Há quem diga que o governo Hartung ficou manchado pela greve da Polícia Militar de fevereiro do ano passado. Que os sinais de insatisfação dos policiais já eram visíveis há muito tempo e, por isso, o governo deveria ter se antecipado e resolvido os problemas antes que eles se agravassem. Que, ao invés disso, o governo teria agido com intransigência, dando, em grande medida, motivos para que a greve ocorresse.
Os críticos se esquecem, contudo, que o Espírito Santo, assim como todo o país, passava por um período de grave recessão, fruto do desastre que representou a política econômica implementada pelo governo Dilma. Recessão que, diga-se de passagem, foi ainda maior no Espírito Santo por causa da paralisação das atividades da Samarco, que representavam algo em torno de 5% do PIB estadual.
No olho do furacão recessivo, o governo Hartung fez o que tinha que tinha que fazer: adotou uma política de austeridade fiscal rigorosa que permitiu ao Estado atravessar a crise sem atrasar um único pagamento a quem quer que seja. Ceder à pressão de uma corporação, naquele momento, fosse ela quem fosse, representaria o fim do equilíbrio fiscal e um mergulho no descontrole financeiro tal como aconteceu com o Rio de Janeiro, Minas, Rio Grande do Sul e dezenas de outros Estados brasileiros.
Alguém ainda tem dúvidas de que ceder às pressões dos policiais militares significaria abrir a porteira para dezenas de reivindicações semelhantes de outras categorias do funcionalismo público? Hartung acertou ao manter a ordem e a coerência ao optar pelo equilíbrio fiscal, evitando que seu governo terminasse antes da hora.
Se hoje o governo Hartung é citado como referência de administração responsável, que conseguiu manter as contas em dia e, mesmo assim, cravou conquistas importantes na área social – como o Escola Viva na educação, a Rede Cuidar na saúde e a redução de homicídios na área de segurança pública –, isto só se tornou possível graças à atitude firme tomada de não ceder às pressões de uma greve que, além de tudo, era ilegal.
Ao contrário do que muitos pensam, dinheiro do governo tem dono, e este dono é a população que paga impostos. É dever do governante dar aos recursos públicos uma destinação correta e responsável. Por isso, administrar bem não é ceder a pressões, principalmente aquelas que desrespeitam as leis. Administrar bem é tomar decisões acertadas nos momentos certos.
Hartung fez isto durante a greve da PM. É por isso que, ao encerrar o seu mandato, recebe o aplauso de todo o país e é apontado como exemplo a ser seguido pelos demais Estados brasileiros.