Somam 9.062 as empresas criadas no Espírito Santo neste ano, até setembro, de acordo com os dados da Junta Comercial. É um número expressivo. Em contrapartida, 5.831 foram fechadas no mesmo período, uma quantidade assustadora. Em meio a esse fluxo de entrada e saída do mercado, uma pergunta não cala neste momento: qual será o futuro do empreendedorismo a partir de 2019, quando o país terá novo governo?
Apesar de crescentes, as economias capixaba e nacional ainda estão longe da reversão completa do período recessivo. O grito do desemprego exprime de forma dolorosa essa situação. No Espírito Santo, 356 mil buscam vagas de trabalho. No Brasil, são 26,7 milhões.
Mesmo que sejam feitas reformas, como a da Previdência, o Brasil não recuperará os estragos da recessão antes de 2020, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas. O mesmo ocorre no Espírito Santo. O PIB capixaba recuou em 2015 (-2,1%) e em 2016 (-9,3%). Voltou a crescer em 2017 (1,7%), e deve avançar 1,8% em 2018, de acordo com estimativas. Ainda assim, o valor do PIB estadual será inferior ao de 2014.
Essa situação torna indiscutível a necessidade de melhoria do ambiente de negócios. Tanto para estimular a criação de empresas – se possível, expandir o ritmo atual –, como para ajudar a manter operando as que estão em funcionamento. É preciso reduzir a mortalidade de negócios. Cerca de 700 mil empresas são ceifadas por ano em todo o país. A retomada atual está pior do que a dos anos 1980, a década perdida. É necessidade crucial impulsionar o PIB, apesar das dificuldades fiscais, que deverão perdurar por pelo menos mais três anos.
O motor do crescimento é a iniciativa privada, que necessita de bom cenário para investir. Para isso, é fundamental que o próximo governo infunda confiança nos rumos de economia. Terá de vencer resistências políticas e adotar medidas acertadas, como a reforma da Previdência, a diminuição do tamanho da máquina pública (buscando mais eficiência com menor custo), aceleração das concessões ao setor empresarial nas áreas de transporte, saneamento, energia, etc.
Para 2019, conforme análise do Sebrae a partir de dados da Receita Federal, a expectativa é de que sejam criadas 1,5 milhão de novas empresas de todos os portes, desde microempreendedores individuais. Dependerá de ações conjuntas do Palácio do Planalto com o Congresso a ampliação ou a deterioração dessa perspectiva.