Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • "Fórmula perfeita" do café é descoberta nas montanhas capixabas
Retouche/BSCA
Grãos premiados

"Fórmula perfeita" do café é descoberta nas montanhas capixabas

Clima frio e terra fértil contribuem para o arábica cultivado no Caparaó seja reconhecido como um dos melhores do país

Siumara Gonçalves

Repórter de Economia

Publicado em 18 de Novembro de 2019 às 05:00

Publicado em

18 nov 2019 às 05:00
O Caparaó capixaba é berço de cafés especiais produzido em propriedades familiares Crédito: Retouche/BSCA
O verde do cafezal, o azul do céu e o cinza das montanhas se misturam em uma paisagem de tirar o fôlego no Sul do Espírito Santo. O cenário descrito, que mais se assemelha a uma pintura, é o Caparaó capixaba. Nele, a terra fértil e o clima frio - fruto da altitude próxima aos mil metros - formam uma combinação especial para a produção de um queridinho dos brasileiros: o café.
Com “fórmula secreta” que vem sendo aperfeiçoada pelos cafeicultores locais, o arábica produzido por lá figura nos últimos anos como o melhor do país. O produto, inclusive, já recebeu o título de “café perfeito”.
O zelo na colheita das cerejas, com o grão no ponto perfeito de maturação, faz toda a diferença. Por isso, os agricultores têm papel fundamental no resultado final dessa bebida e fazem com que o percentual de sementes de qualidade cultivadas neste solo cresça ano a ano.
“Ao redor do Caparaó capixaba temos cerca de 90 propriedades que produzem cafés de qualidade. Às vezes ficamos surpresos e chegamos até a arrepiar com o café que provamos devido à complexidade de sabores. Os cafés estão atingindo notas muito altas, próximo aos 90 pontos (a escala de avaliação vai até 100)”, comenta o professor do curso de Tecnologia em Cafeicultura do Ifes de Alegre, João Batista Pavesi Simão.
Todo o processo pelo qual o café passa, desde o plantio até chegar às xícaras, permite que o consumidor perceba variações de sabores e aromas únicos. Amêndoas, chocolate, limão, laranja e rapadura são apenas algumas das nuances sensoriais que esse café traz durante a degustação.
Atualmente, os especialistas descrevem o arábica do Caparaó capixaba como muito suave, doce e de finalização prolongada na boca. Segundo Pavesi, além da maturação dos grãos, a torra aperfeiçoa o sabor do produto. Ele explica que o processo rearranja as moléculas do café cru e dá a ele um novo aspecto de doçura.
"Além disso, o arábica do Caparaó tem uma acidez boa, que só dá em frutos maduros. Os provadores Q-Graders (profissionais da degustação de cafés) já indicaram mais de 19 características sensoriais marcantes para descrever a bebida"
João Batista Pavesi Simão - Professor do curso de Tecnologia em Cafeicultura do Ifes

PREMIADO

Um dos cafés mais premiados do Estado é produzido pela família Lacerda, na localidade de Forquilha do Rio, em Dores do Rio Preto. Afonso Lacerda, de 47 anos, e os sete irmãos produzem arábica de qualidade desde 2010. De lá para cá, as bebidas receberam mais de dez prêmios, entre municipais, estaduais e nacionais. Um dos mais recentes foi o de melhor café do país na última edição do Coffee of the Year (COY), realizada no ano passado.
Afonso Lacerda é produtor de café no Caparaó Crédito: Afonso Lacerda
"Eu e meus irmãos somos a terceira geração de cafeicultores e os nossos filhos serão a quarta. O café especial tem valor agregado, por isso ele remunera muito mais do que vender a bebida como commodity. Como a cafeicultura estava sendo mal remunerada, resolvemos ir em busca de novos rumos e encontramos esse nicho"
Afonso Lacerda  - produtor de café no Caparaó
Toda a produção dele está em uma altitude que varia entre 1,1 mil a 1,4 mil. Os cafezais estão distribuídos em duas áreas, uma do lado capixaba e outra do minério. A divisa das áreas é marcada por um rio da região. Ao todo são 47 hectares de plantio. “A cafeicultura é a vida da família e de onde tiramos todo o nosso sustento. Temos que tratar com muito carinho e amor essa atividade”, comenta.

SAFRA PROLONGADA

Enquanto na maior parte do Espírito Santo a colheita de arábica já chegou ao fim, na Região do Caparaó o empresário Fabrício Campo Dall’Orto e outros produtores ainda não finalizaram as suas safras. Isso porque com o clima mais frio, leva um tempo maior até os grãos chegarem ao ponto ideal de colheita. Além disso, o café é catado grão a grão, fazendo com que as sementes verdes fiquem um período maior no pé.
"O nosso café é de clima mais fresco. Onde o sítio está localizado, a umidade do ar e a temperatura influenciam na maturação do grão. Isso oferece outras atributos e qualidades a eles. Por isso, o café de altitude tem conquistado cada vez mais espaço. O nosso sítio fica no distrito de Pedra Roxa, em Ibitirama, a uma altitude de 900 a 1.250 metros"
Fabrício Campo Dall’Orto - Empresário
A cafeicultura também foi uma oportunidade de empreendimento para Fabrício. Ele começou a se envolver com o café em 2003. Naquela época, ele trabalhava em uma empresa de locação de máquinas de café. Hoje é o presidente do Grupo Dall’Orto, que reúne uma empresa de locação de máquinas de café expresso; uma empresa de cursos de baristas, venda de insumos e acessórios; uma fábrica de creme de café; e um sítio onde produz cafés especiais.
Fabrício Campo Dall’Orto é empresário do setor cafeeiro Crédito: Dall’Orto/Divulgação

ESPERANÇA

Os cafés especiais têm mudado a realidade de muitas famílias na Região do Caparaó capixaba. Há quase dez anos, o agricultor Deneval Miranda Vieira, 48 anos, pensou em vender a propriedade da família que fica em Iúna. O trabalho exaustivo na plantação de seis hectares de café arábica não dava retorno. As dificuldades financeiras aumentavam. Os quatro filhos queriam estudar e ir embora.
Como estava em busca de novas oportunidades, ele resolveu fazer uma pesquisa sobre o que sabia fazer: café. Atualmente, o cenário da família é bem diferente do que uma década atrás. Deneval, a esposa e os quatro filhos - que têm entre 20 e 27 anos - trabalham todos na propriedade.
“Hoje eles querem ficar aqui no sítio”, declara, feliz. A dedicação e o trabalho fizeram com que, em 2017, o café produzido pela família ficasse entre os dez melhores arábicas do país no concurso Coffee of the Year (COY) e, no ano passado, conseguisse a segunda colocação nacional.
Colheita artesanal garante mais qualidade ao futuro cafezinho Crédito: Café Cordilheiras /Divulgação
Já Lucas Fonseca Ferreira, estudante de Tecnologia em Cafeicultura e degustador de café, começou a estudar a cultura pela tradição familiar. O pai é cafeicultor em Minas Gerais. Para seguir o sonho, Lucas estuda no Espírito Santo há três anos. “Quando eu entrei no curso eu não compreendia quão complexa era a cafeicultura. Tudo começa na agricultura familiar”, diz.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados