O ano é de tensão no comércio exterior – de importância crucial para o Espírito Santo.
Três fatos se sobressaíram de março para abril: bombardeio de Trump ao aço, anúncio da saída dos EUA da Organização Internacional de Café, com objetivo obscuro e, agora, embargo à entrada da carne do frango brasileiro na União Europeia, um bloco rico de 28 países.
Desde a crise de 2008, o mundo não sofria batalha comercial tão retrógrada. Decorre não do embate competitivo mas de atos protecionistas, e procura sabotar a lógica de negócios estabelecida desde 1947, com a criação do Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio). Um homem-bomba, um tal de Trump, faz o estrago. É arrogante e não entende bulhufas de multilateralismo. Só vê negociação bilateral primitiva, produto a produto, o que incentiva, em toda parte, mais medidas defensivas do que expansionistas.
Uma delas é o bloqueio ao nosso inocente frango, sob falso pretexto de risco sanitário. A medida tem impacto direto em 20 plantas exportadoras (unidades de produção) de nove empresas. Reduz em 30% o embarque total do produto, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal. Em 2017, o Brasil vendeu 201 mil toneladas para o Velho Mundo, de acordo com o Ministério da Agricultura.
E então? O que fazer com 141 mil frangos abatidos por dia? Estão com passaporte europeu suspenso, e destinos substitutos como México, Oriente Médio e África do Sul acham-se abastecidos.
Se ficarem no mercado interno, vão enterrar os preços (já declinantes há alguns meses) pelo excesso de oferta, agravando efeitos da baixa demanda. Isso ocorre em todos os Estados, os 15 exportadores de carne avícola e os demais.
O embargo puxa para baixo o valor de outras carnes (de porco e de boi). Frango a preço de banana, literalmente, seduz o consumidor. Disso resulta cenário de restrição para dezenas de bens e serviços integrados à cadeia produtiva. “A situação está sendo acompanhada com apreensão”, diz a diretoria da Associação dos Avicultores do Estado.
A produção capixaba de carne de aves soma 135 mil toneladas em 12 meses (11,25 mil/t ao mês), segundo o IBGE. É importante alternativa de renda para o campo, principalmente para o microprodutor se manter.
*O autor é jornalista