A fusão da Fibria e Suzano, sem dúvida o maior acontecimento econômico do ano no país, especificamente para o Espírito Santo, concretiza a integração de dois projetos que nas suas origens contêm cargas de um mesmo DNA: a Vale. A primeira, pelo fato de que na sua concepção, enquanto Aracruz Celulose, ainda na segunda metade da década de 1960, contou com o aporte de duas mentes brilhantes, criativas e corajosas: Eliezer Batista, pela Vale; e Erlin Lorentzen, um norueguês “navegador” e ousado, pelo lado da Aracruz, inicialmente Aracruz Florestal.
A primeira fábrica da Aracruz foi inaugurada em 1976. Já a Suzano, que nasceu como Bahia Sul, teve no seu projeto societário original a participação da Vale, em 45%, e da própria Suzano, com 55%. O negócio começou a ser estruturado em 1985. No entanto, a fábrica que hoje é chamada de Suzano, localizada em Mucuri-BA, foi inaugurada em 1993. Aliás, é bom lembrar que a primeira opção para o projeto foi o Espírito Santo.
O mais interessante dessa história é que celulose e minério de ferro são atividades tidas como técnica e operacionalmente antagônicas. Não podem conviver num mesmo espaço em razão de potenciais problemas de contaminação da celulose por materiais metálicos. Porém, em termos de estratégias de negócios e ganhos sinérgicos, inclusive intangíveis, podem dar bons frutos. A Aracruz Celulose foi uma dessas associações que aconteceu no campo do intangível, juntando ideias, ideais e visão de negócio de dois personagens fortes e com visão clara de futuro.
Agora, dois entes de um mesmo DNA se unem pela mesma lógica sinérgica que os viabilizou. Suzano e Fibria, que operam praticamente numa mesma base territorial, Espírito Santo e Sul da Bahia, sob um comando corporativo único, poderão obter ganhos significativos em eficiência de gestão e operação, em logística e em pesquisas. Na área florestal, por exemplo, há espaço para redefinição de bases de suprimento, uma vez que a Suzano dispõe de plantios próximos a Aracruz. O mesmo acontecendo com a Suzano em relação aos plantios no Sul da Bahia.
Tudo nos leva a crer, no entanto, que maiores ganhos advirão da logística e da escala, dois fatores que normalmente são considerados estratégicos principalmente na produção de commodities. Para o Espírito Santo, a expectativa é de que esse novo evento fortalecerá a sua posição de especialização e de polo produtor de celulose e derivados. Fortalecerá, por exemplo, a posição de “hub” logístico de Barra do Riacho, confirmando e consolidando, assim, a proposta de plataforma logística conforme projetada no Plano de Desenvolvimento do Espírito Santo ES 2030.
*O autor é economista