Uma guerra comercial em escala impactante para o PIB mundial é a principal ameaça externa, no momento, para o Brasil e para o Espírito Santo – devido ao amplo grau de abertura da economia capixaba para o exterior.
Um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), envolvendo 124 países, assinala que em caso de elevação máxima da tensão entre Estados Unidos, China e outras potências, as tarifas médias aplicadas às exportações brasileiras subiriam dos atuais 5% para 32%, o que obviamente tolheria o embarque de vários produtos. O fato se agravaria pelas dificuldades decorrentes da desaceleração do crescimento global.
Hoje, o setor industrial brasileiro já é prejudicado diretamente por 16 tipos de barreiras comerciais, sendo 12 não tarifárias e quatro tarifárias
A questão, agora, é saber qual a extensão do dano desse cenário no PIB brasileiro e no do Espírito Santo. Em relação aos embarque pelos portos capixabas, vale lembrar a perspectiva de queda nos preços das commodities, atingindo em cheio valor das exportações. Isso já começa a acontecer com o petróleo e com alguns itens do agronegócio.
Hoje, o setor industrial brasileiro já é prejudicado diretamente por 16 tipos de barreiras comerciais, sendo 12 não tarifárias e quatro tarifárias, segundo pesquisas da Fundação Getúlio Vargas, feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria. O quadro está mesmo feio. Somente no ano passado, exigências sanitárias e fitossanitárias de outros países reduziram em US$ 30 bilhões as vendas brasileiras de bens e serviços ao exterior.
Essa situação reflete baixo poder de barganha do Brasil no âmbito internacional, o que atinge pelo menos 14% dos produtos para exportação, de acordo com a avaliação da FGV. Tal fragilidade se acentuará com o alastramento do protecionismo, minando o sistema multilateral de comércio.
Há outros aspectos a considerar. O conflito comercial intenso causa inquietação no sistema financeiro internacional, abalando sobretudo os mercados emergentes, como o Brasil, em função do aumento da aversão ao risco. E a consequente valorização do dólar pressiona a inflação.
Ao mesmo tempo, investidores em diferentes setores ficam com o freio de mão puxado. Decisões aguardam situações mais confortáveis.