Dizem que, dependendo do clima e da tensão, na
Assembleia Legislativa se falam cobras e lagartos e que a Casa é povoada por raposas políticas. Há quem garanta que (ainda) há deputados dóceis como um gatinho, mas existem alguns esquentados como um pitbull (estes, só os eleitores amansando na próxima eleição).
A fauna no parlamento é variada e nos últimos dias foi enriquecida com uma família de simpáticas (mas atentas e desconfiadas) corujas-buraqueiras. O quinteto tem dividido o espaço de um dos estacionamentos da Assembleia, na Enseada do Suá, em Vitória, com os carros dos servidores do Poder Legislativo.
Os animais ficam nos degraus próximos ao pátio, onde há uma toca onde elas se abrigam. Quem passa por lá fica na dúvida até de se aproximar, por temor de levar uma bicada dos pássaros. Qualquer indicativo de aproximação já é motivo para as corujas ficarem na defensiva, planejando uma ofensiva para se protegerem.
O casal e os três filhotes se incomodam diante da presença humana. Mas, parece, não estão dispostos a sair tão cedo de um dos metros quadrados mais valorizados da Capital. Ainda que estejam perto de raposas, cobras, lagartos e pitbulls.
O secretário municipal de Meio Ambiente de Vitória, Luiz Emanuel Zouain, leu a matéria e imediatamente entrou em contato com a coluna. Ele disse que acionará o Resgate de Fauna Silvestre da prefeitura para levar as cinco corujas para a vegetação de restinga, em Camburi.
“O risco para elas aí é grande. A coruja-mãe, em busca de alimento, pode pousar sobre a via de automóveis e ser atropelada”, explica o secretário. Zouain acrescenta que a coruja é um animal "territorialista" e que nem sempre é fácil retirá-las do local onde escolheram pra ficar. "O resgate é um processo difícil, e a restinga de Camburi é uma das nossas opções, um local ideal. Mas o melhor mesmo seria um local um pouco mais distante, mas elas devem mesmo ficar em Camburi."
Que elas sejam felizes na nova morada. E protegidas, claro.
Técnicos da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Vitória estiveram no começo da tarde de hoje (22) no estacionamento da Assembleia e constataram que, na realidade, a família de corujas é formada por um casal e três filhotes (e não dois, como inicialmente divulgado). Por considerarem que os filhotes já estão crescidos e próximos de ter autonomia para voar, resolveram não remover as aves para a restinga de Camburi para não estressá-los. Portanto, elas continuarão na toca da Assembleia.