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João Baptista Herkenhoff

Funcionalismo público é tratado como bode expiatório

Sem os funcionários públicos, as administrações não cumprem seu papel de serviço ao povo

Publicado em 18 de Setembro de 2018 às 14:55

Públicado em 

18 set 2018 às 14:55

Colunista

Amanhã, 20 de setembro, é o Dia do Funcionário Municipal. Na organização política do Brasil, temos três órbitas de governo – federal, estadual e municipal. Em consequência, três categorias de funcionários públicos. Nenhum funcionário está mais perto do povo que o funcionário municipal – o gari que cuida da limpeza de minha rua, a funcionária da biblioteca pública do meu bairro, a equipe de servidores que zela pela última morada de todos os mortais.
Sem os funcionários públicos, as administrações não cumprem seu papel de serviço ao povo. Afirmam vozes irresponsáveis, que se pretendem respeitadas: o mal do Brasil está no funcionalismo público. Essa categoria social tem muitos direitos, em contraste com o pouco trabalho prestado.
A busca de um bode expiatório para diagnosticar as dificuldades de um povo não é fenômeno recente.
Umberto Eco, no romance “O Nome da Rosa”, aponta a mentira de sempre: é preciso encontrar e realçar um falso inimigo a fim de que os verdadeiros inimigos permaneçam encobertos.
Afirmam vozes irresponsáveis, que se pretendem respeitadas: o mal do Brasil está no funcionalismo público. Essa categoria social tem muitos direitos, em contraste com o pouco trabalho prestado
Quem escreve em jornal tem o dever de provocar a reflexão. Nenhum meio de comunicação é mais próprio para isto do que os jornais. A mensagem através do rádio e de televisão é rápida demais. Não abre espaço para a contradita. O leitor de jornal pode interromper a leitura do texto escrito e meditar se o articulista está dizendo a verdade ou está sofismando.
Responda o leitor, após refletir, se concorda ou discorda do diagnóstico que se segue.
Tudo está certo no Brasil. Nenhuma mudança substancial precisa ser feita. Estamos no país da igualdade e da justiça. Não há ricos cada vez mais ricos às custas de pobres cada vez mais pobres. Se milhões de pessoas passam fome, isto é caso fortuito, muito bem definido pelo Código Civil. Culpado de todas as desgraças é mesmo o funcionário público.
A propósito da menção do livro “O Nome da Rosa”, é interessante observar como a literatura de ficção desvenda fatos e diagnostica males que obras doutrinárias deixaram à margem. Quem deseja aprimorar conhecimentos e ampliar horizontes intelectuais tem de mergulhar na leitura dos grandes autores. Não pode fixar-se apenas na bibliografia de sua especialidade. O economista descobrirá que é vizinho de Machado de Assis. O cientista político vai dialogar com Carlos Drummond de Andrade.
No tempo em que fui professor da Ufes, sempre aconselhei que meus alunos de Direito lessem obras não jurídicas. Abrindo-se a múltiplos interesses, não ficariam aprisionados ao estreito mundo das leis. Se viessem a ser juízes, o conselho não era bom, a menos que abdicassem das ambições de carreira e optassem por aposentar-se como soldado raso.

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