Depois de 20 anos sob a gestão da iniciativa privada, o Parque Estadual Agropecuário Floriano Varejão, o Pavilhão de Carapina, na Serra, voltará a ser administrado pelo governo do Estado. Este fato já é conhecido desde outubro, quando a Secretaria de Turismo publicou no Diário Oficial o decreto que define o dia 29 de dezembro para a mudança. O que ainda não se sabe com clareza é como vai ser a condução das atividades na área de eventos daí para frente.
Existem questionamentos entre alguns setores, especialmente o de turismo e negócios, se haverá mais burocracia nas negociações com os clientes, se os custos para a realização dos eventos serão mais elevados, se o governo terá capacidade de realizar a manutenção da estrutura de cerca de 165 mil metros quadrados, se poderá acontecer uma mudança de foco em relação às atividades, e até quando o pavilhão ficará sob a tutela pública.
Mas responder tudo isso neste período de transição de governo não é simples. Por mais que integrantes das equipes atual e nova se disponham a falar sobre o assunto e garantam que o foco permanecerá na realização de feiras de negócios, só mesmo a partir do próximo ano é que decisões poderão ser tomadas e ações efetivadas.
A transferência das mãos de empresários para o setor público aconteceu porque o contrato de arrendamento, firmado em 1998, chegou ao fim e outro modelo de negócio, como uma concessão, não foi estruturado a ponto de ser viabilizado imediatamente ao término do contrato atual. O governo do Estado até tentou encontrar saídas, quando realizou uma licitação de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). O objetivo era que fossem feitos estudos de viabilidade técnica, econômico-financeira e jurídica para a estruturação e revitalização da área. Acontece que a iniciativa não teve o sucesso desejado e aí ficou tarde para dar sequência a um plano B, resultando no retorno da gestão do Pavilhão de Carapina para o Estado.
Esse cenário, entretanto, não deve ser permanente na visão de Cecília Milanez Milaneze, que é sócia do atual arrendamento. “Acredito que esse equipamento tem que ser privatizado ou passar por uma PPP. É uma área que precisa receber investimentos iniciais de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões para que possa ter um bom padrão. Nós fizemos investimentos ao longo dos anos, mas não foram suficientes para avançar em tudo o que é preciso. A gestão pelo governo é só um processo transitório. Tenho muita confiança que o pavilhão vai melhorar.”
O sócio de Cecília, Zezinho Boechat, que há duas décadas administra o espaço de eventos, não tem o mesmo otimismo. Ele vê com apreensão se o Estado será capaz de arcar com as elevadas despesas mensais, como energia, água e pessoal, que, segundo ele, são da ordem de R$ 100 mil a R$ 120 mil. “O governo vai terceirizar esses serviços e o custo será de R$ 440 mil mensal, ou seja, de mais de R$ 5 milhões por ano. É muito mais do que o faturamento que estamos prevendo para 2018, que não chega a R$ 2 milhões.”
O secretário de Turismo, Paulo Renato Fonseca Junior, explica que, pelo calendário de eventos que já foi fechado até o momento para 2019 – inclusive com 30% a mais de datas do que em 2018 – tudo indica que o espaço vai fechar no azul. “O custeio está previsto dentro do orçamento. Até agora a conta está no zero a zero, mas conforme forem sendo fechados mais eventos para o próximo ano, a tendência é de termos um saldo positivo.”
Fonseca pondera que a sugestão que a atual equipe está deixando para a nova, por meio das reuniões da transição, é de que o Pavilhão de Carapina seja gerenciado pelo Estado por cerca de dois anos, período suficiente para um novo modelo ser estudado. Ele acrescenta que é importante pensar outros equipamentos para agregar e atrair o interesse privado, como viabilizar hotel e comércio. “A gente entende que a área é muito importante, mas não só para realizar feiras.”
Álvaro Duboc, coordenador da equipe de transição do governo Casagrande, diz que essa situação caiu no colo do novo time, que vai ter que administrar a herança deixada pelo grupo de Paulo Hartung. “O atual governo não promoveu medidas necessárias para um novo processo licitatório, então não há outra alternativa que não seja assumir a gestão do espaço. Vamos esperar assumir para só então tomar as decisões. De imediato, o que vamos buscar é preservar esse patrimônio do Espírito Santo.”
Um pedido do segmento de turismo e negócios é que o Estado dê mais versatilidade ao pavilhão, atendendo não só às feiras já tradicionais, mas estruturando o local para receber congressos com capacidade para mais de 3 mil pessoas. O presidente do Convention & Visitors Bureau, Cláudio Cardoso, destaca ainda que é importante que a nova equipe esteja em sintonia com as demandas do setor, afinal, já nos falta infraestrutura de ponta, retroceder seria demais!
Novas empresas no setor atacadista
A crise, que trouxe tantos prejuízos para a economia local e nacional, não abateu da mesma forma o segmento atacadista capixaba. De 2015 a 2017, as empresas do setor no Espírito Santo viram o faturamento crescer 34,1%. É o que mostra uma pesquisa encomendada pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado (Sincades) ao Ideies, que será divulgada nesta sexta-feira (14).
Para o presidente do Sincades, Idalberto Moro, as perspectivas para o próximo ano são ainda mais positivas. Segundo ele, há uma previsão de avanço em cerca de 50% no número de atacadistas inscritas no contrato de competitividade. “A previsão é que o setor ultrapasse a marca de 1.000 empresas e gere mais de 50 mil empregos diretos e indiretos.”