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Vitor Vogas

Givaldo Vieira troca PT por PCdoB

Deputado ficou sem espaço no partido após rompimento com João Coser

Publicado em 07 de Março de 2018 às 14:51

Públicado em 

07 mar 2018 às 14:51
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Givaldo Vieira decide se filiar ao PCdoB Crédito: Rodrigo Pertoti/Agência Câmara
Após quase 30 anos de filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado federal Givaldo Vieira confirma: vai se filiar ao Partido Comunista do Brasil, o PCdoB. Givaldo decidiu mudar de sigla agora, durante a janela para trocas partidárias – desta quinta-feira (8) até 7 de abril –, após profundos desentendimentos com o grupo que atualmente comanda o PT no Espírito Santo, sobretudo com o atual presidente estadual, João Coser.
O deputado nega, porém, que a mudança tenha sido motivada por qualquer “diferença pessoal”. Afirma que seu rompimento não é com a pessoa de Coser, nem com o PT, mas com o caminho político adotado pela direção estadual do partido, criticado duramente por ele. “É uma linha política equivocada, que levou a um atrelamento do PT ao governo Paulo Hartung (PMDB), um governo retrógrado que promove arrocho social, portanto incompatível com o que pensa e prega o PT. Acrescento a isso a eleição que tivemos no PT, resolvida de forma equivocada. Isso criou para mim uma falta de ambiente interno para continuar atuando dentro do PT do Espírito Santo.”
Givaldo assegura que será candidato à reeleição e que continuará fazendo oposição ao governo Temer (PMDB) e ao governo Paulo Hartung no Espírito Santo.
Mas por que optou pelo PCdoB como nova casa? “É um partido histórico, coerente com as causas e as bandeiras populares, com a defesa dos trabalhadores, com a manutenção dos direitos e da democracia. E essa postura do PCdoB tem muita identidade com aquilo em que sempre acreditei. Então, as razões estão ligadas à minha identidade com o partido.”
Briga com Coser
Historicamente, Givaldo e Coser eram grandes aliados no partido e pertenciam à mesma corrente interna. Mas o relacionamento político entre eles começou a degringolar em meados de 2016. Já em 2017, Givaldo liderou um movimento de oposição interna a Coser. Em maio, encabeçou uma chapa formada por adversários de Coser no PT-ES e disputou com ele, em convenção, a presidência estadual do partido.
A eleição interna foi marcada por polêmicas, reviravoltas e traições. No fim, Coser venceu por margem mínima de votos, mantendo-se na presidência. Givaldo recorreu à direção nacional do PT, mas o resultado ficou mantido. Desde então, o deputado se afastou completamente do dia a dia do partido no Estado. Mesmo tendo direito a um assento na Executiva estadual do PT, ele já não frequentava as reuniões. 
Confira, abaixo, a entrevista completa do deputado. 
Por que o senhor optou pelo PCdoB?
É um partido histórico, coerente com as causas e as bandeiras populares, com a defesa dos trabalhadores, com a manutenção dos direitos e da democracia. E essa postura do PCdoB tem muita identidade com aquilo em que sempre acreditei. Então, as razões estão ligadas à minha identidade com o partido.
No início deste ano, o senhor chegou a flertar com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do ex-governador Renato Casagrande, com quem tem afinidade. O senhor inclusive foi vice de Casagrande durante o governo do socialista (2011/2014). Por que essa conversa não evoluiu?
Em relação ao PSB, nós tivemos uma conversa natural, por causa da minha relação fraterna e respeitosa com Casagrande e vice-versa. Sempre conversamos sobre política do Espírito Santo e do Brasil. Em dado momento, ele me disse que, se em algum momento eu sentisse dificuldades de seguir no PT, o PSB estaria de portas abertas. Então foi um gesto carinhoso, tenho muito carinho pelo PSB, mas as tratativas se deram basicamente com o Renato.
E por que o senhor decidiu sair do PT após 29 anos de filiação?
Em função do que vem acontecendo no PT do Espírito Santo nos últimos tempos. No Estado, o PT tem seguido uma linha política equivocada, que levou o partido a um atrelamento do PT ao governo Paulo Hartung, um governo retrógrado que promove arrocho social, portanto incompatível com o que pensa e prega o PT. Acrescento a isso a eleição que tivemos no PT (em 2017), resolvida de forma equivocada. Isso criou para mim uma falta de ambiente interno para continuar atuando dentro do PT do Espírito Santo.
O senhor sai rompido com João Coser?
Esse rompimento já ficou claro no processo interno. Não saio rompido com a base do PT. Tenho boa relação com pessoas pelas quais tenho muito respeito, como Helder Salomão. Não é um rompimento com o PT, mas com o caminho político que o PT tomou no Espírito Santo: um caminho equivocado de alinhamento a um governo retrógrado.
Mas o senhor considera que seu rompimento com a atual direção, especialmente com a pessoa de João Coser, tenha sido determinante em sua decisão?
Não colocaria o rompimento pessoal como determinante. Não tem nada pessoal nessa decisão. É uma decisão assentada apenas em questões políticas. Não atribuo isso a uma pessoa nem tomei decisão com base em diferenças pessoais.
O senhor é candidato à reeleição?
Serei candidato à reeleição. Acho que, se o povo do Espírito Santo me permitir pelo menos mais um mandato, terei muito a contribuir para o Brasil e para o Estado. Espero que essa eleição abra um novo cenário político para o Brasil e devolva a estabilidade política ao país.
O senhor também decidiu sair do PT por temer que, permanecendo no partido, não encontraria as melhores condições para se reeleger?
Considero que, entre os erros cometidos por esse comando irregular, está o fato de não ter preparado o partido para as eleições. Não formaram chapa de deputados estaduais e federais.
João Coser também se diz pré-candidato a deputado federal. Isso pesou para o senhor?
Não. Minha opção não está assentada na pessoa dele. E não é baseada primeiramente numa demanda eleitoral, e sim numa identidade com o PCdoB.
No Espírito Santo, o PCdoB terá candidatura na eleição majoritária, principalmente a governador?
Do que já ouvi dos dirigentes do PCdoB até o momento, a prioridade que tinham era fazer o PCdoB retornar à Assembleia Legislativa. E, com minha entrada, vamos trabalhar com a perspectiva de reeleição de um deputado federal, na posição que estou. E vou contribuir para o projeto de voltar a eleger um deputado estadual na Assembleia. Ainda não fiz essa discussão interna e não falo pelo partido. Mas a prioridade do PCdoB serão as eleições proporcionais: fortalecimento da representação parlamentar.
Nesse caso, na eleição a governador, considerando o leque de possíveis candidatos apresentados à sociedade capixaba, quem o senhor acha que o PCdoB deve apoiar? Rose de Freitas? Renato Casagrande?
Esse é um debate que teremos que fazer internamente. Não posso chegar apontando caminhos. E é prematuro dizer algo sobre um quadro ainda indefinido.
Mas, até por sua proximidade política com Casagrande, que o senhor mesmo pontuou, o senhor pretende defender que o PCdoB apoie candidatura de Casagrande a governador?
O Renato é uma opção muito natural, não só para minha consideração, mas, pelo que pude perceber, também entre quadros do PCdoB com quem já pude conversar. Acho natural que esse nome seja considerado com muito carinho. Mas preciso chegar, observar o acúmulo de discussões do PCdoB, enxergar o cenário, como vão se definir candidaturas regionais e nacionais, para aí sim definir direcionamento. O que posso dizer é que já informei ao partido que vou manter minha linha de oposição ao governo Temer e ao governo Paulo Hartung. São governos que têm rezado a cartilha do neoliberalismo e causado grande opressão ao povo mais pobre que precisa do Estado para alcançar suas demandas por melhores condições de vida.
Outros quadros do PT ligados ao senhor devem seguir seus passos e também migrar para o PCdoB a partir da sua decisão?
É natural que isso aconteça, até porque há uma grande insatisfação com os rumos tomados pelo PT no Espírito Santo. Certamente meu posicionamento vai orientar a decisão de muitos que já não se sentiam identificados com esses rumos. Certamente receberei o desejo de filiação de muitos companheiros. E serão bem-vindos ao meu lado nesta nova trincheira.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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