o novo Aeroporto de Vitória com o do município de Macaé, no Rio de Janeiro, em um mesmo pacote, no leilão para concessão dos terminais à iniciativa privada, previsto para ocorrer em dezembro, antes do Natal.
"Essa é uma discussão que nós temos que fazer. Vamos literalmente juntar um aeroporto que é superavitário (o de Vitória) com outro que é deficitário (o de Macaé). E, nesse caso, o Estado mais fraco é que vai carregar o mais forte. Isso não me parece razoável", afirmou Hartung, em seu gabinete, no início da tarde desta quarta-feira (02), diante de prefeitos, empresários e secretários de Estado.
Essa foi a primeira vez que Hartung se pronunciou publicamente sobre o tema.
Entenda
Segundo o governo federal, os preços de outorga de cada bloco, incluindo o dos aeroportos de Vitória e de Macaé, que estão juntos, devem ser apresentados no dia 15 de maio, quando os projetos entram em consulta pública. O plano do governo é encaminhar as minutas dos editais ao Tribunal de Contas da União (TCU) no terceiro trimestre e publicar as propostas finais em meados de setembro.
Segundo o “Estado de S. Paulo”, o valor mínimo de outorga para o bloco do Sudeste – Vitória e Macaé – será de aproximadamente R$ 350 milhões. O valor de outorga é o preço mínimo que o governo estipula para leiloar o empreendimento e repassá-lo ao setor privado. Já o valor estipulado para obras obrigatórias no terminal capixaba caíram de R$ 779,2 milhões para R$ 331 milhões.
BR 262
A fala de Hartung sobre o aeroporto surgiu em meio a evento relacionado a outra pauta relacionada à infraestrutura logística do Espírito Santo: a assinatura da licença ambiental para início das obras federais de duplicação da BR 262, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, se o Dnit quiser, já pode iniciar as obras de duplicação nesta quinta-feira (03). Já o governador destacou a importância da concessão da licença, comparada por ele ao desenterro de uma "cabeça de burro" (expressão usada para se referir a problemas históricos, difíceis de resolver e que se arrastam no tempo). "Fazer isso aqui é quase como desenterrar uma cabeça de burro."
Hartung ainda ressaltou a necessidade de obras de manutenção e melhorias viárias na rodovia que corta o território capixaba horizontalmente e que liga a Grande Vitória a Belo Horizonte. "Tenho falado sempre com o doutor Halpher Luiggi (diretor-executivo do Dnit). A 262 é uma via que está precisando de muitas intervenções ali, está precisando de manutenção permanente."
Apesar das dificuldades e atrasos nos cronogramas de duplicação de rodovias federais no Espírito Santo, o governador deu à sua fala um tom otimista. "Estamos conseguindo dotar o Estado daquilo que ele precisa: de infraestrutura. Hoje quem anda na BR 101 está vendo o início de muitas obras. São obras importantes, que movem a economia, geram emprego e renda."
Invisibilidade
Segundo Hartung, o Espírito Santo deixou de ser invisível e hoje atrai a admiração do resto do país. "Olhavam para o nosso Estado e não nos viam. Tínhamos uma invisibilidade para o resto do país. Acho que nós quebramos isso. Hoje não só nos veem como nos admiram."