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Estilaque Ferreira dos Santos

Gerson Camata, um grande político e uma grande pessoa

Camata assumiu o governo e não decepcionou. Realizou uma obra notável. Ele priorizou o interior, onde construiu inúmeras obras, especialmente estradas e estimulou a reforma agrária

Publicado em 27 de Dezembro de 2018 às 09:10

Públicado em 

27 dez 2018 às 09:10

Colunista

Gerson Camata Crédito: Gildo Loyola
*Estilaque Ferreira dos Santos
Gerson Camata era descendente de imigrantes italianos, nasceu no interior do Estado e foi radialista em Vitória. Iniciou a sua carreira política em plena ditadura militar, elegendo-se vereador na Capital, em 1966, pela Arena, partido que apoiava e dava sustentação civil ao regime militar.
Sua trajetória política está assentada em dois fundamentos: a tradição familiar conservadora, de origem interiorana e imigrante, na qual ele se formou, e o novo espaço que estava se criando para a política no Brasil, em plena ditadura militar, derivado do processo de urbanização acelerada que o país e o próprio Espírito Santo estavam conhecendo naqueles dias.
Esse contexto moldou, em parte, a sua atuação e o seu perfil: o de um político de postura conservadora, que apoiava o regime militar sem constrangimento, mas que se mostrava muito sensível às demandas populares crescentes. Essas demandas se avolumavam num regime que promovia o crescimento econômico acelerado, mas que dava pouca atenção para as consequências sociais negativas desse crescimento.
No momento em que a crise do regime militar se aguçou de maneira irreversível, no início dos anos 80, quando a abertura “lenta e gradual” do regime já parecia sem volta, esse perfil de Camata produziu os seus melhores frutos: em 1982, com a volta das eleições diretas para o governo dos Estados, ele foi o nosso primeiro governador eleito. Contrariando sua história pregressa, Camata se elegeu como candidato da oposição, já que ele se transferira para o PMDB.
Em seu novo partido, porém, na Convenção Partidária, Camata teve que enfrentar e derrotar as antigas lideranças do velho MDB, chefiadas por Max Mauro, que ao contrário dele militara na oposição ao regime militar. Para isso Camata contou, paradoxalmente, com o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e até do jovem político Paulo Hartung, de quem ele permaneceu próximo até os dias de hoje. Camata se beneficiou também das divergências existentes no partido do governo, o PDS.
A campanha de Camata foi empolgante. O clima de redemocratização e de oposição ao governo, que prevalecia em quase todo o país, foi muito favorável a ele, mas também contou com a sua enorme capacidade de comunicação pessoal, seu tom vigoroso e afável, enfim, sua popularidade.
Camata assumiu o governo num clima de muitas expectativas. Mas a situação que ele pegou não era nada fácil. Tanto que o ex-governador Elcio Alvares, que era acusado por seus correligionários de o estar apoiando de forma “discreta”, às vésperas do pleito previu a vitória de Camata, mas afirmou publicamente que ele iria “pegar um abacaxi”.
Mesmo assim, Camata assumiu o governo e não decepcionou. Realizou uma obra notável. Ele priorizou o interior, onde construiu inúmeras obras, especialmente estradas e estimulou a reforma agrária. Na Capital, ele reiniciou a Terceira Ponte, não chegando a concluí-la.
Deixou o governo em março de 1986, sendo substituído por José Moraes, para candidatar-se ao Senado. Apesar de desfrutar de enorme popularidade, que ele poderia ter utilizado para voltar tranquilamente ao governo do Estado, preferiu reeleger-se por mais duas vezes ao Senado, onde terminou sua carreira política. Na função prestou relevantes serviços ao nosso Estado. Apesar de afastado formalmente da política, ele ainda desfrutava de enorme prestígio em nosso Estado, onde é muito querido. É muito respeitado nacionalmente como um grande político e uma grande pessoa. Morreu de forma lamentável um grande político capixaba e brasileiro. Estamos de luto.
*Estilaque Ferreira dos Santos é historiador

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